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A ferrovia no DIMS 2017

rossio_noiteNo passado dia 18 de Abril a perspectiva cultural e lúdica da ferrovia marcou presença no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (DIMS) 2017.

O programa, este ano dedicado ao Património Cultural e Turismo Sustentável, desenrolou-se na região de Lisboa ao longo do dia em três abordagens.

Longe do aproveitamento natural do modo de transporte terrestre para movimentar passageiros e mercadorias, nas actividades inseridas no DIMS o caminho de ferro mostrou que a sua interpretação e a figuração que faz na história deixam em aberto uma utilização cultural. Embora em Portugal, e não se entenda porquê, esse aproveitamento ou não existe, ou quando existe não consegue fazer mais do que o mínimo.

Neste contexto a actividade mostrou que pelo menos existem abordagens que podem sustentar a aposta na valorização e rentabilização operacional, de forma integrada, do Património Cultural e do Turismo Sustentável quando se pensa em ferrovia.

Programa

Na parte da manhã o programa do DIMS avançou pela estação de Alcântara. Na parte da tarde visitou o antigo complexo ferroviário do Barreiro, e terminou – já perto da meia-noite – na esplanada do Café Martinho da Arcada. O espaço associado ao poeta Fernando Pessoa concluiu o percurso pelo imaginário da estação do Rossio.

No Barreiro a actividade teve inicio nas oficinas da EMEF. A evolução do sector ferroviário em Portugal tornou a unidade industrial no último reduto do Barreiro Ferroviário ainda em actividade.

As poucas décadas que separam os tempos áureos em que a cidade da margem sul, um importante pólo ferroviário, assumia o papel de ponto de convergência do modo de transporte na ligação de norte-sul de passageiros e mercadorias fazem já parte da memória.

Essa centralidade foi entretanto perdida com a instalação do tabuleiro ferroviário na ponte sobre o Tejo, em 1998. No entanto parte do Barreiro Ferroviário ainda se encontra vivo. Nas estruturas, hoje devolutas, que fazem a ponte para o imaginário do que foi o complexo ferroviário, e através da actividade de reparação que ainda tem lugar no Grupo Oficinal do Barreiro.

A unidade da região Sul, além de engates, repara material associado ao diesel eléctrico, geradores, motores de tracção, bogies. As locomotivas da série 1400 e 1900, ainda marcam presença no grupo oficinal.

Do espaço EMEF a visita entrou mais no antigo complexo. Passou para a rotunda de locomotivas e edificado circundante, bairro ferroviário e antiga estação de Sul e Sueste.

A rotunda, estrutura imponente do modo ferroviário, albergou material circulante que serviu nas linhas e ramais a sul do Tejo. Na actualidade desempenha um pequeno papel na actividade de reparação. Numa das suas gavetas, a 17,  testa o material para voltar ao serviço.

No Barreiro a jornada passou ainda pelo Bairro Ferroviário e estação de Sul e Sueste. Depois da construção de uma nova estação a pouco metros, este último espaço definha. O edifício, cada vez mais degradado, aguarda por uma atitude das entidades responsáveis, ou que os privados apresentem projectos financiados e sustentáveis.

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A viagem seguia já a meio quando a webrails.tv apanhou este comboio. No quadro de actividades proposto marcou presença nas duas últimas iniciativas.

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Por volta das oito e meia da noite teve inicio a terceira proposta ferroviária. Aos poucos o átrio da estação do Rossio, ponto de encontro, foi-se compondo de inscritos. A primeira etapa ocorreu na sala do Rei, num passeio com dimensão cultural que passo pelo cais de embarque, Hotel Avenida Palace, fachada da Estação Central – Rossio – e Martinho da Arcada..

Ana Sousa, CP Comboios de Portugal, e Paula Azevedo, IP Património, além de conduziram a dimensão ferroviária do dia, emprestaram o lastro da última actividade do dia. Orientaram visita ao Rossio e deram enredo para a descoberta do edifício centenário.

Nas plataformas de embarque de passageiros da estação, depois do contexto histórico da ferrovia e do conjunto, a viagem seguiu junto às paredes laterais do terminal. As duas séries de azulejos que a estação do Rossio comporta são outro aspecto singular do equipamento ferroviário. Do lado direito de quem entra para apanhar o comboio, uma Lisboa imaginária. Do outro, produtos portugueses exportados para o mundo. A leitura das peças pelos participantes dividiu o grupo inicial em dois.

Os painéis criados pelo Mestre Lima de Freitas foram encomendados pelo presidente do Nó Ferroviário de Lisboa,  Braancamp Sobral, em 1996. Recuperam mitos e lendas que evocam uma identidade para a fundação da cidade Lisboa. São um conjunto recente e contemporâneo da última grande intervenção ferroviária na capital.

Do lado oposto reside outra sequência de azulejos. Produzidos por Lucien Donnat para a Exposição do Mundo Português de 1940, e oferecidos para a estação terminal em 1958 pelo Fundo de Fomento de Exportação, os painéis de produtos portugueses ilustram as principais exportações nacionais da época.

A actividade prosseguiu pela estação de Metro dos Restauradores até à primitiva fachada do Hotel Avenida Palace. Ao tempo da construção, em 1892, o edifício era parte integrante do conjunto que formava a estação. Faziam parte do complexo as plataformas de embarque, túnel, edifício de passageiros, estrutura de ferro e vidro.

O edifício acabou por tornar-se hotel, assumindo assim como uma estrutura de apoio aos passageiros, à imagem do que acontecia na um pouco por toda a Europa naquele tempo. Um hotel de qualidade junto de uma estação terminal.

Uns metros depois uma nova paragem. A fachada nocturna da Estação do Rossio. Um perspectiva pouco habitual de atenção mas relevante no contexto da visita. Em relevo o volume da luz e da sombra que não se pode ver durante o dia.

A jornada que casou a dimensão ferroviária com o Património Cultural e Turismo Sustentável terminou no Terreiro do Paço na esplanada do Café Martinho da Arcada.

A actividade

Referir ainda que a presença da ferrovia no DIMS surge na sequência de um convite da Direcção Geral do Património Cultural às entidade públicas. A IP apresentou o “A,B,C”: Alcântara, Barreiro e centro da cidade, e convidou a CP.

O Dia Internacional de Monumentos e Sítios, provido em Portugal pela Direcção Geral do Património Cultural, é dinamizado ICOMOS e este ano teve como mote o Património Cultural e Turismo Sustentável.