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Livro: Cronologia Ferroviária Portugal

CronologiaFerroviarioPortugalVai ser apresentado no dia 20 deste mês o livro de José Ribeiro da Silva “Cronologia Ferroviária Portugal”. A sessão está agendada para as 15h na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto na Póvoa do Varzim.

A webrails.tv teve acesso à edição de autor e destaca três aspectos menos conseguidos numa publicação que faz sentido figurar em qualquer estante.

Título e conteúdo não casam

Pese embora o autor refira na introdução esperar que “a simplicidade do conteúdo esteja ao nível do título atribuído”, espera-se que exista alguma coerência.

Se no título é referido que é portuguesa é isso que se espera. Qual o sentido dizer que é portuguesa e depois ter entradas sobre eventos e acontecimentos de outros países? Se no inicio até pode ter algum sentido ir buscar os primeiros momentos da ferrovia, para dar um contexto da evolução do modo de transporte. Mais complicado se torna quando se trata de encaixar acidentes ou momentos ocorridos em outros países sem haver uma ligação aparente ao nosso.

CronologiaFerroviarioPortugal_Trata-se de um livro de autor de uma ideia desenvolvida ao longo do tempo. Mas não perdia nada se tivesse sido estruturado na cronologia, e conter índice da obra. Essa organização podia abrir espaço para desvios à evolução nacional do tema, e à pesquisa dentro da obra.

O livro mostra, mesmo não se assumindo como de referência, que o formato dentro tema tem interesse e faz sentido em papel.

O TGV

O TGV francês, o TGV espanhol, o TGV português. Os ferroviários, e os entusiastas, por vezes chamam a atenção para a falta de rigor nos artigos de imprensa. O uso do termo “TGV”, comboio francês de Alta Velocidade, como forma genérica de designar Alta Velocidade no caminho de ferro, ilustra um desses momentos. O autor, um antigo ferroviário e escritor dentro do modo de transporte, com a publicação vai alimentar essa falta de rigor.

Rigor nas entradas

Em Novembro de 2009, pagina 240, refere-se: “CP Carga – Aquisição de 25 locomotivas da série 4700 – Esta empresa do grupo CP adquiriu à firma Siemens vinte e cinco locomotivas eléctricas da série 4700 para a sua frota”. Se assim fosse não tinham sido passadas para a CP Carga, com alguma polémica, no final de 2015 para terminar o processo de privatização.

Este pode ser um aspecto perigoso num livro suportado em entradas. Uma cronologia tem o seu interesse como elemento de consulta. As entradas podem ser pontos de confirmação ou partida para dar dimensão no detalhe. A falta de rigor, neste caso, pode inverter esse sentido. Seria algo caricato usar uma livro de cronologia para confirmar as referências que enumera.

Porque faz sentido numa estante

O facto de ser uma cronologia em papel tem interesse como ponto de partida para identificar ou confirmar momentos. Embora à partida este tipo de obra nunca se apresente completo ou acabado. Mas equilibra uma estante ferroviária.

Ser uma edição de autor não desvaloriza a publicação. É relevante ter um ponto de vista pessoal na selecção. Como em outras áreas podem ser mais abrangentes e consensuais, ou não. No caso o balancear dos temas dentro da ferrovia pode ser curioso no que recupera dentro dos momentos comprimidos pelo tempo.

Outro aspectos em evidência surge por não ter uma estrutura clara. O livro não tem índice e a cronologia não está estruturada, embora o livro se separe em Introdução, Síntese Cronológica do C.F., Cronologia Ferroviária Portugal, Nota do Autor e Bibliografia.

Neste livro, e dentro da proposta, a ausência de índice proporciona o divertimento de folhear e ir vendo as referências. Essa será talvez a parte mais curiosa na abordagem de uma cronologia, isto se a ideia não for pesquisar referências.

“Cronologia Ferroviária Portugal”

O autor, José Ribeiro da Silva, trabalhou na CP durante 41 anos. De sua autoria destacam-se a obra “Os Comboios de Portugal”, editada em 5 volumes em parceira com Manuel Ribeiro, antigo fotografo da CP.

Trata-se de uma edição de autor de 400 exemplares. O conteúdo do livro, com 264 páginas, apresenta referências às inaugurações dos troços da via-férrea portuguesa, e entradas relativas aos caminho de ferro mineiro, americano, larmanjat, funiculares, eléctricos e metros, entre outros aspectos. A cronologia termina em 2017 com a passagem da gestão da Carris para a CM de Lisboa.

Classificação 1/5