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“A Solução Ferroviária” Apenas os intervenientes estão mais velhos

OdE_solucaoFerroviariaA sede da Ordem dos Engenheiros (OdE) debateu na tarde de quarta-feira a importância da ferrovia portuguesa no presente e no futuro. Na linha da frente esteve o manifesto Portugal uma ilha ferroviária, numa sessão – “A Solução Ferroviária” -  onde o caminho de ferro aderiu em peso.

Por um lado destacou-se pela aderência de quadros do modo de transporte, a intervir mas também a questionar, por outro, a ferrovia esteve no centro de um debate onde assumiu o papel de combustível para dar mais ou menos gás à economia.

Debate, a par do novo aeroporto e terceira travessia do Tejo, que segundo intervenção da audiência a Ordem promoveu há uma década, sendo que na actualidade há mais dívida e onde os intervenientes estão agora mais velhos:

“Passados dez anos não temos nada. Não temos aeroporto, ponte ou alta velocidade. Temos mais dívida e mais dez anos de idade”.

No centro, Portugal, que na leitura de Henrique Neto, tem de ser país exportador, porque não há mercado interno para consumir a produção. No modo terrestre de transporte a ferrovia, como suporte às exportações, pode limitar ou promover essas trocas comercias num contexto europeu que rondo os 70%.

Caso se aposte em continuar no remendar da rede em bitola ibérica, Plano Ferrovia 2020, será limitava. Porque, referiu, o transporte nessa bitola torna os produtos mais caros. Pelo contrario, acredita que os produtos serão mais baratos, se houver integração europeia com a construção de via UIC.

Na posição do manifesto essa integração europeia, nas trocas comercias, primeiro com Espanha e depois com o restou da Europa, não está a ser acautela.

Mário Lopes, subscritor do manifesto e antigo presidente da ADFERSIT, explicou como e porquê.  A Espanha está a construir uma rede em bitola UIC, que vai levar ao encerramento das vias convencionais em bitola ibérica.  Para mitigar efeitos dessa opção defende que o recurso a travessas polivalentes do Plano Ferrovia 2020 não serve.

A solução é vista como um entrave para quem quiser exportar, por caminho de ferro  e de forma fluída, os seus produtos para a França e resto da Europa.

No quadro do manifesto considera que o país não está desenvolver uma solução de integração à rede UIC espanhola, quando esta, desde 2011, está a ser construída para transportar passageiros e mercadorias, e isso hipoteca a integração europeia.

Do lado do Plano Ferrovia 2020, politica do sectorial, esteve o administrador da IP Carlos Fernandes. Na comunicação que levou à sessão reiterou o que é a posição do  documento que serve de base para a actuação da IP e do orçamento esta tem para o executar.

Reforçou a ideia que o gestor de infraestrutura está em sintonia com as politicas espanholas. Essa harmonia traduz-se em colocar travessas polivalentes nos corredores internacionais, para quando chegar a hora se proceder à migração.

No período de debate, que não contou ainda com a presença de Pedro Marques ou Marcelo Rebelo de Sousa, entraram os detalhes. De uma das salas, de duas salas reservadas para as inscrições extra da sessão, questionou-se porque é que os eixos variáveis não são solução neste debate. A transferência de carga nos terminais, e a edificação de grandes plataformas nos corredores norte e sul junto à fronteira em Espanha, também estiveram no centro das interpelações.

Com o decorrer do debate, adverso para Carlos Fernandes enquanto gestor público, foi possível apurar que a fluidez do corredor Atlântico é gerido por uma “pequena empresa” de gestores ferroviários que atribuiu canal horário, mas que quando chega a França não tem utilidade. De acordo com o vice da IP, um comboio nacional para a Alemanha pode demorar uma semana a atravessar o país.

Destaca-se ainda, nas intervenções do administrador IP, a necessidade deste explicar a Henrique Neto o que é um gestor público. O antigo candidato a Presidente da República acusou-o de defender bitola UIC enquanto quadro da RAVE e ibérica na IP.

Henrique Neto voltou a ser polémico quando acusou o sector da mercadorias ser outro factor de atrito à migração de bitola.  Do ponto de vista do antigo politico a Medway “está sentada num monopólio” e não quer a mudança. Interpretação onde acabou por não esclarecer, no modo ferroviário, se a migração será para acabar com as empresas de transporte ferroviário de mercadorias que operam no sector.

O facto é que tanto nos discursos de abertura, ou encerramento, Carlos Mineiro Aires, não deixou de referir que a Casa dos Engenheiros era o lugar para acolher o tema em debate, mas distanciou a Ordem dos Engenheiros da sua organização:

“O Bastonário da OdE, desde a primeiro hora, fez questão de acolher na Casa da Engenharia, porque faz sentido que esta discussão só aqui tenha lugar”.

E rematou: “Disponibilizamos as instalações, meios de divulgação e formas de inscrição, fizemos “pontes” e articulações institucionais e de outra natureza, coordenamos a sessão e obviamente agora também tiraremos e divulgaremos as nossas conclusões, que poderão não ser coincidentes ou seguidistas”.

Uma “ponte” também evidenciada na intervenção do Presidente da República que encerrou a sessão “Solução Ferroviária”. Marcelo Rebelo de Sousa evocou as competência de jurista para saudar a iniciativa acarinhada pela Ordem:

“Chegou-se aqui a um bom equilíbrio. Jurista e Engenheiros conseguem promover encontros improváveis”.

No painel final assinam-se ainda intervenções de Pedro Marques e Mira Amaral. O ministro anunciou que este ano vão estar no terreno obras que superam os 300 milhões de euros. Entre corredor sul, Beira Baixa, linha do Norte e electrificações. Intervenções do Plano Ferrovia 2020.

A Mira Amaral coube apresentar as conclusões  da sessão. Na intervenção pediu, num cenário de valorização da ferrovia para o transporte de carga, a elaboração de estudo independente que foque as incidências para a economia dos desvios de tráfegos; e a produção de projectos de integração Europeia credíveis em bitola UIC nos corredores internacionais.

Alertou ainda para a necessidade, a nível Europeu, se criarem mais projectos no modo ferroviário para levar a concurso atempadamente, e que a ferrovia seja um tema recorrente na negociação do próximo quadro de apoio.