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CIMH0 – Clube Ibérico de Módulos H0

Desde meados de 2015 começámos a ver uma nova entidade a organizar encontros de módulos, quer em Portugal quer em Espanha. Para dar a conhecer o Clube Ibérico de Módulos H0, a webrails.tv entrevistou Ricardo e Natacha Santos, duas presenças habituais nestes encontros.

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O CIMH0 nasce com o fim do Clube de Módulos Maquetren (CMM), em que cerca de 90 % dos seus actuais membros já participavam no CMM, explica Ricardo Santos.

“Dentro do CMM, apareceu um grupo de pessoas que pretendia iniciar outro projecto diferente dos módulos e propôs que os participantes com módulos seguissem um caminho diferente para não deixar morrer o projecto”, e assim nasceu o CIMH0.

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“Embora tenha adoptado a normalização das Normas Maquetren, não se aplica a rigidez do CMM, pelo contrário, pretende-se que todos os modelistas ferroviários se juntem ao clube para participar nos eventos, que se pretendem regulares”, refere o modelista.

O CIMH0 promove encontros de modelismo ferroviário na Primavera e no Outono. Essas iniciativas, estão abertas à participação de novos módulos. Para isso basta que os trabalhos que produzidos sejam compatíveis na ligação a outros módulos já existentes.

Entre portugueses e espanhóis o grupo congrega cerca de 50 modelistas. No entanto, nem todos participam nos dois encontros anuais. A distância é um dos maiores impedimentos, destaca Ricardo. “Daí que existam outros encontros, organizados a nível local, pelos participantes das zonas em causa. Mas que são sempre abertos a todos. Ou seja, tentamos fazer sempre o maior número de encontros com o maior número de participantes em prol da divulgação do hobby”.

Na primeira linha dessa divulgação, para quem quer estar actualizado, já existe uma página, www.cimh0.org. Essa plataforma é um lugar privilegiado para encontrar notícias e estar a par de tudo o que se refere à actividade do grupo.

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Outro aspecto sobre a participação de módulos, referido por Natacha Santos: “não é necessários que os módulos, ou trabalhos, que o modelista pretenda exibir estejam completamente acabados”. Para a modelista esse pode ser um factor de motivação relevante para se ganhar um novo aficionado, explica. “De uma exposição para a outra o público em geral poderá aperceber-se da evolução de determinado trabalho, o que é sempre um meio de motivação para aqueles que tem mais dificuldades em avançar com o hobby.

À pergunta se existe alguma relação com outras associações portuguesas, Ricardo Santos esclarece: “não há qualquer vínculo, porque o CIMH0 é informal, não há quotas, não há sócios, mas é sim um grupo de amigos que se encontra pelo menos duas vezes por ano, em que a organização caberá a quem tiver a disponibilidade necessária. Portanto, CIMH0 é apenas um nome em que nos identificamos como grupo”. A informalidade nos encontros é um ponto que portugueses e espanhóis não abdicam. Adianta: “porque não se pretende o envolvimento de patrocínios, gestão financeira e tudo o que implica a formalidade de uma associação. Queremos ser apenas um grupo de amigos com a mesma paixão/hobby “.

Ficou também ressalvado que alguma associação que tenha módulos pode participar nos encontros desde que seja um dos seus associados a inscrever-se como responsável pelos mesmos.

Sobre os módulos participantes em encontros, outro exemplo referido, é a existência de módulos compatíveis com duas normas. Como um dos participantes espanhóis que tem 2 módulos construídos, “que se montados de uma maneira são compatíveis com a norma Maquetren, se montados de outra forma, são compatíveis com a norma Forotrenes, podendo assim participar nos diversos encontros”. Uma abordagem a publicar oportunamente em artigo na página do CIMH0, adiantou.

ENCONTRO DE PRIMAVERA DE 2017

O próximo encontro do CIMH0 decorre de 28 de Abril a 1 de Maio no Museu Nacional Ferroviário. “A oportunidade aparece do facto de um dos participantes ser ferroviário, viver no Entroncamento, e estar ligado à Fundação do MNF”. Explica que por isso, desde que o grupo se formou, essa possibilidade tem sido avançada. O museu acedeu e acordou-se a data para este ano, remata.

Os módulos serão montados no mesmo pavilhão onde decorreu a Locomodels 2016. A disposição da maqueta aproveitará o espaço entre as peças do museu. “Existe grande expectativa nesta exposição, pelo local, pelo jogo e pelo convívio devido à grande participação que se espera em virtude do local escolhido”, adianta.

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Definidos o layout e o modus operandi em função do espaço, o que restar fica disponível para enriquecer o encontro. A organização irá equacionar a participação de outros stands, como de revistas da especialidade, lojas de modelismo ou mesmo de vendas em 2ª mão de particulares e fabricantes, dizem Ricardo e Natacha Santos.

Referem ainda que haverá surpresas relativamente a módulos novos, quer de portugueses quer de espanhóis.

Quanto à forma de gestão das circulações, foi adiantado que será digital. Haverá gestão da capacidade de rede com atribuição de canal horário reservado a comboios de passageiros e de mercadorias. Explica Ricardo Santos “que as circulações ferroviárias irão estar distribuídas por três tipos, época III e IV na tarde de sexta e manhã de sábado, material internacional na tarde de sábado e manhã de domingo e época V e VI na tarde de domingo e manhã de segunda”.

Outra novidade adiantada pelo modelista será a experimentação de pelo menos um comboio em manobras, gerido por cubos/cartas. Esta situação envolve mais pessoas nas estações para garantir a coordenação entre os dois modos, assinala.

Um grande evento em expectativa a que a Webrails.tv voltará brevemente.

PREPARAÇÃO DOS EVENTOS

A equipa do CIMH0 trabalha todo o ano para garantir o sucesso e a inovação em cada encontro. Isso traduz-se na gestão da página web, dos correios electrónicos, nos esquemas e horários das circulações, na preparação das maquetas, na análise de problemas que apareceram em anteriores encontros, e na busca de soluções técnicas inovadoras para ultrapassar esses problemas.

Esta abordagem vem a propósito de um incidente que se deu no encontro da Primavera de 2015, na Casa do Campino em Santarém, ainda organizado pelo CMM. Havia uma grande maqueta e isso fazia com que as composições circulassem com pouca fluidez.

Desse cenário Ricardo Santos levantou o véu sobre os problemas eléctricos e electrónicos surgidos então: “o problema começou num booster que se queimou, o que levou ao colapso de centrais e amplificadores de corrente. Esta situação, levou o CIMH0 a, à falta de explicação satisfatória do sucedido pela marca que estava a ser utilizada na altura, desenvolver uma solução própria, que passadas 5 exposições, tem provado a sua fiabilidade”.

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Booster CIMH0

A solução passou por deixar de recorrer aos boosters da marca, desenvolvendo um booster próprio. Nesta solução, a dimensão das secções também foi reduzida, levando à utilização de mais boosters que a solução anterior e evitando a sua sobrecarga, e isolando uma secção mais pequena em caso de problema e evitando o alastramento do problema a outras secções da maqueta.

Estes e outros factos podem ser acompanhados na recente página de Facebook do CIMH0, que está no ar desde Outubro de 2016. Aqui poderão ser encontrados posts sobre questões técnicas, construção de módulos, preparação de eventos, etc.

À questão sobre a facilidade de organização dos encontros em Portugal e em Espanha, a resposta foi pronta: “É muito mais fácil organizar em Espanha do que em Portugal, pela facilidade em encontrar instalações, no envolvimento que a entidades entregam a este tipo de iniciativas de cidadãos e a comunicação social produz sempre reportagens sem ser necessário comunicar expressamente o evento”.

Acrescentam: “mas evitando sempre o envolvimento financeiro para não manietar a liberdade e a flexibilidade do grupo. Em Portugal, em geral, a cobertura dos média é praticamente nula, quer ao nível nacional quer ao nível regional ou local”.

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Relativamente a produtores do sector, foi questionada a existência de relações quer com fabricantes industriais, quer artesanais, e se o CIMH0 era consultado sobre eventuais produções, ou se conseguia de alguma forma influenciar a estratégia das novas produções. Na resposta, Ricardo Santos esclarece que ”pela juventude do clube, ainda não foi despoletada nenhuma acção nesse sentido, mas pelo que se pode observar nos correios electrónicos trocados e nas reuniões entre os vários participantes, vontade não falta, mas têm sido escolhidas outras prioridades”.

Agradecemos ao Ricardo e à Natacha Santos a oportunidade e a disponibilidade para a realização desta entrevista.

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