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Maquete modular em H0e – Ambiente alemão, época III

Por Ricardo Moreira

O início do projecto

Este projecto nasceu de uma ideia conjunta com o Marcos Conceição de se construir um conjunto de módulos Maquetren, nos quais haveria uma pequena “rede” de via estreita, que serviria de complemento à via larga.

Várias vicissitudes acabaram por fazer cair a ideia dos tais módulos Maquetren, mas o desenho que eu já havia feito para a parte da via estreita desses módulos acabou por ser a base desta maquete modular, com pequeníssimas alterações, quase todas elas resultantes do espaço entretanto ganho à custa do “desaparecimento” da via larga.

O desenho da maquete

Tal como referido anteriormente, o desenho original contemplava uma via larga (seria um troço de via única, em plena via, sem qualquer estação ou apeadeiro), a qual passaria do lado “sul” do módulo – a parte da frente, a que fica junto dos espectadores. Entre essa linha e o fundo dos módulos, ficaria a via estreita com a sua estação num dos módulos e a plena via, com um pequeno ramal particular, no outro (Fig. 1).

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Fig. 1

Com a opção de tornar esta maquete exclusivamente dedicada à via estreita, o desenho evoluiu, tendo aproveitado a retirada da via larga para afastar a via estreita do fundo dos módulos, ganhado assim algum espaço para os edifícios, e ainda permitiu “desafogar” a parte da frente da estação, onde irão ficar uma via para a cocheira e uma outra para estacionamento de material ou, se necessário, para carga e descarga de vagões.

Também o módulo de plena via “ganhou” com esta opção, passando a ser menos linear – anteriormente já tinha algumas curvas, mas visualmente eram bastante “feias”, já que o espaço não dava para muito mais – e o tal ramal particular acabou por ser “virado ao contrário”, sendo agora servido pelos comboios que vêm da estação e não pelos que a ela se dirigem (Fig. 2).

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Fig.2

A construção

A construção não apresenta nada de muito inovador: são 3 módulos, 2 deles com as medidas “clássicas” dos módulos Maquetren, com 92×40 cm e um terceiro, mais curto, com 80×40 cm, o qual constitui a gare-fantasma ou, como eu gosto de chamar, “o resto do Mundo”. Os materiais usados foram o contraplacado de 10 mm e a madeira de pinho.

A via assenta em corticite de 4 mm, excepto nas vias de acesso à cocheira e do ramal particular, onde a corticite foi desbastada até que o final da via assenta directamente na placa de contraplacado.

Em termos eléctricos, existem 3 circuitos independentes, um para a alimentação da via, outro para os motores das agulhas e um terceiro para a iluminação e demais acessórios de cenário que possam vir a ser usados.

A operação

Apesar do pequeno tamanho da maquete, o desenho das vias oferece um grande potencial de operação, facto comprovado na LOCOMODELS_EXPO 2017. Mesmo com problemas eléctricos e sem poder usar as linhas de acesso à cocheira, devido a uma agulha partida (fruto das pressas com que construí tudo isto – apenas 15 dias), houve momentos em que gastei perto de 10 minutos em manobras na estação, entre a entrada do comboio, a largada dos vagões e a preparação da composição que iria sair.

O facto de ter um ramal em plena via que apenas pode ser acedido com a locomotiva virada para o lado da gare-fantasma, também oferece mais um aliciante, já que qualquer vagão que tenha por destino esse ramal, terá sempre que ir até à estação, onde, após as manobras, terá que ficar obrigatoriamente imediatamente a seguir à locomotiva – o que implica mais algum planeamento e algumas manobras. Quando todas as vias estiverem operacionais, poderei tornar estas manobras ainda mais aliciantes, ao acrescentar a regra de que os vagões para esse ramal só podem ser encaminhados até lá em comboios de mercadorias puros, não podendo ser rebocados em comboios mistos, por exemplo.

O futuro

Quem viu a maquete na LOCOMODELS_EXPO 2017 sabe que a mesma não está terminada.
Por isso, o futuro passa por:

• Corrigir os problemas eléctricos e mecânicos (centrar melhor os motores das agulhas, substituir a agulha partida) existentes;
• Aumentar o comprimento da linha de saco de acesso à cocheira;
• “Fechar” a gare-fantasma;
• Terminar a via: colocação das travessas em falta, weathering da via, balastro;
• Construção de edifícios e restante cenário;
• Mais algumas surpresas que não vou revelar…

O cenário será em ambiente alemão, tal como referido no subtítulo, no período do final dos anos 1940 até ao início dos anos 1950. A razão dessa escolha deve-se única e exclusivamente ao tipo de material que possuo, todo ele alemão e dessa mesma época, havendo alguns veículos ainda com a pintura da DRG (época II, entre as duas guerras) e outros já com inscrições da época III (após a II G.G.M.). Como os veículos não foram todos pintados com as novas inscrições no mesmo dia, é perfeitamente plausível a coexistência dos dois tipos de inscrições na época representada.

Fica assim feita uma apresentação sucinta do meu novo projecto em H0e, o qual, espero eu, venha a ser do agrado de quem o veja quando estiver terminado. Para já, e na forma muito “em bruto” em que se apresenta actualmente, já teve uma grande receptividade por parte do público da LOCOMODELS_EXPO 2017.

(TEXTO ESCRITO EM PORTUGUÊS, SEM RECURSO AO AO 1990.)