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SMAQ pressinou maquinistas para dar partida a comboios na Greve de dia 4

coimbraNa greve de dia 4 de Junho o SMAQ, Sindicato dos Maquinistas, pressionou os profissionais que defende a cumprirem funções de agente de acompanhamento nos comboios de passageiros da CP.

Num gesto, interpretado no meio como de favor à CP, face à adesão dos maquinistas à greve, o SMAQ emitiu um comunicado no inicio da tarde de dia 4 onde disse aos profissionais que não estavam em greve e que deviam executar as funções de agente de acompanhamento.

“Os Maquinistas em dupla tripulação assumem solidariamente as condições de segurança da marcha do comboio em todas as suas implicações, sendo que, o que assume as funções de acompanhamento verifica e transmite oralmente as condições do serviço concluído ao titular da condução uma vez comandado e confirmado o fecho das portas na cabina de condução”, escreve o SMAQ no comunicado.

De forma simples, o Sindicato diz para o segundo maquinista para sair da cabine e executar o abrir e fechar de portas e dar a partida num comboio de passageiros. A orientação, no cenário de paralisação, iria diminuir a eficácia da greve.

Nos seus comboios a CP adoptou o recurso a dois agentes. A regra obriga a ter uma tripulação de duas pessoas – maquinista e revisor – para os comboios poderem circular.

No terreno, ferroviário do sector, atento à situação, referiu à webrails.tv que se tratou de um procedimento à revelia:

“Tudo isso à clara revelia do regulamento de carreiras SMAQ/CP, ainda recentemente renegociado, que não inclui, na definição de funções do maquinista a função de “agente de acompanhamento” em comboios comerciais”.

Por isso refere que, apesar de todas as pressões, tanto do SMAQ, como da CP, “a esmagadora maioria dos maquinistas recusaram-se a desempenhar tais funções mantendo elevadíssima adesão à greve e/ou recusa a fazer de acompanhante”.

Nas marchas de material circulante de passageiros em vazio, na falta de um revisor, hoje os maquinistas já fazem o papel de segundo agente. No entanto a leitura do comunicado SMAQ, emitido ao inicio da tarde pelo Sindicato, remete os maquinistas para exercer funções atribuídas ao revisor em comboios comerciais.

Por outro lado, segundo foi possível apurar, a situação causou mal estar entre a carreira, “por maquinistas terem sido atirados para uma situação regulamentar e juridicamente nebulosa que, em caso de acidente, poderá ter consequências judiciais complicadas”.

Outro ferroviário, a propósito do acompanhamento de comboios de comboios com passageiros, pergunta: “Nunca acontece nada mas e se acontece, como é que é? de quem é a responsabilidade?”.

Nos comboios comercias, ao contrário dos revisores, refere que os maquinistas não têm formação no relacionamento com os passageiros, essa não é a sua função. “O que os maquinistas fazem é conduzir e desempenar comboios, não abrir portas em comboios comercias”, resume.

A adesão à greve de dia 4 teve impacto no sector e oferta de transporte, e a postura dos maquinistas, levou à publicação de uma nota do Sindicato Nacional da Revisão Comercial Itinerante, onde agradece por não “cederem às pressões”.

A suportar a questão está a procura de regulamentar as categorias que podem desempenhar o papel de agente de acompanhamento de comboios comercias e as atribuições nessa função, na operação CP.