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EMEF: Bombardier de fora em parceria ACE na EMEF

O litígio levantado pela Bombardier contra a EMEF na intenção de privatização deverá limitar o acesso da multinacional canadiana numa parceria com a CP na reestruturação do grupo oficinal em Agrupamentos Complementar de Empresas (ACE).

O cenário de divisão da EMEF voltou a ser levantado esta sexta-feira em reunião da Administração da CP Comboios de Portugal com sindicatos do sector.

“Na explanação que fez hoje sobre as empresas participadas, o presidente da CP informou que o Plano que está em cima da mesa para a EMEF, de forma a contornar as posições do Tribunal de Contas, passa pela manutenção da EMEF a trabalhar apenas para a CP e pela criação de dois ACE’s, sem indicar ainda parceiros e qual a participação de cada um”, referiu a Fectrans, uma das organizações de representantes dos trabalhadores presentes na reunião.

Um destes ACE’s será para a reparação do material do Metro do Porto e o outro para a reparação de material circulante de mercadorias, especifica.

É convicção da organização, mas também circula no meio, que a criação das duas empresas será em parceria com privados do sector. Cenário que, segundo ventilado na reunião, poderá excluir a empresa canadiana derivado ao diferendo que opõe CP e Bombardier na EMEF.

“Sem ainda se conhecerem mais pormenores, a primeira opinião é de que com esta medida abre-se a porta à entrada de privados em dois sectores importantes da EMEF [Metro do Porto e vagões] e com isso o País fica a perder. Por outro lado, desconhece-se, neste plano, como irão tratar a situação dos trabalhadores e qual a contratação colectiva que querem aplicar, porque este plano é apresentado como um dos possíveis cenários (embora o que foi apresentado com mais convicção)”.

E remata na nota: “Entendemos que o caminho é o retorno da EMEF à CP, o que permite que continue a prestar serviços a terceiros, como é reconhecido pela própria administração da CP”.

Fala-se que a Siemens pode ser uma das empresas no mercado nacional a entrar na reestruturação em ACE’s. A empresa alemão já detém parcerias na manutenção com a EMEF. As locomotivas da série 5600 e 4700 com a Simef.

Neste quadro destaca-se ainda, na manutenção de vagões, o posicionamento da Medway. A EMEF tem sido alvo de queixas por parte do operador privado. Em causa está o serviço prestado, que para a empresa não tem correspondido no respeito por prazos de entrega de material circulante, e que tem levado à imobilização de vagões e locomotivas.

A situação não deverá ser alheia à falta de pessoal no grupo oficinal. Os trâmites de contratação limitam o rejuvenescimento da empresa com novos quadros, com os sindicatos e empresa a assumirem que existem grupos oficinais com dificuldades por ruptura de operários especializados.

Entretanto, e de acordo com o sector, a Medway contratou como assessores Acúrcio dos Santos e Nuno Sanches Osório. Acúrcio dos Santos é um quadro técnico do sector com passagem pela administração da EMEF que desenvolve actividade na área da consultadoria, o segundo terminou recentemente uma passagem pela administração da CP. No operador público teve o pelouro da EMEF.