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Também houve debate na sessão “Reabilitar Património Ferroviário”

rentabilizarPatrimonioFerroviario_01No período dedicado às questões da audiência houve debate. Além dos esclarecimentos solicitados aos intervenientes dos dois painéis por quem acompanhou a sessão “Rentabilizar Património Ferroviário“, a ferrovia motivou debate dentro património ferroviário em 2 momentos.

O primeiro momento arrancou logo depois de uma ronda inicial de questões sobre como saber o que está disponível para ser rentabilizado e qual o caminho que a IP Património privilegia para se iniciar um processo de subconcessão. Da assistência surgiu a questão porque que é que o canal ferroviário, além das estações, também não é rentabilizado com comboios turísticos.

“Uma vez que se fala tanto em preservação e rentabilização, porquê desta febre, porque eu considero uma febre, de transformar todas as vias férreas em ecopistas, e porque não manter a linha e fazer a exploração turística?”, questionou o entusiastas Paulo Alexandre na primeira fila da assistência.

A resposta veio, de forma pessoal por João Rocha, o quadro IP Património presente no painel. “Naquilo que posso comentar, e não estou aqui nem em nome do Governo, nem em nome de operadores ferroviários, a IP Património não se pretende sobrepor à actividade e objectivos core da Infraestruturas de Portugal da infraestrutura rodo-ferroviária,” explicou.

A IP Património não tem como responsabilidade ditar o encerramento de linhas. Essa é uma decisão cabe à Tutela e os operadores podem despoletar se não lhes interessar explorar a linha.

O técnico deu como exemplo o ramal de Cáceres. A infraestrutura encontra-se encerrada e “está em condições de operação”, mas não tem qualquer tipo de serviço por “falta de interesse dos operadores”. Logo, definir se está aberto ou fechado, é uma situação que “não depende da opinião ou vontade do gestor de infraestrutura”, e menos ainda da IP Património.

Sobre o programa de ecopistas, adiantou que não é entendido como uma politica de supressão de canal ferroviário encerrado. “É uma tentativa de mitigar o seu fecho à exploração” por decisão da Tutela, para que continue a ter impacto local. De resto trata-se de uma subconcessão, que pode alcançar os 100 anos, e que pode ser revertida.

Aproveitando a deixa de exploração turística, Raul Aguiar, Caixa Geral de Depósitos, colocou a questão se havia oferta turística de carruagens, e passeios.

A resposta veio também da mesa, por João Rocha: “há serviços complementares que estão a ser gerados através de linha férrea activa”. Referia-se à oferta sazonal do comboio histórico e presidencial na linha do Douro. “Actividades singulares que em si não tornam rentável a exploração de uma linha. Ela surge como complemento de outros serviços e actividades ferroviárias que tornam rentável a própria operação”, colocando as ofertas turísticas no equilíbrio entre os custo de operação e manutenção da infraestrutura e serviço regular de passageiros e mercadorias.

A fechar a questão, posicionado novamente a sessão para mais uma ronda de questões sobre a oportunidade de viver ou montar um negócio numa estação, Hilário Teixeira do Clube Ferroviário de Portugal, a moderador o painel, resumiu a questão inicial e os pontos de vista.

“A questão que colocou tem toda a pertinência. Aliás, é capaz de ser uma das questões mais pertinentes neste momento, daquilo que é o aproveitamento do património desactivado ferroviário”, destacando o ponto de partida do debate.”Porque para além das linhas que deixam de ter viabilidade económica do ponto de vista da exploração ferroviária, elas são abandonadas, e em muitos casos foram criadas ecopistas, como disse”.

No entanto assinalou que existem alternativas ao abandono e ás vias verdes depois do encerramento. Se houver um compromisso mais alargado que aproxime outras entidades com responsabilidade: “havia toda a possibilidade, em conjunto com os players do sector do Turismo em Portugal, nomeadamente as Comunidades Intermunicipais, as autarquias em si, o Turismo de Portugal; de verem claramente que projectos eram viáveis”.

Para dar o exemplo o antigo quadro ferroviário recorreu a projectos espanhóis que utilizam via operacional com fins lúdicos com comboios a vapor ou diesel, para dizer que faz sentido e é possível: “e não é preciso ir mais longe, basta olhar para Espanha, para os projectos desta índole que estão a ser desenvolvidos com grande sucesso”. Algo que cá também deveria ser possível como “factor de progresso e desenvolvimento económico para as populações”.

“É uma questão, que na minha opinião, tem toda a pertinência, e que devia merecer o foco da nossa sessão. Obrigado. Mais questões”, rematou.