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Nacala premeia Mota-Engil

mzKimA dimensão e complexidade da modernização e construção de duas secções do corredor de Nacala, no Malawi, pela Mota-Engil foram alvo de reconhecimento internacional.

O projecto africano da construtora portuguesa recebeu o Prémio H. J. Sabbagh Award for Engineering Construction Excellence atribuído pela   World Federation of Engineering Organizations (WFEO).

No corredor de Nacala, entre 2012 e 2014, a Mota-Engil executou obras em duas secções do corredor ferroviário para a Vale. Construiu 136,3 km de novo corredor ferroviário – secção 3 – entre Mwanza e Nkaya Junction e reabilitou 100 km de via única – secção 5 – entre Nkaya e Junction, no Malawi.

A obra de execução das duas secções assentou na complexidade e dimensão. Destacou-se pela construção de via férrea nova com prazo de execução apertado numa zona isolada e de geografia difícil. Os meios humanos e técnicos envolvidos. A logística de suporte aos trabalhos de construção.

Os trabalhos da secção 3 decorrem entre 2012 e 2014. A natureza da intervenção focou-se na “Implantação de Obras Civis, de Terraplenagem, Fornecimento de Balastro e Travessas e Montagem da Superestrutura Ferroviária“.

Os trabalhos de via, na Montagem da Superestrutura Ferroviária, construíram 136,3 km de via única (principal) e 5 linhas de cruzamento, perfazendo o total 145 km de via. O troço consumiu 239 000 travessas, 200 mil m³ de balastro, o assentamento de 12 aparelhos de mudança de via, e a soldadura aluminotérmica de 19 mil unidades, adiantam dados da construtora portuguesa.

Uma das 5 crossing loops com via dupla para cruzamento de composições incluiu a construção de uma terceira via de manutenção.

O corredor ferroviário assegurou ainda a construção de 22 obras de arte, com a extensão total de 2411 m. Foram usadas estacas com Ø1200 mm pra fundações indirectas – 6645 m, 64 mil m³ de betão, 13 700 ton de aço, e  472 vigas pré-fabricadas com 20 m de comprimento.

A geografia obrigou movimentos de terras, drenagem e contencões. Escavaram-se 6 750 000 m³ de solo, dos quais 2 500 000 m³ em rocha, e 7 400 000 m³ em aterros. Drenaram-se 64 estruturas de grande dimensão totalizando 7 450 m de comprimento, colocaram-se 20 950 m  manilhas. Mais 211 000 m de pregagens e 17 000 m³ de betão na contenção.

A intervenção na secção 5, ocorreu entre 2013 e 2014, compreendeu, dados da Mota-Engil, a “reabilitação de linha de via única existente de 100 km entre Nkaya Junctione e Nayuci, no âmbito do Projeto do Corredor Ferroviário de Nacala. Os trabalhos incluíram a infraestrutura – novas linhas de cruzamento e derivação, reabilitação de pontes de betão e aço, a reabilitação e construção de novos órgão de drenagem e nova superestrutura de via incluindo fornecimento de balastro e travessas. Existem 6 linhas de cruzamento e contornamento de estações o que vai perfazer um total de 111,697 km de linha férrea”.

Sobre a dimensão e complexidade da obra adianta João Neto, um dos agraciados com o prémio, na revista Sinergia:

“Os dois principais feitos do projecto são na realidade um só pois são indissociáveis: em pouco mais de dois anos construímos uma linha férrea com 140 quilómetros, com 22 pontes, 7 milhões de m³ de escavação e outro tanto de aterro, onde trabalharam em pico cerca de 5000 pessoas, mais de 500 máquinas pesadas, quase 300 veículos ligeiros, sem um único acidente mortal envolvendo um trabalhador. Atingimos a marca de 22 000 000 de horas/homem trabalhadas sem um único acidente com afastamento”.

Obra exigente realizada dentro do prazo contratado, onde o Contract Manager do Corredor de Nacala sublinha, a de classe mundial dos padrões de Segurança e Saúde. Durante todo a obra não houve um acidente mortal registado.

No pico da empreitada, de acordo com a Mota-Engil, a logística da operação apresentou o abastecimento semanal com 1 milhão de litros de gasóleo, mais de 1000 ton de cimento, 7 ton de carne – para suportar a elaboração de quase 8000 refeições diárias -, a produção semanal de 4000 m³ de betão, 200 000 m³ de movimento de terras, 25 000 ton de agregados, ou ainda o assentamento de mais de 1000 metros de caminho-de-ferro por dia.

Na actualidade a Mota-Engil assegura a manutenção da via ao longo de 920 km do corredor. O contrato manutenção válido por cinco anos compreende 7 bases manutenção todas equipadas com meios pesados, e envolve cerca de duas centenas e trabalhadores.

O Prémio H.J. Sabbagh Award for Engineering Construction Excellence

De acordo com a Ordem dos Engenheiros, o “WFEO Awards Committee decidiu distinguir o Presidente do Conselho de Administração da Mota-Engil, eng. António Mota, pela realização de notáveis projectos de infraestruturas em África, nomeadamente pela construção do “Corredor de Nacala”, tendo, ainda, dentro das respectivas regras, distinguido Ismael Gaspar e João Neto, pelo seus relevantes contributos nesta obra”.

O reconhecimento bianual, atribuído WFEO no passado dia 1 de Dezembro em Roma à engenharia portuguesa, vem na sequência de uma candidatura apresentada pela Ordem dos Engenheiros.