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Incorporação Nacional na aquisição de comboios novos

Para a Talgo a incorporação nacional, num contrato final de aquisição de material circulante novo de passageiros para a CP, pesa cerca de 20%. O valor traduz-se na montagem final dos comboios em Portugal e testes de via, que se reflectem depois numa parceria de manutenção com a EMEF.

O quadro foi traçado pela construtor espanhol à imprensa portuguesa numa visita de jornalistas nacionais a uma fábrica da empresa na região de Madrid. Na ocasião, colocado o tema da incorporação, a empresa avançou para material circulante:

“Na maior parte dos contratos actuais, esta componente da montagem final e dos ensaios pesa cerca de 20% do valor final do contrato”.

Em jogo vão estar 270 milhões de euros para a aquisição de 28 unidades, 6 para longo curso e 22 para o serviço regional. Dados expostos pela administração da CP em reunião com os sindicatos, revelado pela FECTRANS:

“Fica ainda sem se saber qual a estratégia do Governo para a aquisição deste material, ou seja, se vai exigir uma forte incorporação da industria nacional e, em particular, da EMEF, ou se este grande investimento – 270M€ – sai todo do país”, questionava a organização em comunicado após o encontro.

Contactada fonte próxima da direcção da Plataforma Ferroviária Portuguesa, sobre o tema, esta não confirmou contactos de eventuais construtores interessados no concurso.

“Nós, enquanto Plataforma, não tivemos contacto nenhum. Pelo menos para já”, mas não descartou a hipótese de haver associados envolvidos em propostas com incorporação nacional a apresentar.

A estrutura agrega cerca de meia centena de entidades, entre actores do sector, fornecedores ou pesquisa e inovação na área docente, ligadas ao modo de transporte. Sendo que alguns dos fornecedores portugueses participam hoje na modelação do sistema ferroviário nacional e internacional.

almaAlfaPNo nosso país essa modelação pode ser encontrada na renovação em curso da frota de 10 automotoras eléctricas do serviço Alfa Pendular da CP.

Abordada a questão, junto um dos fornecedores da renovação, se houve contactos, referiu à webrails.tv :

“Depois do trabalho que se fez com o Alfa Pendular, dentro das limitações nacionais, fizemos um bom trabalho. Seria um pena se não houvesse continuidade desse tipo de trabalho com incorporação nacional”.

A terceira unidade Alfa Pendular remodelada circula desde o final de Dezembro, e a intervenção de meia vida comportou integração nacional a rondar os 80%.

Concorrem para o valor os interiores ao nível da produção de bancos, chão e tecto, peles que revestem os bancos, iluminação, equipamento electrónico áudio e vídeo, ou design. Opções para a automotora portuguesa escolhidas pela boa relação qualidade/tempo/preço, que torna algumas delas escolhas para empresas internacionais também.

Por isso afirma-se expectante, na evolução do processo de compra, em saber até que ponto “se repete a boa incorporação da industria nacional como a que se faz no Alfa Pendular”.

Valor relevante de incorporação nacional alcançado na renovação do comboio Alfa Pendular que poderá não ser simples de alcançar numa aquisição de material circulante novo numa era electrónica e produto standard.

Desde logo, adiantou um quadro do sector na área da gestão, “nós não temos grande capacidade. Temos a EMEF mas a EMEF está a ser desmantelada. De maneira que não tenho a certeza se vamos conseguir fazer por cá grandes incorporações”.

Mas, sublinha, que era relevante aproveitar para “relançar alguma competência ferroviária interna a partir de equipamentos novos que o país vai ter de adquirir”.

Para incorporar produção nacional dos comboios em Portugal, a Talgo, assegurou ao meios de comunicação que “a ideia é fabricar localmente, pelo menos em parte”.

E remata: “Para isso, já temos contactos com fornecedores locais, para repetir por experiência que foi criada há uns anos entre a Siemens e a EMEF . Estamos preparados para fazer a montagem final e os ensaios dos comboios em Portugal”.

A montagem final, os ensaios, o comissionamento, a colocação ao serviço, e “questões pontuais”,  refere um técnico ligado às questões do material circulante. Considera que  incorporação nacional, a existir, se radica em dois aspecto.

Quanto é que o Estado está disponível para pressionar e obrigar os construtores, e quanto é que está disponível para gastar na aquisição do material.

Sendo que a “aquisição à medida tem vantagens. Temos um produto especifico. Mas sai mais caro porque tem um custo projecto enorme”, que os contratos de poucas unidades, para produtos standard, não são possíveis de diluir.