free web
stats

Museu da Cerâmica lança ano Jorge Colaço

colaco_SACAVEMO Museu da Cerâmica de Sacavam (MCS) recebeu esta segunda feira uma conferência sobre Jorge Rey Colaço. Em 2018 assinalam-se 150 passados do nascimento do Mestre do azulejo e várias entidades associaram-se para homenagear a figura ligada à arte num programa que se estende até Dezembro.

Na marcha de iniciativas programadas o sinal passou a verde esta segunda feira 26 de Fevereiro com a Conferência “Jorge Colaço – Conhecer, Divulgar, Preservar”.  A sessão teve lugar no auditório do MCS no dia do aniversário do nascimento do autor.

A Conferência

No meio ferroviário Jorge Colaço é conhecido pela assinatura de vários painéis de azulejos figurativos, presentes nas estações e apeadeiros, que acompanham quem viaja de comboio. A sessão, por seu turno, trouxe dimensão biográfica ao artista e profundidade à sua obra.  Caminhos em que deverá ser revisitado nos próximos meses.

A parte da manhã, centrada no “Conhecer”, deu os primeiros passos com impressões da pessoa Jorge Rey Colaço pela família. Tomás Colaço, bisneto do Mestre, recuou no tempo e resgatou para os presentes histórias que cresceu a ouvir.

Resgatou momentos que cruzaram a passagem por Tanger, o convívio com grandes pintores – Van Googh, Gauguin, Paul Rupley – nos estudos em Madrid e Paris, ou o enredo misterioso, quase lenda, que coloca a linhagem Colaço, nas raízes de Tanger, como descendentes de El Rei D. Sebastião.

Estando a batalha de Alcácer-Qulibir perdida, relatou Tomás Colaço, o escudeiro confrontou o Rei com o destino de morte e tomou o seu lugar na luta final. Portugal não podia ficar sem Monarca, argumentou.

Dom Sebastião sobreviveu, no entanto, humilhado pela derrota não quis regressar sozinho, com esse peso, ao reino. Seguiu então para Tanger onde, sem identidade, assumiu a do escudeiro e o sobrenome Colaço.

O período até almoço apresentou ainda as faces de caricaturista e pintor a óleo do autor. No entanto as comunicação evidenciaram o suporte azulejo e a composição de momentos.

Abordagens que tiveram suporte na colaboração com as fábricas de Sacavem e Lusitânia, nos motivos evocados pelas encomendas e temas dos painéis eternizados em Portugal e no estrangeiro.

No percurso a produção em nome próprio ou como titular de oficina, ilustrou temas militares em quartéis, momentos históricos, quotidiano rural, cenas de pesca ou episódios da literatura, em estações de caminhos de ferro e outros equipamentos públicos. Houve também lugar para revestir igrejas e hospitais com elementos religiosos, e destacou-se no trabalhado das molduras.

Ferrovia

A dimensão ferroviária da obra integrou a componente “Divulgar” e “Preservar” da Conferência, que decorreu da parte da tarde. Tiago Borges, investigador, abordou a introdução do azulejo artístico nas estações de caminhos de ferro.

dnsaobento_03Na comunicação, entre outros aspectos, apontou o contraste da utilização do azulejo figurativo no interior da estação de São Bento. Único nas estações do primeiro lote de encomendas, face à colocação em fachadas de cais, frontais ou laterais de estações, na mesma época. Uma situação única que ficou esclarecida em outra intervenção ferroviária.

A estação de São Bento, ao contrário de estações como Vale do Peso, ou Beja, não é uma estação de transito no itinerário de uma viagem. O comboio pára e segue até ao destino. É assim hoje e era assim ontem. Numa viagem, São Bento é uma estação terminal e isso espelha-se no seu espaço interior que reconforta quem espera ou termina aí a sua jornada ferroviária, como esclareceu Ana Sousa do Arquivo CP.

A comunicação da CP ocorreu no separador “Preservar”, em parceria com a Infraestruturas de Portugal. À conferência levaram três leituras da estação do São Bento.

Na comunicação Ana Sousa enquadrou, de forma resumida, a chegada da ferrovia a São Bento. Paula Azevedo, IP Património, após a chegada do comboio desceu e no cais da estação integrou o edifício no meio. Pedro Pedro Almeida, IP, rematou a comunicação tripartida com a grande intervenção de restauro no efectuada pela empresa no conjunto azulejar.

Duas Comunicações Técnicas

Na sessão destacam-se ainda duas apresentações técnicas. O sistema agregador de informação azulejar AZ Infinitum, desenvolvido pela ARTIS e Universidade de Lisboa. A biografia de Jorge Colaço serviu para navegar num instrumento que pretende ser uma fonte de pesquisa e salvaguarda do património azulejar, disponível para investigadores e curiosos.

Já o investigador José Mimoso deu a conhecer a pesquisa que nasceu na intenção de parar o processo de degradação dos azulejos. Esse trabalho levou à Conferência imagens microscópicas da composição do azulejo, recolhidas junto de amostras, que permitem ler a condição do suporte e assim ter ferramentas para preservar azulejos e painéis.

Centenário do Nascimento de Jorge Colaço

A abrir a Conferência “Jorge Colaço – Conhecer, Divulgar, Preservar”, que marca o inicio de um ano de iniciativas para comemorar 150 anos do nascimento de Jorge Rey Colaço, estiveram representantes da CM de Loures, Museu Nacional do Azulejo, CP Comboios de Portugal, Infraestruturas de Portugal, Fundação Instituto Marques da Silva.

O modo ferroviário esteve representado por Rui Reis Director do Departamento de Comunicação da IP. e Graça Cerejo da Secretária Geral da CP.

No quadro iniciativas programadas a Fundação Instituto Marques da Silva deu conta que a instituição vai reeditar, no mês de Novembro o livro “Estação de São Bento”.

A CP e IP confirmaram que a estação de São Bento recebe, de 5 de Outubro a 30 de Novembro, a exposição “A Estação de Porto-São Bento e a Obras de Jorge Colaço”.

A ano  de homenagem encerra em Dezembro, explicou o Museu Nacional do Azulejo, com a exposição “Jorge Colaço e a Azulejaria Figurativa no seu Tempo” no seu espaço em Xabregas.

Entretanto, e a merecer alguma atenção, será o quadro de outras iniciativas associadas ao azulejo ou Ano Europeu do Património Cultural, onde existe potencial para novos encontros com o autor.

. No final da Conferência a webrails.tv falou Ana Sousa, Arquivo CP, que deixou algumas pistas sobre como correu o evento e o que se pode ver e fazer nos momentos altos da homenagem que a ferrovia presta ao Mestre do azulejo.

Tem inicio esta terça feira, no Palácio da Pimenta, a exposição Jorge Colaço (1868-1942) Pintor da História, História de um Pintor, que se prolonga até 29 Julho 2018.
.