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IP potencia destruição de veículos ferroviários históricos

img: Nuno Morão

img: Nuno Morão

A Infraestruturas de Portugal (IP) cobra estacionamento de material histórico em ramais desactivados sem manutenção.  São 33 mil euros ano que a empresa cobra à CP Comboios de Portugal por três locomotivas a vapor e três carruagens em via estreita que a própria IP tem ao abandono na linha do Douro.

De acordo com o jornal Público, “três locomotivas centenárias e as três carruagens napolitanas que a CP quer demolir custam à empresa cerca de 33 mil euros por ano por estarem estacionadas em linhas que são da Infraestruturas de Portugal”.

No estacionamento de material circulante na rede ferroviária nacional, a publicação diária avança, que a empresa resultante da fusão da Estradas de Portugal e REFER, não distingue material circulante de interesse histórico do utilizado no serviço regular.

Acrescenta que não serve de atenuante o material ser histórico nem estar em vias secundárias do Portugal profundo ou votadas ao abandono pelo próprio gestor, para cobrar estacionamento.

Falta de sensibilidade na identidade ferroviária IP, que a Fundação Museu Nacional Ferroviário não compensa, já identificada em outras ocasiões.

Basta recuar à gestão de António Ramalho, falar da modernização da linha de via estreita do Vouga e na poupança nas AMV´s na ilha ferroviária do Museu da Macinhata, e na destruição do layout da estação de Sernada do Vouga.

Recorde-se que na actualidade circula na linha do Vouga, ramal de Aveiro, um comboio histórico. Oferta onde a leitura e estratégia de IP e FMNF deixou de fora o acervo museológico da segunda. O veículos do núcleo não podem ser usados porque o ramal de acesso ao Museu foi cortado

Em Sernada, por seu turno, o serviço comercial lúdico tem implicações no serviço de transporte diário da estação. Tem de haver manobras, pois não será possível ter três comboios em frente à estação, e as duas vias existentes limitam a manobra de composição de máquina e carruagens.

Por fim lembrar que as oficinas não tem mais trabalho com a manutenção e recuperação de material histórico porque as peças de Macinhata ficaram isoladas e assim não podem ser recuperadas para circular.

Trata-se de uma visão que não conseguiu articular aproveitamento turístico, oferta diferenciada, sazonalidade, descentralização, coesão territorial, ambiente fechado, edificado, com produto ferroviário turístico.

No entanto o artigo também refere que o “PÚBLICO apurou que estes custos de estacionamento pesaram na decisão da CP em desfazer-se daquele material, visto que não havia interessados na sua aquisição”.

A fonte não explicou ao Jornal é que os potenciais interessados só sabem que a empresa tem veículos ferroviários abatidos disponíveis para aquisição por terceiros quando a CP decide reciclar material.

A empresa não tem, ou se tem não a disponibiliza, uma lista material abatido passível de ser alienado a particulares, e se existe, quais são as condições que regulam essa alienação.

Por outro lado há uma leitura que o jornal não focou e que também é relevante neste quadro. Começa onde assinala que na “perspectiva da CP o abate do material é justificado como um acto de gestão racional para a sua saúde financeira”.

Pode se acrescentar que após tantos abates – vagões, carruagens, automotoras, locomotivas – a gestão racional começa a ficar apertada. No lote para sucata, além de material com interesse histórico, já entrou uma série que ainda circula nas mercadorias, as locomotivas diesel 1960.

Enredo onde convém lembrar que a CP já não detém a CP Carga. Logo, esse pode ser material a ter interesse para empresas que queiram operar na bitola ibérica com material já homologado.

Por outro lado, na Calçada do Duque, se esta decisão, CP recicla lote de 37 veículos ferroviários na região Norte, do Conselho de Administração – entretanto suspensa – foi assinada sem ler, outra distracção não deve voltar a acontecer.