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EMEF quem vai ficar com os 30%?

emefEntronA EMEF está em destaque esta terça-feira, não pelo CPA 4008 que entrou em oficina na segunda-feira para R1, ou por o actual Director Geral da empresa, Castanho Ribeiro, ter confirmado aos trabalhadores que está de saída, mas por causa do trabalho precário, atrito na contratação de trabalhadores e para pressionar a administração a negociar o Acordo de Empresa.

Os trabalhares fizeram greve, e na parte da manhã, realizaram um Plenário junto à sede da empresa na Reboleira.

. José Manuel Oliveira, coordenador da Fectrans, presente no Plenário de trabalhadores da EMEF, fez um balanço da acção para a webrails.tv
.

Para além da posição face às condições de trabalho, a acção teve como pano de fundo uma conjuntura que está a baralhar as cartas no sector e que poderá dar novas mãos aos intervenientes. Em cima da mesa perspectiva-se a possibilidade da manutenção e reparação EMEF voltar  à CP, estando também em cima da mesa a hipótese de se partir em unidades mais pequenas.

Pedro Marques, na intervenção da cerimónia de apresentação do CPA 4009, sugeriu ao presidente da CP que reestruture a empresa. Pese embora a solicitação, consta que o estudo já se encontra na secretária do ministro, e a aguarda uma decisão. Decisão que poderá estar a aguardar o desfecho do pedido de indemnização, que ultrapasse os 80M€, da Bombardier.

No entanto a necessidade de baralhar as cartas para voltar a dar está mesmo na manutenção do material circulante. Não aquela que está assegurada na parceira com Siemens. As unidades 5600 e 4700 estão contratualizadas com a Simef até ao final da década. Mas a que passa, por exemplo, pela manutenção e R1 das unidades da série 4000, pelo material circulante Medway que transitou da CP e está com os contratos a vencer, ou até pelo Metro do Porto. A EMEF comporta ainda competências no fabrico vagões.

No caso da antiga CP Carga a reparação e manutenção das unidades 1400, 1900 e 1960, e parque de vagões, abriram mercado. Mercado que mais para a frente poderá dar um salto e tornar-se mais expressivo com a liberalização do sector do transporte ferroviário de passageiros.

Ainda no actual figurino, por causa do Tribunal de Contas, a relação entre EMEF e CP traduz-se em contratos de manutenção trimestrais. Ou seja, o enquadramento compõe-se com limitações contratuais, aumento da cota de serviços a privados e queixas da Bombardier.

Já a nível politico a decisão, na actual Legislatura, pode promover uma segunda alteração de fundo no modo ferroviário.  No inicio de 2015 a pasta de Pedro Marques confirmou a venda da CP Carga. Passaram então a existir dois operadores privados nas mercadorias. Sendo que para esta partida conta a percentagem de manutenção e reabilitação que transitou do grupo CP para o novo operador, e deste para a carteira da EMEF.

A opção, com o sector das mercadorias liberalizado, veio aumentar os contratos da EMEF. Medway, juntamente com o Metro do Porto, e serviços pontuais, representam agora pouco mais de 30% na carteira de encomendas privada da empresa de manutenção.

Entretanto, uma decisão sobre a manutenção e reparação de material circulante, e se Portugal mantém competências na produção de vagões, está na secretária do ministro, que deverá definir a estratégia do sector. A decisão, ao que tudo indica, vai implicar mexer na EMEF. A questão é, quem vai ficar com os 30% de manutenção e reabilitação externa da EMEF?