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O estado a que chegámos na ferrovia

A webrails.tv reproduz um novo texto recebido esta segunda-feira de um grupo de ferroviários com entendimento sobre a entrada em vigor de um novo Regulamento Geral de Segurança na rede ferroviária nacional.

A publicação insere-se no acompanhamento da reestruturação do articulado que rege a circulação de comboios em segurança, por parte da webrails.tv.

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Agradecemos a publicação do nosso texto que tem o objetivo de desmitificar as imprecisões ao “novo Regulamento”.

Esclarecemos que não somos um “grupo de maquinistas”, somos sim, um “grupo de ferroviários”, no qual se inclui um ex/maquinista, que refletem e que se preocupam com o estado atual do transporte ferroviário em Portugal.

Estamos preocupados e temos razões para tal, pois o estado de degradação, a que chegou e que se agrava de dia para dia, como por exemplo o que a seguir elencamos:

1. Estamos preocupados com o estado da infraestrutura da via, onde os incidentes/acidentes se têm verificado, só este ano, já vai em oito (8) descarrilamentos, nas linhas da beira Alta, linha do Norte e linha do Douro, e aproveitamos para dizer, que subscrevemos na integra, o artigo de opinião “Degradação, degradações…“ http://webrails.tv/tv/?p=34016, de Joaquim Polido, profundo conhecedor da realidade da ferrovia;

2. Preocupados com a fusão da REFER com as Estradas de Portugal, que deu origem a empresa Infraestruturas de Portugal (IP) ocorrida há cerca de três anos, e pelo menos na parte da ferrovia, vamos assistindo, citando Joaquim Polido, “ a uma … degradação em degradação até ao definhamento final.”

E a degradação não é apenas na infraestrutura ferroviária propriamente dita, é também na organização da empresa, nas nomeações escolhidas a “dedo”, com a nomeação de pessoas não preparadas e capacitadas para a exigência das funções, tanto na área técnica, como na área da gestão operacional! e para já, ficamos por aqui!

Veja-se bem a organização da IP, chega-se ao ponto de ter sido criada uma Direção de 1º nível, sem Departamentos e apenas com sete (7) elementos, oito (8), se incluirmos o Diretor!

3. Preocupados com o encerramento de linhas e serviços, as últimas em 2012 pelo governo PSD/CDS, que deixaram o Ramal da Figueira da Foz (Cantanhede), o Ramal de Cáceres e a ligação a Espanha, a linha do Alentejo entre Beja e Ourique, a linha do leste, a linha do Corgo entre Régua e Vila Real, a linha do Tâmega entre Livração e Amarante, todos estas áreas foram deixadas sem transporte ferroviário de passageiros ou qualquer outro transporte publico;

4. Preocupa-nos a falta de composições a “Diesel”, que dá origem a supressões e atrasos diários, como acontece nas Caldas da Rainha, Beja, Régua, Lagos, Faro, entre outras estações;

5. Preocupados com a degradação do serviço de passageiros na linha do Algarve, onde um passageiro para perfazer uma viagem de Lagos a Vila Real de Santo António (isto se não houver supressão!) demora entre 3h00 a 3h52m e com mudança de comboio em Faro, isto numa distância de 138 Km;

6. Preocupados com a degradação da linha de Cascais e dos comboios que aí circulam, o abandono a que está votada, é degradante para quem a utiliza diariamente, como para quem nos visita. É a sobrelotação em comboios em especial os de 4 carruagens, é a ausência de informação em caso de atrasos ou de supressões, são as bilheteiras encerradas e os passageiros abandonados à sua sorte, podemos, continuar a citar Joaquim Polido, “ … degradação em degradação até ao definhamento final.”;

7. Preocupa-nos as constantes “limitações de velocidade”, devido ao estado da via, reveladores que algo não está bem na superestrutura de via, e muitas vezes, também reveladoras da falta de conhecimento técnico, e assim, em caso de dúvida, limita-se a velocidade, dando origem aos atrasos diários, em especial na linha do Norte e linha da Beira Alta;

8. Preocupados com a degradação do serviço prestado pela empresa de manutenção EMEF, resultado de manifesta falta de trabalhadores qualificados e de uma política de “deixa andar” das sucessivas Administrações e Tutela, sem que exista uma definição do que se pretende da empresa;

9. Igualmente preocupados com uma regulamentação de segurança da circulação obsoleta e completamente desadequada à atual realidade. É urgente a atualização de todo o normativo regulamentar, para que não existam dúvidas quanto á sua interpretação e o seu cumprimento, por parte de todos os intervenientes.

10. Preocupa-nos a existência de uma entidade reguladora que não regula! que é ineficaz, ao que sabemos, por não dispor nos seu quadro, técnicos suficientes para o desempenho da missão que lhe está atribuída;

11. Também alguma preocupação, pela morosidade, que podemos reconhecer necessária, pelo GPIAF, organismo responsável pelos inquéritos aos acidentes ferroviários, na apresentação de conclusões e no apontar recomendações, relativas aos acidentes.

Para além de não se perceber da decisão de juntar no mesmo organismo os acidentes com aeronaves e os acidentes com comboios!

Podíamos continuar a elencar muitas mais preocupações, tal o estado que chegou o transporte ferroviário em especial a empresa pública do setor, para que viveu por dentro e ainda conhece, é de ficar com uma enorme preocupação e de deixar a seguinte pergunta no ar: O que se pretende para o futuro do caminho de ferro em Portugal?…

Cumprimentos

grupodeferroviarios@gmail.com

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A webrails.tv reconhece o lapso, opta por deixar o link para a publicação por corrigir, e agradece o reparo.