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CP e MPI: Linha do Oeste soma e segue

Caldas_da_Rainha_Railway_StationNão é novidade que a CP tem cada vez menos comboios, tal como a normal manutenção do material tem limitações para responder à procura, ou que a soma dos dois tem como resultado uma rotina de supressão de comboios, o que falta são relatos que apontem para o caminho que se está a trilhar na oferta e como aposta transtorna a vida das pessoas.

Da linha do Oeste – um dos corredores onde a falta de automotoras ou de maquina e carruagens no parque de material circulante CP se reflecte com impacto – chega um relato ilustrativo da oferta e serviço prestado pelo modo ferroviário.

Além de explicar que no Oeste apanhar comboio é “uma lotaria”, porque nem sempre a ausência do modo de transporte é colmada pela presença de autocarros – os passageiros pode ficar sozinhos na estação – a Gazeta das Caldas remete para um caso que terminou com o apoio ao cliente da CP a recomendar o envio de email.

“Ligaram para o número verde da CP, mas o call center é tão eficiente que ouviram uma gravação a sugerir para enviar um e-mail”, escreve.

A situação, que teve lugar na linha do Oeste, passou-se na saída estudo de uma turma da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, de Caldas da Rainha, que recorreu ao comboio para se descolar a S. Martinho do Porto.

Professora e alunos, relata o jornal, adquiriram bilhete de ida e volta, sendo informados na estação que a viagem, tanto na ida como no regresso, seria de autocarro. Só que no regresso o autocarro não apareceu na estação, e contactado o suporte CP a resposta apontou para o uso do email.

A situação resolveu-se, relata a publicação regional, com recurso aos pais dos alunos e à própria professora:

“Sem alternativa à vista, os alunos ligaram aos encarregados de educação, tendo vindo um pai desde Peniche para S. Martinho com um carrinha de dez lugares resgatar parte da turma. Uma mãe e um primo vieram das Caldas e levaram os restantes. Mas a professora teve ainda de ir, a expensas suas, levar uma aluna ao Bombarral que já não tinha transporte”.

Se no plano social o enredo deixa em aberto muitas histórias que concorrem para o descrédito do sistema de transporte e hipotecam a credibilidade da CP e do seu serviço, não menos real é o plano politico que suporta a situação.

Recorde-se que a CP quis alterar horários no corredor. A solução, diminuição de número de comboios, iria mitigar/disfarçar a falta de material circulante.

Só que o Gabinete do Ministro Pedro Marques fez saber que o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (MPI) não estava ao corrente das intenções do operador, e referiu que não iria permitir a diminuição da oferta.

A sugestão do envio de email pelo call center, acaba por ser a resposta do terreno à intransigência na defesa do interesse das população por parte da Tutela e ilustrativa da estagnação a que o modo de transporte de passageiros está votado.

As linhas mestras do sector têm como base o Plano Ferrovia 2020 e a intervenção na EMEF, e a omissão do transporte de passageiros – para o imediato e para o curto prazo – até à chegada de material novo.

O Plano Ferrovia 2020 está associado à infraestrutura e destina-se às empresas de transporte ferroviário de mercadorias. Depois – reestruturação para uns, desmantelamento para outros – a EMEF traduz-se na integração na CP e na criação de Empresas para segmentos de negócio.

Para os passageiros, no imediato e a curto prazo, o ministro Pedro Marques avançou em Comissão Parlamentar que privilegia o aproveitamento do material circulante existente em detrimento de novos alugueres.

Não se sabe é como será aplicada a posição do MPI ao material circulante, quando em termos de orçamento disponível as cativações no sector rondam os 100 milhões de euros.

Sobre a situação, e com vista a haver luz ao fundo do túnel, para já, na linha do Oeste há “conversações [da CP] com a tutela para encontrar uma solução diferente”, escreve a Gazeta das Caldas a fechar o artigo.

Artigo completo encontra-se disponível para subscritores.