free web
stats

Linha de Cascais – Desmistificação das Encruzilhadas

MEMO da ADFERSIT da Sessão/ Debate Técnico – Linha de Cascais de dia 7 de Março 2018, que nos chegou via email:

.

O adiamento da Linha de Cascais
Uma Encruzilhada na vida de milhares de portugueses

No momento em que o poder político começa a discutir os novos fundos comunitários e em que o sector ferroviário parece ser uma das prioridades, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário e Sistemas Integrados de Transportes
(ADFERSIT), com 30 anos de atividade e conhecimento técnico e científico, não desiste de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos portugueses.

Numa fase em que se vislumbra mais um adiamento, a ADFERSIT vem alertar e demonstrar que é possível uma solução para a Linha de Cascais, em tempo útil – ainda no quadro do Portugal 2020 – com menores custos para o erário público e com melhoria significativa das condições de acessibilidade e mobilidade para as populações dos Conselhos de Cascais, Oeiras e Lisboa.

Defendemos que é possível existir a Linha de Cascais enquanto componente do Sistema da Mobilidade Urbana da AML (AML), ao serviço dos portugueses e com potencial turístico que pode em muito contribuir para a sustentabilidade económica e financeira da mesma.

O Ministro do Planeamento e das Infraestruturas afirmou a reprogramação do Portugal 2020 em beneficio da Linha de Cascais, mas como deve ser requalificada a Linha de Cascais?

A resposta dá-se nas opções e nas escolhas que se farão e na nossa opinião a escolha é clara:

- ou a Linha de Cascais é integrada na Rede Geral e terá um custo para o erário público de cerca de 640 milhões de euros;

- ou fará parte da componente do Sistema da Mobilidade Urbana da AML e terá um custo de cerca de 34 milhões de euros.

Qualquer adiamento, resultante dos bloqueios que vêm perpetuando a indefinição de uma solução efetiva, virá acentuar a encruzilhada em que o poder político se enredou, hipotecando a qualidade de vida de milhões de portugueses. Mas a ADFERSIT considera que ainda é possível reverter e desmistificar esta encruzilhada.

Com efeito, uma simples análise às razões desta situação, residem nas seguintes e óbvias constatações:

* 1a ENCRUZILHADA
Derivada da obsolescência técnica, fundamentalmente resultante da situação respeitante à Sinalização e ao Material Circulante, cujo nível de investimentos de que carecem tem implicado um sistemático adiamento, amplificado pela afirmação nunca demonstrada que se torna imperioso proceder ao rebatimento dos comboios da Linha de Cascais sobre a Rede Geral, o que implicará a compatibilização da alimentação eléctrica e o do material circulante.

* 2a ENCRUZILHADA
As intervenções necessárias no denominado NÓ DE ALCANTARA, decorrentes da primeira encruzilhada, tornam praticamente impossível a tomada de decisão por parte do poder político uma vez que representam investimentos na ordem dos 500M€. A complexidade do seu subsolo, dada a localização do CANEIRO DE ALCÂNTARA e o atravessamento da Linha 15 do eléctrico da Carris e adaptação da estação de Campolide, são os principais problemas que alimentam esta segunda encruzilhada.

Assim, entende a ADFERSIT defender uma análise pragmática do problema, DESMISTIFICANDO as referidas encruzilhadas:

* A Linha de Cascais tem condições para viver por si só, apesar do complexo conjunto de condicionantes à sua acessibilidade e que limitam o seu raio de ação. Com uma Procura potencial entre 30-35M de passageiros/ano (atualmente 25M), modernizada a sinalização, a catenária, as subestações de tracção, as estações e o material circulante, existem condições objectivas para melhorar significativamente o serviço hoje prestado pela CP, permitindo alcançar uma operação de margem positiva.

* Acresce que não se identifica qualquer ganho adicional de procura significativo, na ligação dos comboios de Cascais à Rede Geral. Carecendo também de demonstração técnica quanto à viabilidade da sua operação, nomeadamente no que diz respeito ao número de “slots” disponíveis em hora de ponta no nó de Campolide.

* A Linha de Cascais, com a anunciada extensão da Linha Amarela do Metropolitano de Lisboa ao Cais do Sodré, encontra aí a melhor ligação ao Sistema de Transportes Urbano de Lisboa. O facto de o Metropolitano de Lisboa passar a funcionar com uma linha circular irá melhorar muitíssimo os tempos de viagem para os passageiros com Destino no eixo Marquês/Saldanha/Entre Campos. O Interface do Cais do Sodré passará a proporcionar a melhor opção aos passageiros da Linha de Cascais, com tempos de viagem muito inferiores (-10’ ao Marquês do Pombal), se comparados com uma eventual ligação alternativa via Linha de Cintura.

* Considerando o carácter isolado da Linha de Cascais, o material circulante poderá ser adquirido pela CP de forma inovadora, contratando a futura disponibilidade de frota, consoante a Oferta definida por um período a definir. Esta solução, permitirá não só retirar a pressão de financiamento ao Ministério das Finanças no curto prazo, como “alisar” de forma previsível os encargos futuros com a operação e manutenção do indispensável material circulante (renda anual de aprox. 7,5M€, para 26 UMEs).

Como inegável contributo para a futura decisão, a leitura da estimativa orçamental das duas soluções em presença, conforme o quadro seguinte, é bem elucidativa das vantagens financeiras da solução “AML”:

CascaisTabela_ADFERSIT

Por tudo isto, a ADFERSIT considera que a ENCRUZILHADA da Linha de Cascais deve ser equacionada apenas e só enquanto componente do Sistema da Mobilidade Urbana da AML, representando um investimento inferior aos 50 milhões de euros já existentes na reprogramação do Programa Ferrovia 2020, conforme anunciado recentemente pelo Ministro Pedro Marques.

É neste contexto que a ADFERSIT irá realizar um novo debate “Ainda a encruzilhada da Linha de Cascais: componente urbana do Sistema Integrado de Transportes da AML ou componente da Rede Ferroviária Nacional?”, no próximo dia 7 de Março (Quarta feira) às 17.30/20.00 h, no Auditório da Estação do ML no Alto dos Moinhos, tendo já convidado os Municípios de Cascais, Oeiras e Lisboa a participarem, visto representarem a PROCURA que continua a não estar confortável com o sucessivo adiamento da solução da Linha de Cascais.

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2018
A Direção da ADFERSIT

.