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Olhar de um Passageiro – Évora

evora 01Dia 25 de Junho, são sete horas da manhã. Pouco ou nada dormi para não adormecer e faltar a viagem que hoje vou realizar, desta feita, com ida e volta no próprio dia. Faz oito anos, um mês e três dias que tinha visitado esta cidade, e claro, não poderia ser de outra forma sem ser o comboio.

Muita coisa mudou desde a ultima vez. O comboio tornou-se mais rápido, os horários mudaram as suas horas de partida e principalmente, perdeu-se o diesel nesta linha. As saudades que tenho de ver e ouvir as barulhentas das 1930 com os alentejanos.

A hora de partida de hoje: 9h52. Intercidades formado pela 5603 e três carruagens Sorefame renovadas. Uns metros atrás estava o Intercidades para Faro, que parte exatamente dez minutos depois. Hoje encabeçado pela 5602 e com oito carruagens. Partimos já com uns minutos de atraso, dado termos ficado a espera do Intercidades que chega ao mesmo minutos e procede do Porto.

Não faço planos de me sentar em toda a viagem. Aquando da compra dos bilhetes, pedi os lugares mais atrás da composição para conseguir ir na cauda a fotografar a viagem toda. E, claro, ver todas as estações na qual o comboio iria parar até Évora.

Entrecampos e Sete rios são daquelas da qual eu convivo de mais perto e já as conheço bem. Passar a ponte é sempre aquele momento único, que nunca varia, a vista sobre Lisboa e Belém é espetacular. Pragal e cruzamento com o IC Évora-Lisboa. Varias estações, concessionadas à Fertagus, ficaram para trás,  e num instante estávamos no Pinhal Novo, à Tabela.

Entramos agora numa nova parte da via. Daqui em diante, até Évora, o comboio atinge a sua velocidade máxima de 200 km/h. Apesar deste Intercidades parar em quase todos os apeadeiros alentejanos até Évora. Poceirão é o primeiro.Uma estação deserta de passageiros, onde a paragem demora segundos. Fernando Pó foi o seguinte. O comboio nem cabe na plataforma. Fica uma carruagem e meia na plataforma. Pelo menos três pessoas deixaram o comboio nesta estação.

Pegões e São João das Craveiras, estações pequenas e sem movimento de passageiros. Uma perda de tempo. Vendas Novas. Finalmente uma estação mais a sério, onde daqui para a frente o comboio vai mostrar o que vale.

Sempre a andar chegamos a Casa Branca. Uma estação renovada, da qual lhe adaptaram seis vias onde apenas se cruzam dois comboios. Muito dinheiro investido aqui para nada. Na linha 3 aguarda o fingido IC que liga a Beja. Uma automotora de serviço Regional que anda apenas a fazer piscinas para safar o serviço e as pessoas não perderem o comboio nestas cidades.

Outro investimento sem sentido foi a alteração de duas unidades da série 0450 para o serviço Intercidades desta linha. No entanto, na maior parte dos dias circulam pela linha do oeste, em vez de praticarem o serviço que lhes foi definido.

evora 02Caso houvesse mais material circulante rebocável seria uma boa ideia recolocar as locomotivas 1930 com 3 carruagens Sorefame ou mesmo até esticar o serviço a Lisboa, mesmo que mais demorado. Quanto às unidades regional, seria interessante regressar numa primeira fase o serviço Regional entre Évora e Beja, e quem sabe, um dia mais tarde, as ligações há Funcheira. De modo a permitir ligações entre o Alentejo e o Algarve…

Quase sem o ver, o Tojal e o Monte das Flores fica para trás e em dez minutos chegamos a Évora. Por momentos, a estação esteve com algum fluxo de pessoas que saiam do comboio ou até mesmo estavam a espera de familiares para os levar aos seus destinos. Chegou a hora de usar os ténis e subir Évora.

No Rossio de Évora decorria a feira de São João, com muito artesanato mas também comes e bebes e diversão para a malta mais jovem.

A primeira paragem do dia, a Praça do Giraldo. Sempre muito bonita na sua típica característica calma e tranquilidade alentejana. Nesta altura, sente-se muito calor na rua, como era de esperar aqui no coração do Alentejo, numa época de tempo quente.

evora 03Antes do almoço nada melhor do que visitar o já famoso Templo de Diana. Não era uma novidade para mim, mas é sempre bonito de se ver uma segunda vez. Logo ao lado fica a Sé de Évora. Ainda não foi desta que a visitei, é daqueles locais que temos de pagar para ver e na minha opinião, acho que é uma medida ridícula para os portugueses. Assim aqueles com menos possibilidades deixam de entrar nestes locais. Bem, é hora de almoço.

Que belas sopas de cação que eu decidi comer com um belo bolo da bolacha e café a rematar. Agora temos de ir andar pela cidade para desmoer todo este almoço. Como fiz da ultima vez da parte da tarde. Corri grande parte das ruas e vim parar a Igreja de São Francisco e Capela do Ossos. Muito diferente de como a encontrei a oito anos atrás. Muito mais moderna e com uma exposição nova. Mais uma vez, paga-se a entrada.

evora 04Quase uma hora se perdeu aqui, e agora partimos até ao parque e jardim da cidade, junto a praça de touros. Um bonito jardim, no qual é possível passar um bom tempo, quer seja a comer um gelado no verão, ou entreter um criança no grande parque infantil. Até eu, por momentos, brinquei…

O fim do dia aproxima-se e estava na hora de começar a regressar à estação. Apesar de ainda ser cedo, queria lá chegar antes do comboio vindo de Lisboa.

evora 05Na estação ainda havia pouca gente e o comboio também não trazia grande número de pessoas. Maquina invertida, e comboio pronto para o regresso a Lisboa.

A viagem estava a correr rapidamente como todas as outras e num instante chegamos a Casa Branca e Vendas Novas. Como o comboio agora não parava nos apeadeiros, foi num ápice que alcançamos o Pinhal Novo.

Nada de novo e claramente, mais uma tabela se cumpria com a chegada a Lisboa Oriente. Agora era agarrar no carro e rumar a casa para um belo jantar tomar.

Com o final de mais uma viagem, deixei uma foto nas redes sociais de qual seria o próximo destino. Desta vez com fumo negro!