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Descarrilamento compromete ligação ferroviária por 48h – 04

Poucos dias depois da reposição da circulação na linha do Norte estivemos à conversa com Gameiro Jorge. Sem a ambição de assumirmos a responsabilidade de organismos públicos, mas com o interesse de trazer o olhar empírico sobre o descarrilamento, abordamos o ferroviário.

Do outro lado da linha, disponível e atento para se falar do tema, o ferroviário e sindicalista do SINAFE – Sindicato Nacional Ferroviários do Movimento e Afins, adiantou que tudo o que poderia dizer seria a sua maneira de pensar. O conhecimento que tinha do acidente destacou, baseava-se no que tinha visto na televisão, internet, e numa viagem de comboio ao Porto, quando já se circulava no troço em via única.

A enquadrar a conversa começou por referir: “Isto faz-me lembrar uma situação aqui há uns anos, lá em baixo, em São Bartolomeu na linha de Sines. O maquinista ia para travar num cruzamento e o comboio nunca mais parou. Só a máquina é que seguia em freio de ar comprimido, o resto do comboio vinha solto”.

Sobre o descarrilamento, o pensamento em relação às imagens, ocorrem-lhe duas situações que podem despoletar a ocorrência. Embora acredite que para salvaguardar o operador de transporte ferroviário, até porque os danos foram enormes, as causas possam recair na infraestrutura.

Além de uma deficiência no material circulante, como um rodado partido, levanta a hipótese de só o vagão junto à máquina estar com o freio ligado, e o resto do comboio solto da manobra.

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img: print screen SIC

A enquadrar a hipótese: “São umas centenas de toneladas a rolar. O maquinista dá um cu de freio, e o que é que trava? Trava a máquina, trava o vagão, e os que vêm atrás vêm à rédea solta. O primeiro vagão, que não vem ligado ao ar comprimido, levanta uns centímetros e quando desce já não assenta em cima do carril, dispersa-se, e os outros vêm para cima. Uns para a esquerda, outros para a direita”.

Por outro lado quando se fala de infraestrutura, e se fala num cenário onde se avança com a suposição da linha ter aberto, dispara: “Não estamos a falar do tempo em que as travessas eram de pinho, os tirefonds alargavam, os carris eram de baixa resistência,  os vagões passavam e a linha abria. Não estamos a falar nesse tempo”.

O facto de a ocorrência não ter resultado em perdas humanas foi também um dos aspectos colocados em evidência pelo ferroviário. O troço comporta vários serviços de passageiros,  e não se ter dado um cruzamento foi uma sorte, pois o acidente seria muito mais grave, referiu.

Por outro lado, relevante para o ferroviário, e que o acontecimento também não deixa de evidenciar, decorre da rede ferroviária nacional não ter soluções redundantes à linha do norte. A ligação Covilhã-Guarda ainda não está operacional, e a solução diesel da linha do Oeste, Figueira da Foz – Pampilhosa, via ramal de Figueira, não é alternativa por estar encerrada.

Para concluir assinalar que o ferroviário tomou conhecimento do acidente através de imagens colocadas nas redes sociais. Num primeiro momento não quis acreditar,  questionou-se se são seria uma brincadeira de primeiro de Abril, mas uma ligação para Alfarelos confirmou a ocorrência.

Entretanto o jornal Público deste domingo já sinalizou 4 descarrilamentos em 2017. Em comum “todos os acidentes, sem excepção, tiveram lugar em troços que não foram alvo de nenhuma modernização”, adianta.

Ao nível do material circulante a webrails.tv questionou o IMT sobre a existência de indicadores de “motivos justificados para considerar que uma determinada entidade de manutenção não satisfaz os requisitos estabelecidos”, remetidos para a ERA ou Comissão, mas até à conclusão deste artigo não obteve resposta.

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