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Personagens célebres do Caminho de Ferro – Georges Nagelmackers

Personalidade atraente e épica, Georges Nagelmackers parece ter saído de um romance de Júlio Verne, com o seu romantismo, a sua visão sobre o futuro, a astúcia para os negócios e de uma coragem sem limites. A sua obra prima possui a designação mítica: a Companhia Internacional de Carruagens-Cama (C.I.W.L.), que foi também, durante um período de tempo no seio dos grandes expressos ferroviários europeus, um nome inscrito em letras em latão polido, nas carruagens mais belas do Mundo.

Georges Nagelmackers nasceu em Junho de 1845, em Liège (Bélgica), no seio de uma família rica. Como ele se apaixonou pelo seu primo, os seus pais estavam em viagem num navio a vapor e à vela e dirigiam-se para as Américas, em 1867, acompanhados por um amigo da família, o Conde de Berlaymont, que tem a seu cargo vigiar o desespero amoroso do jovem Georges, tentando que este se cure observando as espectaculares belezas da natureza no Novo Mundo. Depois de dez meses, o jovem George, de 22 anos, viajou para os Estados Unidos, perseguindo os olhares das mulheres. Nagelmackers viaja em carruagens-cama Pullman, e como qualquer grande romântico certamente atormentado por sentimentos profundos, ele sabe o que fazer, apesar de tudo, no curto prazo, o seu bem-estar material, e, a longo prazo, a sua fortuna.

Carruagem Pullman 4141 (ex CIWL, em serviço para a VSOE), em Bucareste Băneasa (Roménia), a 6 de Setembro de 2003. Photo Daniel Stoica (fonte: http://forum.e-train.fr/viewtopic.php?f=5&t=19563&start=60).

Ele descobre o conforto que é dormir em carruagens-cama e de jantar em carruagens-restaurante e sonha vir a introduzir estes requintes na Europa, uma vez que, viajar em carruagens, estreitas, desconfortáveis, duras e austeras era mau. Ele tomou notas, fez esboços e publica por conta do autor do livro «Projecto de instalação de carruagens-cama nas vias ferroviárias do continente».

Este livro continha um verdadeiro tesouro: a descrição de uma invenção que fará a fortuna do seu autor. Georges Nagelmackers soube-o provar; deixando que os leitores pudessem absorver o conteúdo do livro, ele deu início à construção da sua carruagem-cama e conseguiu coloca-la a circular na linha internacional Paris – Viena, em 1872.

É o início da grande aventura da Companhia Internacional de Carruagens-Cama. Em 1997, esta companhia comemora o seu 125º aniversário, com um índice de facturação aproximadamente de 272 milhões de euros em 2001, para um efectivo de 5 mil colaboradores.

Carruagem-restaurante nº 2976, foi construída em 1927 em Itália, pela Officine Meccaniche Italiane, Reggio-Emilia; foi totalmente restaurada em 2003. Pertence ao « Orient Express». (fonte: http://www.tvnp.fr/PFF/?p=1257).

No entanto, nada foi fácil para Nagelmackers. Na Europa do seu tempo cada país vive fechado entre as suas fronteiras, existindo pouca abertura para com os seus vizinhos. Para se introduzir um serviço de comboios directos a partir de um país para outro revela-se uma utopia. Em 1883, incentivado pelo sucesso de sua fabulosa companhia, como comboio Expresso do Oriente, a CIWL lança uma vasta rede de escritórios, que não são mais que agências de viagens que servem empresários, diplomatas, e turistas.

Esta rede é o mundo em 1928 com a aquisição da famosa agência Cook. Mas como as guerras são prejudiciais e muito nefastas, especialmente a Primeira Grande Guerra Mundial, ele veio a perder muito do seu material circulante, bloqueado na Alemanha e na Rússia. Na Alemanha, no entanto, ele cria a sua própria empresa concorrente, Mitropa, e, portanto, reservando os serviços de carruagem-cama e carruagem-restaurante no seu próprio território, que é uma encruzilhada na Europa.

wagonlits_Dois cartazes publicitando os famosos comboios europeus; em Santa Apolónia, na década de 70 era possível apreciar este tipo de publicidade em molduras nas fachadas interiores e salas de espera (fonte: http://www.wagons-lits-diffusion.com/en/pages/la-compagnie-des-wagons-lits-and-the-orient-express-since-1883.html).

George Nagelmackers não foi a tempo de ver esses anos difíceis, tendo falecido em 1905. Mas ele teria gostado de ver os seus comboios, que foram célebres e famosos no mundo. Criou uma lenda inesquecível, como o Comboio Azul (África do Sul), Expresso do Norte (Europa), Expresso do Sul (Europa) o Expresso do Oriente (Veneza-Simplon), o Expresso Flecha de Ouro e muitos outros nomes se tornaram referências ferroviárias.

Pedro Zúquete