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“Em 2019 faz dez anos que não temos aumento de salários”

emef_DuqueOs trabalhadores da EMEF concentraram-se esta quarta-feira em frente à sede da CP. A indiferença da administração da EMEF/CP para negociar a remuneração dos trabalhadores, congelada desde 2009, motivou a iniciativa.

Depois de no grupo essa valorização já ter acontecido. No inicio do mês a CP regularizou a situação dos trabalhadores da empresa, face a um pré-aviso de greve, sem grandes atritos. O mesmo não está a acontecer na participada EMEF, onde a situação se arrasta.

Não mostra disponibilidade, e como Sérgio Abrantes Machado, Director Geral, é vogal da empresa mãe, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF), levou a luta para a entrada da sede do operador histórico, com uma concentração de trabalhadores na Calçada do Duque.

A intenção visou pressionar a abertura de diálogo, mas a administração da CP não recebeu a delegação incumbida de entregar a resolução aprovada na concentração.

“Foi nos dito pela directora de comunicação”, adiantou Abílio Carvalho do SNTSF, “que a administração não tinha condições para receber a delegação”.

O impasse segue para dia 6 de Abril, altura em há reunião agendada e onde é esperado que se possa desbloquear as negociações de aumento de salário. No entanto, o que sair desse encontro definirá as próximas abordagens.

Embora o ponto único da iniciativa desta quarta-feira se concentrasse na valorização da remuneração, congelada desde 2009, nas intervenções esteve presente o impasse da empresa face ao futuro.

Ficou expressa a preocupação da desvalorização do sector da manutenção ao nível dos recursos humanos. Preocupação abordada em várias intervenções. Os trabalhadores estão a sair e isso não está a ser compensado, “e a empresa sabe”.

A situação, ouviu-se, passa pela substituição de quadros, essa capacitação requer tempo na formação, só que não está a ser feita. Por outro lado, a média de idades da mão de obra especializada na EMEF ronda os 56 anos.

Apesar de haver lucros, reforçou outra intervenção, não invalida que existam áreas com deficit operacional. Há falta de técnicos especializados e não está a ser assegurada continuidade.

O que acontece por vezes, denunciou, é o regresso de mão de obra já reformada através de empresas de trabalho temporário.

O reflexo já se faz sentir no material imobilizado. Fala-se em 15% do parque de carruagens CP, trabalho de manutenção e reparação que vai sendo adiado, mais queixas de operadores de mercadorias na entrega do material.

Entretanto, à espera que o  Governo e a respectiva pasta assumam que posicionamento querem para o sector, a manutenção portuguesa de via larga em bitola ibérica degrada-se.