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“Meu Pai Foi Ferroviário” apresentado no Entroncamento

A cidade do Entroncamento acolheu na sexta-feira 9 de Junho o lançamento do nono livro da série brasileira “Meu Pai Foi Ferroviário”. A apresentação da edição portuguesa teve como palco a Sala do Comboio Real, Museu Nacional Ferroviário, e evidenciou histórias de ferroviários do Entroncamento.

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No programa de dia 9 de Junho a apresentação marcou a parte da tarde a partir das 17h30. No entanto a agenda do dia contemplou várias actividades. A visita ao Museu Nacional Ferroviário foi uma delas.


Na parte da manhã a comitiva foi ainda pelo presidente da CM do Entroncamento, e pela associação Amigos do Museu Ferroviário Nacional Ferroviário.

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No total o livro compilou 22 histórias com base em antigos ferroviários do Entroncamento contadas pelos filhos. As entrevistas, e transcrições, estiveram a cargo de Daniela Carmona, Jorge Trigo coordenou a edição.

A recolha dos registos, explicou a arquivista Daniela Carmona na apresentação, deu-se junto de colegas de trabalho e amigos, inclusive do pai, numa operação contra-relógio de três semana.

Um dado curioso revelado na apresentação, e que pode ser encontrado no livro, remete para a origem dos ferroviários retratados no livro. “Abrantes, Alter do Chão, Arraiolos, Castelo Branco, Covilhã, Elvas, Fundão, Gavião, Ponte Sôr, … “, lugares associados ao ramos da linha do Leste e Beira Baixa do Entroncamento ferroviário. Regiões do Alentejo e Beira Baixa. As categorias, ou funções, não se ficaram só pelas oficinas e espaço da estação. Apanharam o comboio na locomotiva junto com maquinistas ou fogueiros.

Foi de Jorge Trigo outro aspecto com interesse levando no decorrer da sessão. O vice presidente do Clube de Entusiastas dos Caminhos de Ferro, lançou o desafio de geminação das cidades de Jundiaí e Entroncamento, e entre os Museus ferroviários também.

Jundiaí, um município do estado de São Paulo, no Brasil.

A semente foi lançada numa breve apresentação que fez, já depois de enquadrar a publicação, onde localizou a cidade no Brasil, e deu a conhecer aspectos pitorescos através de algumas imagens do Museu ferroviário da cidade Brasileira.

O Márcio Materlli, foi outro dos intervenientes. O editor da In House, editora que publica a série “Meu Pai Foi Ferroviário”, explicou que este projecto de recolha e publicação de memórias de antigos ferroviários de “estrada de ferro” brasileira remonta a 2006.

O entusiasta  Eusébio Pereira dos Santos, presidente da Associação Preservação da Memória da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, acedeu o rastilho e deste então não mais parou. Com a edição dedicada aos ferroviários portugueses a série alcança o novo volume.

Maria Poitout, da Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário (AMF), reforçou a ideia de que é necessário preservar o presente para se ter no futuro. Nas palavras que levou à audiência deu como exemplo o comboio Real presente na sala, e focou a dimensão que lhe está afecta enquanto objecto com movimento. Além dos monarcas que transportou, para andar a composição necessitou de maquinista, fogueiro, e manutenção. Enredo que já se perdeu por não haverem registos, disse.

“Sabemos como as memórias são frágeis, porque se vão perdendo ou esbatendo pelo caminho. Por vezes perdem-se na geração seguinte, ou duas gerações após”, disse.

A AMF, e os seus associados, participaram activamente no obra, quer na cedência de imagens ou através da partilha da história na primeira pessoa de alguns dos seus associados.

FMNF

No alinhamento da apresentação evidenciou-se ainda as intervenções da Fundação Museu Nacional Ferroviário, e município do Entroncamento. Da parte da entidade que gere o Museu Nacional Ferroviário falou Carla Silvério.

A técnica adiantou que o MNF deverá apresentar novidades no campo do património imaterial no inicio de 2018. Dentro desse quadro estão o projecto “Entroncamento de Histórias”, e a reabertura do núcleo de Bragança do MNF.

O primeiro, disse, está suspenso e encontra-se em reavaliação. O projecto iniciado em 2012 recolheu, junto de antigos ferroviários, cerca de 12 depoimentos em suporte digital. No inicio de 2018 deverá haver novidades.

“Contamos com o apoio de Ana Cardoso, membro do conselho de fundadores da Fundação em representação do ministério da Ciência e Tecnologia, para que nos possa dar uma orientação e aval para que este trabalho seja feito em moldes mais científicos”, adiantou.

A ideia será o MNF ter um acervo que possa ser reutilizado como fonte para novos trabalhos, obras literárias, ou para instalação em contexto museológico.

Sobre a reactivação do núcleo de Bragança referiu que o MNF conta com o apoio da equipa do MIT Portugal e da Universidade do Minho associada ao projecto Foz Tua, para reabrir o núcleo.

O trabalho de recolha de memórias da linha do Tua será utilizado na instalação, e está em fase avançada, explicou.

O chefe de gabinete da C.M.E., Mário Balsa, fechou a sessão de apresentação do livro “Meu Pai Foi Ferroviário”. Também filho de ferroviário, embora não tenha escrito para a presente edição, reconhece à publicação memória e significado. Lembrou as ausências, dentro de um espírito de sacrifício para dar um vida melhor à família, “das muitas noites que o meu pai não esteve connosco”.

Nas palavras que deixou referiu-se ainda ao repto lançado por Jorge Trigo no inicio da sessão. Pediu para não se deixar morrer a ideia de desenvolver a geminação entre as cidades e museus.

Terminadas as intervenções seguiu-se a sessão de autógrafos.