free web
stats

Novo material só em sintonia com a evolução da infraestrutura

locomdels_proto_01A aquisição de novo material circulante para a CP está a ser estudada com empresa e está condicionada à renovação da infraestrutura ferroviária, avança Pedro Marques.

Na intervenção que encerrou o XIII Congresso da ADFERSIT o ministro do Planeamento e Infraestruturas adiantou que a chegada de novo material circulante à CP Comboios de Portugal ” tem de ser consecutiva à electrificação das linhas, pelo que estamos a prepará-la atendendo ao calendário das intervenções”.

Um exercício que segundo o governante tem sido feito com o operador: “Estamos, juntamente com a CP, a elaborar um plano de investimento em material circulante, para que à renovação de linhas se suceda a chegada de novo material circulante, que necessariamente terá características diferentes, tanto de conforto como ao nível da tracção”.

A integração na rede ibérica e europeia também mereceu atenção na intervenção de Pedro Marques.

“Naturalmente, minhas Senhoras e meus Senhores, o desenvolvimento do sistema ferroviário português não pode ser feito de forma isolada, sem o perspectivarmos na rede ibérica e na integração europeia”, disse ao virar o tema.

Referiu Pedro Marques que existem compromissos para as lacunas de interoperabilidade -  electrificação, comprimento máximo dos comboios, sinalização ou a bitola – entre as redes portuguesa e espanhola e entre estas e a rede europeia:

No contexto apontou para o corredor norte que o Governo espanhol assumiu “o compromisso de conclusão em 2019 da electrificação da linha entre Salamanca e a fronteira de Vilar Formoso / Fuentes de Oñoro, concretizando, finalmente, uma pretensão portuguesa com décadas”.

Assumido foi também entre os dois Executivos “o compromisso de conclusão em 2020 da electrificação da linha Plasencia / Badajoz”.

Em cima da mesa está ainda o “compromisso de electrificação do troço Tui / Guillarei em simultâneo com a electrificação da Linha do Minho, já em curso do lado português e com conclusão programada para 2019″.

Posições, sublinhou, concertadas e assumidas em cimeira e encontros ibéricos.

Portugal e Espanha possuem igualmente estratégias coordenadas e acções concertadas no que toca à bitola.

Intervenção de Pedro Marques:

É por demais evidente que não podemos assistir à introdução da bitola europeia do lado espanhol sem nada fazermos do lado português. Como também é evidente que não devemos dotar os nossos corredores internacionais de bitola europeia sem que o mesmo aconteça do outro lado da fronteira.

O que verdadeiramente  importa é garantir perfeita sincronia neste designo da bitola que deve ser entendido como ibérico.

Acima de tudo, é necessário não perder de vista que a ambição da interoperabilidade europeia passa por garantir em primeiro lugar a intra-operabilidade ibérica.

Em Espanha, no que diz respeito ao tráfego de mercadorias, a estratégia passa pela introdução progressiva da bitola europeia ao longo dos corredores europeus e começando pelo nordeste peninsular, a partir da fronteira com França.

No Corredor Atlântico, que é o que abrange Portugal, a bitola europeia ainda não entrou em território espanhol, estando em construção o primeiro troço até Vitoria, com cerca de 100 km, integrado no que é designado pelo projecto do Y Basco.

Resumindo, nem ilha em bitola europeia, nem ilha em bitola ibérica. A concordância de acção definida na Cimeira Ibérica é a única solução adequada.

No demais, o que está já a ser feito é rigorosamente o mesmo em Portugal e em Espanha e passa por realizar todos os investimentos, sejam em novas linhas ou em modernizações de linhas existentes, contemplando a preparação das infraestruturas para a migração de bitola.

O que está a ser feito e a abordagem assumida tem bem presente que é necessário desenhar muito bem tanto a solução de futuro como as múltiplas fases intermédias para lá chegar.

Como é igualmente necessário incorporar nas soluções finais e intermédias a inovação e desenvolvimentos do lado do material circulante, como seja a tecnologia de comboios de bitola variável, e olhar para tendências e soluções encontradas noutras geografias em idênticas circunstâncias.

Integração Europeia

No plano europeu, os projectos de desenvolvimento da rede ferroviária nacional têm vindo a ser acompanhados e apoiados pela Comissão Europeia.

Esse apoio é fruto de os projectos nacionais concorrerem para objectivos estratégicos comuns e por preencherem todos os requisitos técnicos necessários, designadamente em termos de interoperabilidade.

Permitam-me aqui que destaque o facto da linha Évora / Elvas estar assinalado nos documentos oficiais da Comissão Europeia como o principal missing link e o projecto mais prioritário do corredor europeu onde se insere.

O apoio europeu é traduzido na atribuição de fundos para a realização da maior parte dos investimentos previstos no plano Ferrovia 2020.
A este respeito é importante sublinhar os resultados históricos alcançados nas últimas candidaturas aos fundos do CEF (Mecanismo Interligar Europa) e que permitiram a Portugal esgotar a verba alocada no âmbito deste instrumento.

Ao todo, entre fundos estruturais e CEF, são perto de 1200 M€ de fundos europeus já obtidos para apoio ao plano de investimentos Ferrovia 2020″.

O XIII Congresso da ADFERSIT decorreu nos dias 13 e 14 de Setembro na Gulbenkian em Lisboa. O mote para os dois dias de trabalhos assentou nos “Desafios das novas gerações de transportes.