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Mais material CP para sucata no Entroncamento

Numa altura em que o Museu Nacional Ferroviário movimenta material, o novo Conselho de Administração CP ainda não entrou oficialmente em funções, ocorre um abate de carruagens e automotoras da CP Comboios de Portugal no Entroncamento para sucata.

O processo iniciou-se esta segunda-feira nas traseiras do parque oficinal da EMEF no Entroncamento. Trata-se de material imobilizado, parte dele já não anda há muito tempo, composto por carruagens Sorefame e cama, unidades de automotoras UTD e automotoras UTE. Ao todo o lote comporta 50 peças.

No entanto não fosse a reserva com que o abate ocorre e o momento do sector, tudo seria normal. A história desde si encerra já dois caminhos densos.

Um pelo lado da Fundação Museu Nacional Ferroviário. A instituição colocou uma peça do seu acervo para sucata nesse lote, e não se lembrou de enquadrar essa opção publicamente, e não o quis fazer depois.

A opção entende-se. A FMNF não tem no actual quadro de pessoal quem articule ferrovia. Por outro lado houve uma nomeação de director para o Museu mas que serve apenas para fazer figuração na candidatura do MNF à Rede Portuguesa de Museus.

O reconhecimento recente pela APOM, ou o roteiro pelos espaços museológicos da FMNF de técnicos da Fundação e quadros da Direção-Geral do Património Cultural, mostram que o caminho está a ser feito. Menos bom para o Museu é existir um cargo de responsabilidade usado como meio para atingir um fim.

A parte de articular ferrovia remete para conseguir dar dimensão ao acervo. Quando o arquivo comporta uma pessoa entende-se que não existe pesquisa, logo as peças dificilmente  poderão ter profundidade. Depois se o director é figurante não sobra quem aponte caminhos e valorize acervo para potenciar a missão da FMNF.

No caso do abate, no lote, consta a UTE 2001. A automotora, construída nas antigas oficinas da Sorefame, representa várias áreas num contexto museológico de um acervo, mas como a instituição não tem capacidade de pesquisa, não estimula investigação, e a direcção se presta a figuração a peça apresenta-se plana.

Curiosa é também a oportunidade das movimentações. No dia em que o abate da CP tem inicio é também o dia em que a FMNF dá inicio a movimentações de material. Recolhe de Santarém a locomotiva mineira do “Pejão” para o espaço do Museu no Entroncamento, e remete a E 103 para o concelho Vouzela.

Ao ar livre e em pedestal a locomotiva deverá ajudar o estudo, conservação e valorização do património histórico, cultural e tecnológico ferroviário nacional.

O outro caminho encaixa na conjuntura e também se apresenta denso, e remete para o processo de abate no contexto da CP.  O encaixe de material para sucata acontece num altura em que a CP está oficialmente sem Conselho de Administração.

Depois do anuncio da nomeação de novo CA, primeiro através de nota de imprensa, depois de anúncio em Conselho de Ministros, o Acto ainda não foi publicado em Diário da República. Sobre o anúncio em Diário da Republica a webrails.tv apurou que ainda não há data para a publicação.

Artigo completo encontra-se disponível para subscritores.

A reserva da CP colocada na alienação para sucata surge como outro ponto em evidência no processo. Primeiro, logo em 2016, depois de ter havido um vencedor, o lote a concurso acabou por ser anulado sem se saber porquê.

Este ano o lote, mais peças de compensação, voltou a estar disponível mas só por convite. A CP convidou sucateiros a visitarem o lote no Entroncamento e a apresentar propostas.

Segundo nos foi avançado por um ferroviário, não foi necessário publicitar novo processo de venda porque o anterior não ficou fechado. No entanto a não divulgação publica, excluindo potenciais interessados, deixa em aberto se o processo não favoreceu só quem foi convidado.

Fazem parte do lote de material para sucata, no desmantelamento que se iniciou na segunda-feira, carruagens Sorefame, unidades automotoras UTE e automotoras eléctricas UTE, onde se inclui a UTE 2001.