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Olhar de um Passageiro Comboio Histórico 2

Calor! Nem há sombra se consegue estar! O calor estava insuportável, o que tornou o passeio mais chato para muitos dos participantes do percurso, levando a que os mesmos nem aproveitassem a paragem na bela e histórica estação do Tua. Com a locomotiva invertida, está tudo pronto para regressar. Deixamos o Tua com os mesmos 30 minutos de atraso.

Curva e contracurva ai vamos nós. Para mim esta será sempre a melhor parte da linha do douro. Aquela que agarra qualquer um à parede. Aquela que vale a pena, neste comboio, tirar o máximo de fotos. Quase todas as curvas descrevem uma paisagem única, inigualável em qualquer outra parte do pais …

Como marcado, paragem no Pinhão! Com o a atraso a rondar a meia hora seguimos para a Régua. No caminho e após a passagem de um dos túneis, o comboio trava a fundo, deixando alguns passageiros em sobressalto. Segundos após a paragem, começamos a recuar na linha. Algo incompreensível. Tal não foi para meu espanto, aquando da nova paragem, que um dos maquinistas do comboio, parou e recuou o comboio para recuperar o seu chapéu que havia voado com a deslocação do vento.

Mas as más noticias não ficam por aqui … Voltamos a parar no meio do vale durante uns minutos. Com a brusca travagem, um dos freios do comboio ficou colado há roda, impossibilitando a progressão do comboio. Mais uns minutos parados e os maquinistas resolviam o problema em questão com vários pontapés aos rodados da ultima carruagem.

Quando voltamos à marcha, todos pensávamos que seguiríamos até à Régua, no entanto, o cenário foi diferente. Voltamos a parar novamente, desta vez na estação do Ferrão, onde se voltou a tratar novamente do problema do comboio. Com isto tudo seguíamos com mais ou menos uma hora de atraso …

Ao longe já se avista a estação. Eram 19:39 quando terminou a jornada a vapor. Deveríamos ter chegado as 18:32. Mais de uma hora de atraso.

Rapidamente o comboio ficou vazio com uma multidão de pessoas concentra-se no cais da linha 3 à espera da ligação ao Porto. Uma tripla de 592, ou os chamados camelos na gíria ferroviária, entrou na estação. Tal não é o caos quando se abrem as portas. Entre empurrões e encontrões lá entramos dentro do comboio. Por mera sorte, encontramos lugar e rapidamente nos sentamos. Eram quase 20 horas, quando a hora prevista de partida do comboio era às 18h48.

O sol preparava-se para mais um dia de descanso, e a linha do Douro ia ficando para trás. A aventura do comboio histórico estava praticamente concluída. Sob uma imagem de marca que não era nada favorável há CP, atrasos!!

No entanto, há que falar – principalmente – dos pontos positivos. Para mim, o vapor é o melhor comboio que a CP tem em exploração em toda a sua rede.

A história que ele carrega, o produto turístico, a locomotiva que não rival no noso pais e, por fim, a paisagem única que  se nos apresenta. Condimentos que tornam este serviço incomparável e com vontade de ser repetir vezes sem conta.

Na minha sincera opinião, acho que podia sofrer alguma alterações. Como, por exemplo, a viagem de ida ser de manhã, mais ou menos 11h00. A paragem no Pinhão envolver uma degustação de vinhos da região. Seguir até à atual estão términos, palco para um almoço típico.

No Pocinho uma breve visita ao estado degradante a que chegou o material da linha do sabor. No regresso, perto das 16h00, a primeira paragem seria no Tua, e por fim regresso à Régua.

Para finalizar,uma ligação Porto São Bento – Régua – Porto São Bento em comboio especial especial de máquina e carruagem. Sendo utilizadas algumas carruagens antigas, como as sorefame ou as shindler …

21h40 foi quando chegamos à estação de Porto Campanhã. Saltou-se então para a  linha 9. Na linha do lado o Alfa das 20:47 esperava. O comboio era a ligação para sul para os passageiros que vinham com mais de uma hora de atraso, do Douro.

Restou-me completar o resto da viagem até Porto São Bento. Descer à ribeira. Jantar e descansar. O dia seguinte era o ultimo dia em terras da invicta e o dia será aproveitado para passear até há praia de Espinho e falar um pouco do serviço urbano da CP Porto.

Após uma noite bem dormida, apresentou-se a hora de regressar aos carris. Desta vez, antes do regresso a Lisboa, fomos a Espinho.

Devo considerar que existem algumas coisas que diferem no serviço suburbano das grandes cidades portuguesas. Primeiro acho que as UME 3400 são mais modernas e confortáveis em relação ao material circulante da cidade de Lisboa. É mais utilizado por turistas e o ambiente é bastante diferente e mais calmo. A viagem a Espinho é rápida, e num instante estávamos a aproveitar a praia. O mar estava ligeiramente agitado.

Mesmo tendo a possibilidade de embarcar em Espinho rumo a Lisboa, decidi voltar ao Porto. O comboio seguiu sempre cheio até à estação de Porto São Bento.  Grande parte dos utentes, a grande maioria, era jovens. Pessoal da praia e um grupo de escuteiros.

Na linha 4, já no Porto, era anunciado o comboio Alfa – procedente de Guimarães e com destino a Lisboa Santa Apolónia. Curiosamente, calhou novamente o Alfa 4005. Seguimos na carruagem 6. Porto para trás, paragem em Gaia. Daqui em diante o comboio rolou até Espinho, Aveiro, Coimbra-B, Pombal, Entroncamento e Santarém.

Considero este Alfa um Pseudo-Intercidades. Entretanto o comboio seguia quase completo e à tabela até Lisboa Chegados a Oriente, desembarcamos.

Terminava assim mais um fim de semana e uma nova experiência. Missão Cumprida!!