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Redução de comboios na linha do Oeste em perspectiva

allan_badajoz_CarlosOlmosA gestão do material diesel da CP está apertada por falta de capacidade da manutenção e o material ser antigo, avançou esta segunda-feira a CP Comboios de Portugal  à Agência Lusa.

A indicação veio a propósito da reformulação de horários na linha do Oeste agendada para 10 de Junho, onde a empresa não assume, mas sindicatos e utentes alertam que será para diminuir a oferta.

À Lusa a empresa não confirma menos comboios e menos frequências, mas explica, se a redução se confirmar, porque é que vai haver menos oferta da empresa aos utentes.

“As operações de manutenção e reparação do material circulante da CP são efectuadas pela EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A), cuja capacidade produtiva é, no momento actual, insuficiente para dar resposta às necessidades existentes”, explicou a porta-voz à agência.

Para concluir que a EMEF “já solicitou à tutela governamental a necessária autorização para a contratação dos trabalhadores necessários para o reforço da capacidade de resposta”.

A premissa na contratação, que limita o sector na manutenção dos veículos e capacidade de exploração do incumbente, transitou do anterior Executivo e foi prolongada pelo Governo actual.

A opção, já na pasta de Pedro Marques, não privilegiou capacitar a manutenção ou a requalificação ou renovação de mais material, com meios humanos e orçamento. A aposta, ou a falta dela, na frota e na manutenção chegou a um ponto de ruptura: falta de pessoal, avolumar de material encostado e como consequência menos comboios para colocar no terreno, quando já não são muitos.

À Lusa a CP diz que as automotoras estão velhas, têm uma média de idades que supera os 50 anos. Mas essa é apenas uma parte do problema. O arrastar da decisão de aquisição de comboios novos, e o não equacionar o recurso a material abatido, são outros pontos que existem e podem ser colocados.

Em comunicado, sobre o Oeste, a Fectrans aponta para pelo menos seis comboios retirados da linha do Oeste a partir de dia 14 de Junho. “Só na linha do Oeste são menos quatro comboios a juntar aos dois recentemente retirados”, adianta.

A situação não será de estranhar. A frota de automotoras diesel ficou mais apertada depois de serem aplicadas limitações de circulação à série 350, as Allans.

E enfatiza: “Estamos perante uma consequência directa do desinvestimento que está a levar a uma deterioração do material circulante e da infraestrutura responsáveis pela redução de serviços na linha do Oeste, Algarve, Douro, para além das supressão e atrasos na zonas suburbanas, entre outras linhas”.

Como a CP não tem locomotivas diesel operacionais e carruagens suficientes, a disponibilidade nas linhas diesel resume ás automotoras 450 e 592 alugadas à Renfe,  conhecidas por “camelos”.

Por outro lado a Comissão para a Defesa da Linha do Oeste considerou, segundo o Diário de Noticias de segunda-feira, inaceitável a hipótese de quebra de oferta ou a supressão dos comboios inter-regionais no eixo Caldas da Rainha e Coimbra.

Nas ligações Caldas da Rainha à Bifurcação de Lares refere que o transbordo representa “um aumento do tempo de percurso, para além do desconforto da mudança de composição”.

Para mitigar a situação a CP adiantou Lusa que está em preparação “o processo do concurso internacional de aquisição de material circulante”.

No entanto, neste tema, ficou por responder como é que oferta dos utentes se resolve no espaço de tempo entre hoje, a abertura do concurso internacional, escolha do vencedor, e entrega dos primeiros comboios novos.