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Entrevista à MINITREM

No seguimento das entrevistas a lojas de modelismo em Portugal, a Webrails.tv foi até ao Porto, à MINITREMem Matosinhos, onde conversou com Paulo Casais.

WR: Para mim, como modelista, a MINITREM é uma casa com história, onde comprei muitos modelos na loja da Rua Formosa, e em 2012 apercebi-me da mudança para Matosinhos. Qual é o mercando onde se inclui a MINITREM?

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Paulo Casais

PC: Temos modelismo ferroviário que existe desde o início e ao radio-modelismo que também vem desde o início da MINITREM. Entretanto com o tempo o radio-modelismo foi-se esbatendo até que a MINITREM ficou só com o modelismo ferroviário. Entretanto após a mudança da loja e em face do maior espaço introduziu-se o radio-modelismo como complemento. Entretanto há 5 anos mudou de gerência.

WR: A mudança para Matosinhos tem a ver com a mudança de gerência?

PC: Não, quando a gerência mudou, a MINITREM ainda manteve as 2 lojas durante 4 anos. Mas com a crise económica e com a necessária contenção de custos, acabámos por fechar a loja no Porto e ficar só com esta loja de Matosinhos, que facilitou todas as questões logísticas e de espaço.

WR: E os clientes seguiram-vos?

PC: Sim, até com alguns benefícios, mais espaço, mais facilidade de estacionamento e melhores acessos. Claro que houve alguns protestos, mas no final tudo ficou bem.

WR: Relativamente ao vosso portfolio em modelismo ferroviário, vocês tem as marcas internacionais mais importantes, também a SUDEXPRESS, e no passado desenvolveram também pelo menos um modelo próprio…,

PC: … Sim, foi em final de 2011 início de 2012, lançamos de facto um modelo de um vagão exclusivo, mas apesar de não termos voltado a repetir a experiencia até hoje, no entanto temos algumas ideias que não estão paradas.

WR: Mas foi um vagão que desapareceu muito depressa…

PC: …Sim, é verdade, mas também foi uma série muito pequena, aliás em Portugal não há outra solução.

WR: Além das marcas industriais, trabalham com marcas artesanais?

PC: De momento, de marcas portuguesas só temos SUDEXPRESS, e a MaketForYou que tem apresentado modelos Portugueses interessantes.

WR: A SUDEXPRESS já tem uma gama de vagões de mercadorias que já permitem fazer composições muito interessantes. Mas faltam as carruagens, tendo apenas lançado um restaurante e as CIWL, em colaboração com a LS Models. Como vê o anúncio recente da produção das carruagens Sorefame?

PC: Uma oportunidade de satisfazer tantos modelistas portugueses, e também uma oportunidade de negócio para ver se estes tempos anémicos ficam para trás.

WR: Consegue influenciar a SUDEXPRESS no seu programa de novidades?

PC: Um pouco sim, mas não se compara com o poder que as lojas na Alemanha têm junto dos maiores fabricantes, pois o comboio é um factor cultural muito importante nesse país. Mas voltando à questão da Sudexpress que está bastante vocacionada para o material rolante português, quando lança uma novidade, tem existido uma troca de impressões, mas como é óbvio quem decide é a empresa SUDEXPRESS (Armando Lobato) se as lança para o mercado ou não.

WR: Qual é o vosso perfil de cliente? Meia-idade, reformados, jovens?

PC: Actualmente já podemos ver uma fatia muito interessante de jovens que têm o interesse no hobby (Comboio), assim como mostram uma curiosidade em saber a sua história. Os nossos principais clientes têm de facto um perfil de meia-idade ou de reformado.

WR: O factor digital terá importância? Projecção das consolas no hobby?

PC: Vem ao encontro uma coisa da outra. As principais marcas como a Märklin, Fleischmann e a Roco já têm plataformas digitais para vir ao encontro e cativar estes novos potenciais clientes para este hobby. Temos já alguns filhos que puxam os pais para virem até aqui à loja ver os modelos, sem que haja uma transmissão do hobby de pai para filho. São portanto novas gerações que começam a aparecer neste meio.

WR: Já se afloraram as dificuldades dos últimos anos. Como é que a MINITREM sentiu a crise económica dos últimos anos? Vimos muitas lojas a fechar, e sobreviveram muito poucas.

PC: Com sufoco. Não foi fácil. Não está a ser fácil, mas continuamos cá!

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Paulo Casais

WR: Continuam a sentir ainda a falta de clientes?

PC: Em geral sentimos ainda as pessoas com muita falta de capacidade de aquisição. E temos uma desvantagem muito grande nas compras por internet, fundamentalmente com aquisições na Alemanha. Estas vendas chegam a Portugal com custos que nós não conseguimos ter nas marcas. Temos abordado os fabricantes na Feira de Nuremberga, mas sem grande sucesso, somos uma gota de água no oceano.

WR: Mesmo através de distribuidores não conseguem melhores preços?

PC: No caso do material de modelismo ferroviário as compras são feitas directamente à origem, e temos tido melhores condições, mas nada de especial. Em relação ao rádio modelismo, as compras são feitas maioritariamente a representantes/distribuidores portugueses, e temos de alguma forma conseguido ajustar boas condições comerciais.  

WR: Costumam ir à feira de Nuremberga?

PC: Vamos desde 2011 ano em que abrimos com nova gerência, só não fomos em 2016 e 2017, não só por opção porque também notamos que a feira tem vindo a decair na área que nos interessa. No entanto como acreditamos que as coisas vão melhorar, pensamos em voltar a Nuremberga no próximo ano.

WR: Voltando ao perfil do vosso cliente, compram mais português ou só modelos estrangeiros?

PC: Normalmente compram as duas coisas, mas mais o estrangeiro, porque a grande maioria começaram com modelos maioritariamente alemães, mas também franceses e espanhóis. Um factor que prevalece, a preferência por material alemão, é a grande variedade de modelos que existem disponíveis deste país. A oferta de modelos portugueses como sabe é baixa, o que torna a escolha muito limitada. Mas apesar de tudo é um material que se vende bem.

WR: A MINITREM não tem um canal de vendas na internet?

PC: Não, não temos por opção.

WR: Mas sentem que a concorrência da internet apresenta preços tão mais baixos que justifique a preferência por esse canal? Onde é que está a diferença no preço, na origem, nos transportes, nos impostos?

PC: É muito simples, nós praticamos os preços recomendados pelas marcas, pois as quantidades que vendemos são pequenas, e temos logo a desvantagem do nosso IVA ser mais alto, isto a somar ao rappel das lojas alemãs que também vendem na internet, conseguem realmente preços com uma diferença bastante aliciante para o nosso cliente. Como a nossa margem já está esmagada, não conseguimos concorrer com a internet. Esta dificuldade é extensiva ao radio-modelismo.

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WR: No portfolio também tem modelismo ferroviário americano? E escala N?

PC: Não, não temos material americano e o cliente que nos aparece é residual, normalmente turista brasileiro. Quanto à escala N, já aparecem cada vez mais, mas muitas vezes a escolha é meramente logística, espaço.

WR: Como vê o futuro a médio prazo?

PC: Acredito que vai começar a recuperar, mas as pessoas ainda não sentem verdadeiramente a recuperação económica e por isso ainda são cautelosas e adiam a compra.

WR: Como chamaria as pessoas à loja?

PC: Temos um rosto e um serviço que acreditamos ser bom, e tentamos premiar o cliente fiel e que acredita em nós.