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FMNF canibaliza acervo para colocar o Presidencial a rolar

Sérgio Batista/ Comboio Presidencial

Sérgio Batista/ Comboio Presidencial

A Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF) retira rodados de carruagens B-600 para colocar no Comboio Presidencial. Circula no meio ferroviário que a composição presidencial necessita de rodados novos mas a entidade não tem verba e como o material é compatível recorre ao acervo.

Em Agosto, no Entroncamento, a Instituição manobrou duas carruagens B-600, uma de primeira e outra de segunda classe, para a zona da EMEF.

Sobre essa movimentação, peças do acervo do Museu Nacional Ferroviário, foi avançado à webrails.tv pelo sector que a colocação nessa zona serviu para se retirar os rodados.

Técnicos EMEF do Porto, da equipa que faz a manutenção do Comboio Presidencial antes de cada saída comercial em Contumil, deslocaram-se de propósito ao Entroncamento para desmontaram os rodados, explicaram. Seguindo depois para o Presidencial.

Foi ainda referido que para o Museu, uma vez que as carruagens se destinam a exposição estática, é indiferente se os rodados estão gastos ou não.

Acrescentar que as carruagens B-600 foram entregues ao museu totalmente reparadas e em estado original, e de funcionamento.

Sobre a iniciativa, no inicio de Setembro a Fundação Museu Nacional Ferroviário foi contactada pela webrails.tv por causa das B-600, e procurou saber o porquê da movimentação e intenção reservada ao material, mas não obteve qualquer resposta.

Neste cenário, através de fonte do sector, ficou confirmado que uma das carruagens tem os bogies em cima de zorras.

No entanto, e confirmando-se a gestão do acervo, questiona-se como é que a Fundação Museu Nacional Ferroviário pode desvalorizar património quando se desconhece qual o retorno que essas cedências significam. Para a sociedade que o Museu serve, como fundamento da missão da FMNF.

Situações como a que criou a ilha ferroviária da Macinhata, o desmantelamento da via algaliada da Régua, a gestão do processo de abate da UTE 2001, alertam para a falta de posição face ao Património. Mais grave no caso dessas cedências é não saber se foi, ou se foi, exigido algo em troca, pelo desvalorizar do património.

No caso do Presidencial não se sabe qual o retorno para a tesouraria e para a missão da instituição, a cedência do equipamento para uso comercial. Mas confirmando-se o desvalorizar de património para a composição deveria saber-se se vem algo em troca ou não.

Missão de salvarguarda que até no mais básico a Instituição parece abdicar. De acordo com o promotor do The Presidential:

“… hosting aboard guests as reputable as Her Majesty the Queen Elisabeth II …”

Se para os interesses do promotor, até para alcançar o segmento de publico que procura para o produto, a Rainha Isabel II pode ser uma activo valioso na valorização da oferta; mas será  que essa presença se confirma?

Em documentação entregue à FMNF parece que não. A webrails.tv sabe que chegou a ser entregue à responsável de projectos, Maria José Teixeira, o protocolo inglês da visita oficial que a Rainha fez a Portugal em 1957. No documento, sabemos, não consta qualquer viagem de Comboio.

Nesse sentido questiona-se: um produto assente no acervo da FMNF a Instituição não devia exigir rigor?