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Modelismo Ferroviário: Jaca em retrospectiva

O Encontro de Primavera de 2018 do CIMH0 (Clube Ibérico de Módulos H0) decorreu entre 13 e 15 de Abril de 2018 na cidade espanhola de Jaca (Huesca), uma localidade a poucos quilómetros da fronteira com França e perto da mítica estação fronteiriça de Canfranc conforme a webrails.tv anunciou. O evento de modelismo ferroviário contou com a presença de modelistas, módulos e composições portuguesas.

Foto: Mário Fernandes

Foto: Mário Fernandes

Mário Fernandes, um dos cinco modelistas nacionais presentes no evento ibérico, falou sobre o encontro e a passagem do grupo pela Comunidade de Aragão.

Na conversa abordou momentos que considerou relevantes, e no final confirmou Lisboa como palco para o próximo Encontro de Primavera CIMH0, em 2019.

Os participantes portugueses não seguiram todos ao mesmo tempo. Aqueles que partiram mais cedo aproveitaram para descobrir Espanha no percurso, mas o grupo juntou-se em Jaca. Na parte cultural da jornada, na visita à região, Mário Fernandes recordou a passagem por Canfranc. Embora em momentos diferentes, todos visitaram a antiga estação de fronteira para apreciar o ambiente ferroviário que por ali ainda se respira.

Na actualidade, contou Mário Fernandes, a estação está está devoluta, no entanto o troço espanhol do antigo corredor internacional ainda recebe comboios. No breve enquadramento da visita explicou que o lado francês da linha está encerrado desde a década de setenta do Século XX. Um descarrilamento e a destruição de uma ponte ditou o encerramento até Pau.

A estação, revela uma pesquisa simples, não representou um papel secundário na história. Além de ser imponente, a estação construída em Art Nouveau apresenta uma extensão de 250 metros de comprimento, foi protagonista na Segunda Guerra Mundial e envolve os dois países ibéricos.

No conflito, foi a porta entrada de metais preciosos para os cofres de Portugal e Espanha, e surge com ponto passagem de judeus e alemães, para o Atlântico. Primeiro rumo à esperança, depois para escapar ao ajuste de contas no final da guerra.

Hoje, no antigo corredor internacional, só há comboios de mercadorias do lado espanhol. O modo de transporte é usado para movimentar o milho armazenado nos silos da antiga estação até Zaragoza ou até ao Porto de Barcelona. O produto, refere Mário Fernandes, atravessa os Pirenéus de camião até à estação, vindo de França.

Jaca – Exposição de Primavera

O circuito, módulo a módulo Foto: Mário Fernandes

O circuito, módulo a módulo
Foto: Mário Fernandes

O evento decorreu no fim de semana de 13, 14 e 15 de Abril. Na tarde de sexta e manhã de sábado percorrem a maqueta modular  composições de épocas mais antigas.

Na tarde de sábado e manhã de domingo, a proposta de circulação apostou em rolar comboios de épocas mais recentes.

Nos mais de 101 metros de maqueta modular (digital DCC-NMRA), Mário Fernandes, assinalou a presença de grande variedade de material ibérico, e algum de grande actualidade, como o último modelo ICE da Renfe, construído pelo fabricante alemão Siemens, e que foi avistado a percorrer, em grande velocidade, os módulos da maqueta.

Foto: Mário Fernandes

Serviços diversificados! Foto: Mário Fernandes

O pormenor estende-se para além da velocidade e entra na operação da maqueta. Na filosofia do CIMH0 existe o propósito e a vontade, de aproximar a escala de circundações, composições, tipo serviços diversificados de passageiros e mercadorias, horários, ao comboio real.

Essa ambição está patente no termino de cada encontro, quando o grupo se reúne e aborda o evento na perspectiva técnica. As dificuldades e atritos no funcionamento nos dias de exposição são pontos de partida para criar grupos de trabalho e dissecar as questões colocadas. No fim existe a intenção de trazer a realidade do sistema ferroviário real para a escala H0. Mesmo que nem sempre seja linear transpor essa realidade para a maqueta modular.

A reprodução à escala de uma estação real pode implicar um elevado número de módulos, e ainda assim não representar o comprimento correcto do feixe de linhas ou disposição da distância das infraestruturas de apoio. A limitação, versada no espaço ocupado pelo conjunto de módulos, pode ter impacto no tráfego de mercadorias H0.

Uma MedWay em modelismo! Foto: Mário Fernandes

Uma MedWay em modelismo!
Foto: Mário Fernandes

No encontro de Jaca a questão colocou-se. Podia ter havido uma circulação de composições de “comboios de 750 metros”, mas não houve. Não pela capacidade de tracção da locomotiva, mas pelas vias de resguardo das estações serem curtas, embora, se pensar-mos num comboio com prioridade, essa capacidade até pode exister. O comboio especial não pára e em via única, as outras composições, encostam nos resguardos para dar passagem.

Durante o evento de Jaca esteve prevista a circulação de um comboio de contentores, que quando completo, 11 vagões, ilustra esse conceito. O original, explicou Mário Fernandes, comporta: 4 vagões Sggmrss Série 496 de 90′ (articulados), 2 vagões Sgs Série 454 de 40′, 2 vagões Lgs Série 441 de 40′, 1 vagão Sgnss Série 455 de 60′, 1 vagão Rgs Série 356 de 60′ e 1 vagão Lgnss Série 443 de 45′.

Foto: Mário Fernandes

Foto: Mário Fernandes

O especial de mercadorias acabou circular mas com menos material. A locomotiva LE 5600 encabeçou atracção de 3 vagões Sggmrss 496 de 90′ e 1 vagão Rgs 356 de 60′.

Nas circulações ibéricas de material português avistaram-se comboios de passageiros e mercadorias, com maior relevância nas composições de mercadorias. Estiveram presentes, adiantou o modelista português, locomotivas diesel das séries 1400, 1200 e 1320 e eléctrica da série 5600. Vagões balastreiros, his, plataforma e carruagens “Sorefame” nos passageiros.

Assinala-se ainda a circulação de material com as cores nacionais, embora peças de modelistas espanhóis, da locomotiva Euro 4000 Medway e um “camelo”.

Módulos portugueses

A maqueta modular, dados da organização, contou com 7 estações, três apeadeiros, três ramais industriais e duas bifurcações. A presença nacional contou com módulos de 5 modelistas. Estiveram presentes no encontro ibérico os dois módulos que formam a composição imaginária em ambiente português “A Capela” de Sérgio Barreto, a reprodução, na linha do Oeste, da antiga estação de Bouro – entretanto desaparecida – de Rui Ferreira, e Martingança de Ivo Oliveira.

Uma dresina da Refer Foto: Mário Fernandes

Uma dresina da Refer
Foto: Mário Fernandes

Ricardo Santos apresentou a estação Alcabrichel. Um entroncamento imaginário de transição de via única para via dupla.

Já Mário Fernandes levou a realidade de ficção ainda em construção “Corga Longa”. A instalação é imaginária mas tem inspiração no real, onde pretende reproduzir algumas “situações que ainda existem ou já existiram” de casario.

A intervenção, que integra um conjunto de módulos já conhecidos de outros encontros e outros em construção, vai dar passagem de via única para via dupla nas extremidades. A parte ainda em construção comporta, em harmonia com o conjunto, duas zonas de relevo negativo vencido por duas pontes. Este conjunto integrará o Encontro CIM-H0 de Primavera agendado para Lisboa em 2019.

Jaca destaca-se ainda pela presença, no que é considerada uma estreia em encontros ibéricos, de modelistas franceses. Tratou-se de uma dupla, originária País Basco Francês, que levou dois módulos de relevo negativo, em via dupla com ponte e duas “bitolas”. A ponte, explicou Mário Fernandes, fazia a ligação dos módulos com a maqueta modular, enquanto na parte inferior havia um circuito de via estreita também operacional.

Lisboa – Encontro CIM-H0 de Primavera 2019

O encontro integra a agenda de eventos do CIM-H0 e está marcado para os dias 25 (montagens), 26, 27 e 28 de Abril, Pavilhão do Casal Vistoso, entre o Areeiro e as Olaias, em Lisboa. A ideia de trazer o evento de modelismo ferroviário até Lisboa nasceu de uma conversa com Sérgio Barreto por altura da última Locomodel_Expo de Alverca, explicou Mário Fernandes.

O projecto foi apresentado ao CIMH0 que acolheu a ideia e “neste momento está calendarizado no programa de Encontros que o CIMH0 promove ao longo do ano”. O último encontro de referencia em Lisboa, ainda no contexto do Clube de Módulos Maquetren, teve lugar em 2003 numa sala do Pavilhão Atlântico.