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Classificar o Património, Preservar a Alma da Cidade

Esperámos cinco anos pela boa notícia, o Anúncio nº 22/2018, da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), publicado no Diário da República, 2ª série – N.º 30 -12 de Fevereiro de 2018 – de abertura do Procedimento de Classificação do Complexo Ferroviário do Barreiro.

Um pequeno passo para a preservação do riquíssimo património ferroviário, um grande passo para a memória da vila-cidade operária e industrial, como fundamento da nossa identidade colectiva, inspiração para as perplexidades do presente e para a construção de um futuro de equanimidade.

Daqui para a frente, na vastíssima área patrimonial ferro-químico-industrial do Barreiro (o Processo de Classificação do Património Químico-Industrial foi iniciado em 2016), nada poderá ser feito sem a autorização fundamentada da DGPC e sem atender às razões do Movimento Associativo do Património, preocupado com a preservação, recuperação, valorização e fruição organizada (incluindo o turismo vocacionado), naquele que é o maior Parque Patrimonial do País.

Cabe uma saudação a todos aqueles que contribuíram para este sucesso pontual (em boa verdade a primeira “démarche” data do ano 2000!), nomeadamente ao Movimento Cívico de Salvaguarda do Património Ferroviário do Barreiro, aos seus fundadores e activistas, que assim cumpriu o seu objectivo histórico e pode descansar em paz.

Abre-se um mundo em relação ao Património de Arqueologia Industrial, numa perspectiva de auto-sustentabilidade que obrigará sempre a uma gestão institucional, com a participação das Autarquias, de Associações, de Entidades Oficiais, não excluindo a iniciativa privada em áreas e para fins adequados.

A ABPMF defende as “Memórias Vivas”! O que ainda funciona deve continuar (Viabilidade e postos de trabalho nas Oficinas; Comboios no Barreiro-mar; Instalações industriais e comerciais tradicionais em zonas antigas; Programas para a fruição e usufruto do Património).

Para as grandes áreas já identificadas, é necessário a elaboração de projectos integrados e participados, da responsabilidade das Autarquias (e a participação de organismos oficiais, associações e privados).

Nomeadamente nas áreas ferroviárias da Estação Ferro-Fluvial, Oficinas, Bairro e Rotunda; também no conjunto de Moinhos de Vento e de Maré de Alburrica; na Quinta Braancamp e zona do Mexilhoeiro; nas grandes áreas e elementos em classificação do complexo químico-industrial da ex-CUF/Quimigal.

O futuro do Parque Patrimonial deve integrar-se com as outras formas de desenvolvimento ordenado e harmonioso da cidade, criando riqueza e equidade para os barreirenses.

Todavia o progresso será contraditório com projectos megalómanos e/ou unipolares (exemplos: Terminal de Contentores do Porto de Lisboa no Barreiro; Turismo massificado) que agridam a paisagem e o meio ambiente, ou descaracterizem o nosso inestimável património material e imaterial e arranquem a alma à cidade.

Barreiro, 9 de Março de 2018

Associação Barreiro Património Memória e Futuro