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FMNF: Receitas com vendas e serviços caem 61% em 2016

mnf_enNo total de 12 meses com o Museu Nacional Ferroviário de portas abertas a Fundação Museu Nacional Ferroviário registou uma quebra nas receitas com a vendas e serviços prestados de 61% face a 2015. A variação percentual negativa, contempla as entradas no Museu e venda de merchandising, corresponde a menos 123 259 euros de receitas arrecadadas em 2016.

Os rendimentos geridos directamente pelo Museu, de Janeiro a Dezembro de 2016, ficaram-se pelos 77 069 euros. Entradas no espaço museológico e venda de artigos tiveram uma quebra de 61% face aos 200 328 euros amealhado em 2015.

Depois da reabertura, a 19 de Maio de 2015 e nos seis meses seguintes, a FMNF vendeu 5204 euros em merchandising e registou 195 124 euros em entradas.

A venda produtos subiu para os 9 271 euros em 2016. Só que a variação positiva não serviu para compensar a quebra nas receitas com as entradas no espaço museológico. No ano transacto a verba obtida com bilhetes caiu 65% para os 67 798 euros.

Valores que quando casados com o número de visitantes acabam por não combinar com a entradas no Museu. Entre Maio e Dezembro de 2015 passaram pelo Museu 13 727 pessoas, contra as 23 835 de Janeiro a Dezembro ano passado. Mais 10 mil visitantes num ano completo mas menos 127 326 euros registados em entradas.

Os números mostram ainda um outro dado relevante. Em 12 meses aberto, como ocorreu no ano transacto, o Museu não conseguiu dobrar o número de visitantes dos primeiros seis meses do ano de reabertura.

Receitas com produtos, Entradas e Visitantes

Rubricas que acabam por ser mais significativas que o balanço positivo da entidade. Se o equilíbrio das contas entre a soma do activo é igual ao passivo e situação líquida – no caso da FMNF a harmonia encontra-se no valor que o Estado atribuiu ao valor cultural que a instituição tem para a justificar na sociedade – a falta de visitantes, e as fracas receitas com as entradas, pode questionar o interesse da continuidade do Museu e da Fundação.

Confrontado com os números de receitas e visitas um gestor habituado a interpretar as contas de empresa adianta: “Se não há visitantes deixa de existir razão para a existência do Museu”.

No entanto a vontade de alargar o número de visitantes e a rentabilização de activos fazem parte das prioridade da FMNF. A instituição, revela o Relatório e Contas, contratou promoção e captação de publico para o Museu.

Em 2016 a FMNF rubricou com a empresa T&M - Trajectórias e Melodias a elaboração de um Plano Estratégico de Marketing para o MNF. O acordo incluiu também a exploração do comboio Presidencial.

A empresa resulta da equipa que produziu o Vila Joya no ano passado. Trata-se, adianta o Relatório e Contas de 2016, de um “protocolo que viabiliza e compatibiliza as duas iniciativas”. A empresa assegura a promoção do Museu e a exploração do comboio Presidencial.

Solicitados esclarecimentos à FMNF sobre a rubrica do contrato com a T&M – Trajectórias e Melodias, o contributo do Vila Joya para os estatutos da FMNF em 2016, e a constituição dos 328 mil euros em “outros rendimentos. Até à publicação deste artigo não houve resposta.

Não se sabe, por exemplo, a duração do contrato ou objectivos alavancados com o comboio Presidencial, mas sabe-se que além das receitas com “vendas e serviços”, e apoio dos Fundadores, o Técnico Oficial de Contas refere: “sustentabilidade económica e financeira do Museu” não está assegurada e que se encontra por definir.

De resto, as questões que seguiram para FMNF, seguiram também para o Técnico Oficial de Contas. A webrails.tv procurou saber onde, no Relatório e Contas, procurar a verba arrecadada pela FMNF com o Vila Joya, e como se forma o quadro “outros rendimentos”.

Sobre a contribuição financeira do Vila Joya a RLGM & Associados – Sociedade de Revisores e Oficiais de Contas, respondeu:

“Mais que quantificar a contribuição financeira do Vila Joya importa realçar o contributo que a associação à marca Vila Joya por certo trás à divulgação do Museu”, mas que a webrails.tv apurou, valor que as administrações julgam de não pertinente divulgação.

“No que se refere à rubrica “outros rendimentos” a esmagadora maioria respeita à contabilização dos subsídios ao investimento que compensam as amortizações dos bens a que estão associados – 258,5 milhares de euros”.

Nos 10 dias de Vila Joya a proposta de “experiência” rondou, estima a webrails.tv, uma valor que deve superar os 200 mil euros brutos. Uma parte desse valor é receita da FMNF, ou devia ser.

Este ano, enquanto The Presidential, sem contar com os patrocínios e experiência de 3 dias, o resultado da soma do preço do bilhetes, número de lugares disponível por passeio, e saídas, supera os 300 mil euros em 10 dias. O bilhete custou 500 euros, o comboio disponibiliza 60 lugares, realizaram-se 5+5 viagens.

Em aberto fica para saber quanto é que o The Presidencial vai valorizar a missão da FMNF e sustentabilidade, e se a sustentabilidade da instituição passa pela mobilidade de parte do seu acervo.