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Jaime Ramos está de saída da FMNF

mnf18maio1Embora se tenha afirmado motivado e com vontade de continuar Jaime Ramos, presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF), abdicou de estar à frente da instituição e pediu para sair em Janeiro.

O anuncio aos colaboradores ocorreu no passado dia 21 de Dezembro, no jantar de Natal da FMNF, e foi confirmado no final de tarde de quinta-feira, depois de liberto de compromissos de agenda, pelo próprio à webrails.tv.

A opção para o pedido de exoneração, adiantou Jaime Ramos, seguiu para Guilherme d’Oliveira Martins, secretário de Estado das Infraestruturas, este mês, depois de ter visto confirmada a integração de colaboradores entretanto dispensados:

“Eu fiz uma carta ao Sr. secretário de Estado a pedir para sair a partir de dia 5 de Janeiro. Portanto, pedi a exoneração do cargo, ninguém me mandou embora. Eu entendo, e se calhar não era bem essa a intenção do Sr. secretário de Estado, mas eu entendo que chegou o momento”.

“Fiz ponto de honra. Logo que conseguisse meter as pessoas cá dentro. As pessoas que saíram. A partir desse momento sentia-me em condições de partir para outras coisas”, rematou.

Na manhã de quinta-feira a webrails.tv estabeleceu contacto com o Município do Entroncamento, entidade integrante do conselho de administração da FMNF, e falou com Jorge Faria, presidente do edilidade.

Colocada a questão sobre a situação da presidência da FMNF, o autarca confirmou o cenário de saída do actual presidente e adiantou que esta se coloca desde o inicio de Dezembro.

“É um cenário que está a correr desde o inicio do mês”, explicou. Altura que o secretário de Estado, Guilherme d’Oliveira Martins, “decidiu proceder à substituição do presidente da FMNF”.

Entretanto Jorge Faria confirmou que já há um nome proposto para fazer a transição de Jaime Ramos com “dimensão nacional ligada à ferrovia”, mas que será o secretário de Estado a ter a iniciativa de anunciar.

O cenário ficou ainda definido, explicou, quando no inicio de Dezembro, em conjunto com a secretária de Estado e Governo, foi possível encontrar as condições necessárias para assegurar meios humanos e tesouraria para a Instituição.

“Foram encontradas as soluções que permitiram a manutenção das pessoas que tinham o seu contrato em termo, ou que estavam a terminar brevemente – entre os quais o da actual Directora do Museu [Ana Fontes] – e criadas condições para que pudessem ser ultrapassadas as dificuldades de tesouraria”.

Ao nível da Tutela a webrails.tv questionou a secretaria de estado das infraestruturas, nomeadamente se estava ao corrente da situação e qual a visão que tinha para o assunto, respondeu:

“O Gabinete do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas não tem, de momento, qualquer comentário a fazer sobre este assunto”. 

Embora se reserve na posição de estabilidade que  tem para a missão da FMNF, tanto a pasta do Planeamento como a pasta da Cultura,  têm responsabilidade no arrastar de uma estratégia para a Instituição.

O mandato no cargo terminou em Julho de 2016, e uma nomeação ou recondução,  por parte Tutela,  está por executar desde então.

No entanto este é um desfecho, e uma posição, que o visionamento da entrevistada dada ao EntroncamentoOnline por Jaime Ramos, no final de Novembro, não deixava em aberto.

Por outro lado, contacto do sector que alertou para a situação, adiantou sobre cenário que agora se coloca:

“Espero que 2018 nos traga um museu mais aberto aos ferroviários, onde se sintam em casa e que passem a ser bem vindos na casa que é deles também”.

Nas declarações lembrou ainda que a Instituição gere o Centro Nacional de Documentação Ferroviária. A estrutura, considera, tem o dever de apresentar condições para dar respostas a quem o procura, e espera que a documentação ferroviária à guarda do IMT regresse a esse centro de documentação.

Outro dos desafios que deixa em aberto e lança como desafio para o futuro do espaço museológico, passa por ver aquela casa ter maior sensibilidade ferroviária:

“Desejo também que sejam incorporados ferroviários nos quadros da Fundação e que o Projecto da antiga Central Eléctrica veja a luz do dia em 2018. Que 2018 seja finalmente um ano de viragem para este museu e que comece a ter pessoas a servirem o mesmo em vez de lá estarem para se servirem dele”.

Recorde-se que essa sensibilidade ferroviária, no que é a leitura do sector, está bem patente no abdicar do link ferroviário do Museu da Macinhata para a linha Vouga.

Uma gestão menos politica e mais ferroviária, ou uma gestão politica com assessoria ferroviária, saberia argumentar que a “ripagem” não serve os interesses do Museu, que a linha iria ter um comboio histórico, ou que aquele é um sistema ferroviário fechado que pode ser encarado como laboratório.

Mas se a passagem de Jaime Ramos, presidente da FMNF, pela instituição fica associada a momentos menos conseguidos. Alguns deles vão ficar para a história, como o abate da UTE 2001 – uma automotora eléctrica protótipo mundial -  ou ceder acervo a custo zero com problemas  de tesouraria. Será também lembrado pela abertura do Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, ao público e a materialização da rotunda de locomotivas.

Presente no conselho de administração da FMNF como representante da autarquia desde 2005, Jaime Ramos transitou para presidência em Julho de 2013. Na altura substituiu, por nomeação das pastas dos transporte e cultura, Júlio Arroja que entretanto se tinha demitido.