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CFL na linha

O Caminho de Ferro de Luanda (CFL) bem se pode gabar de ter feito a sua parte: propôs-se ressuscitar, depois que o conflito armado reduziu a infraestrutura a uma montanha de escombros e ferro velho, e conseguiu-o.

Desde 2010 que as carruagens retornaram à linha, não já, é claro, o velho caminho dos anos do começo porque esse, a guerra trucidou-o também, do mesmo modo que as estações, os armazéns, os vagões, as locomotivas. Circula-se agora desde a lendária estação do Bungo ao promissor polo produtivo de Malange, quatrocentos e vinte cinco (425) km mais à frente, passando por paisagens verdejantes de cortar a respiração.

Completam-se, em 2013, quatro anos de circulação ininterrupta, após o arranque que consagrou milhares de horas de trabalho envolvendo maioritariamente capitais e força de trabalho da China, no quadro da oportuna cooperação que ajudou Angola a ter de novo, em tempo record, estradas, pontes, hospitais e fogos habitacionais para milhares de famílias. Os números que o Conselho de Administração do CFL disponibiliza para consulta pública referem, como era suposto esperar, a história de luta correspondente aos três primeiros anos – 2010, 2011 e 2012 – até porque, a dizer verdade, 2013 está apenas no começo.

Mercadorias in crescendo

Muito interessante de se ler e interpretar o quadro da estatística principal que o Caminho de Ferro de Luanda tornou acessível extramuros, como, por exemplo, a variação no ritmo de circulação do comboio. Se em 2010 fizeram-se à linha 5.212 composições ferroviárias, no ano seguinte (2011) 5.792, e no virar do calendário (2013) surge um dado, se não inquietante, no mínimo curioso: apenas 3.940 comboios, quase 2 mil a menos.

Tem de fazer-se, é óbvio, a pergunta inevitável: porque terão circulado menos comboios em 2013, quando o expectável é que o número crescesse, atendendo até ao histórico (comparação 2010-2011)? O quadro que resume as viagens dos comboios de carga (todos os que vimos referindo até aqui são de transporte de passageiros) dá a resposta: 126 em 2010; 18 em 2011; e 669 no ano de 2012. Os interesses, em grande medida, terão emigrado para o segmento de carga, onde a tonelagem confirma isso mesmo, de resto: 12.440 toneladas transportadas no 1º ano (2010); 6.066 no ano intermédio (2011) e colossais 44.659 T no ano de 2012.

Mais emprego

A história de recuperação e vitalidade do CFL conta-se também pelo número de cidadãos que no seio da empresa conseguiram o ganha-pão. Se em 2010 o Caminho de Ferro de Luanda tinha 690 funcionários, no ano a seguir cresceu para 884 e em 2012 fixou a quantidade em 911. Quase duplicou os recursos humanos, da fase de arranque até ao período de fecho da estatística (Dezembro de 2012).

Luís Fernando