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Ainda há material histórico para arder no Algarve

Cocheira de Lagos

Cocheira de Lagos

Depois de um incêndio ter destruído material circulante de época, algum com indicação “Museu”, num armazém da estação de Vila Real de Santo António (VRSA), no inicio do mês passado.

Onde, questionada sobre a ocorrência, a empresa pública CP com mais de 160 anos de História demora mais de duas semanas para dizer que não e dona imóvel, não confirmar o número de peças que arderam no interior, o tipo de veículos, a titularidade dos mesmos e o estado em que ficaram depois do incêndio.

A plataforma webrails.tv aproveitou para emprestar alguma dimensão ao tema e recuperar um outro espaço onde se guarda acervo museológico no Algarve, e que parece esquecido.

Na outra ponta da linha, numa zona também por requalificar, está o núcleo de Lagos do Museu Nacional Ferroviário. A secção, única a sul do Tejo, encontra-se fechada. Ao contrário do armazém de VRSA tem acervo museológico.

Para enquadrar a situação actual do núcleo museológico a webrails.tv colocou algumas questões ao Município de Lagos e Carlos Nogueira, presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF).

Recorde-se que parte da estratégia da FMNF para ter as secções abertas, passa por ter a gestão partilhada com os municípios. Exemplos disso são os caso do núcleo de Lousado, com edilidade de Vila Nova de Famalicão, ou Macinhata do Vouga, na região centro, com a CM de Águeda.

No caso de Lagos a webrails.tv sabe que tem havido, ao longo dos anos, contactos para a reabertura do núcleo, mas sem sucesso. Foi nesse sentido que procurou inteirar-se da situação junto da autarquia.

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webrails.tv – Qual o ponto de situação da cocheira que alberga o Núcleo Museológico do Museu Nacional Ferroviário para a CM de Lagos?

CM Lagos - O edifício da cocheira encontra-se fechado. Têm sido efetuadas, desde 2006, várias diligências com a Fundação Museu Nacional Ferroviário no sentido de se desenvolver um projeto conjunto de valorização / reativação do Núcleo Museológico Ferroviário de Lagos.

lagos_mnf_2O último passo dado nestas “negociações” teve lugar em 2018, em Lagos, sendo que houve uma reunião com intenção de retomar e, eventualmente, assinar um Protocolo de Gestão do Núcleo Museológico em que a Fundação (proprietária das coleções) propunha ficar com a responsabilidade técnica; e que a gestão corrente, as obras necessárias e manutenção do edifício (propriedade das Infraestruturas de Portugal) e da sua envolvente e os recursos humanos ficassem responsabilidade da autarquia. O protocolo não chegou a ser formalizado.

webrails.tv- Há perspetiva de rentabilizar o equipamento e acervo para oferta cultural do município, e como?

CM Lagos - Como já foi referido, o espaço museológico não é propriedade do Município, apenas podendo ser musealizado com um investimento municipal avultado.

Neste sentido, e porque áreas como a da educação e da habitação são as prioridades definidas nas linhas de ação da Câmara para os próximos anos, a reativação deste Núcleo é importante mas não se afigura, para já, oportuna.

webrails.tv – Em que medida edifício e acervo estão salvaguardados enquanto não há rentabilização?

CM Lagos - O edifício em questão encontra-se geograficamente localizado junto à atual Estação de Comboios de Lagos (que conta com um segurança em permanência).

A secção de Lagos detém no seu acervo duas locomotivas, a 013 e a 033, duas carruagens, a SF30004 e a SFV 13, além de quadriciclos e uma dresine para quadros superiores.

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A webrails.tv procurou apurar a perspectiva da Fundação através da CP e junto de um contacto da instituição. Em ambos sem sucesso no alcançar dos responsáveis.

O presidente da CP, Carlos Nogueira, assumiu o cargo de presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, as questões colocadas via CP foram um não assunto. Não houve respostas.

Carlos Nogueira assumiu a responsabilidade da entidade mas não o compromisso de ajudar a compreender a posição e actual ponto de situação do núcleo e acervo que está em Lagos, se existe algum projecto com vista a rentabilizar o espaço e as peças, e depois do que ocorreu em VRSA que garantias há que o que está em Lagos está protegido.

Cenário que lado da Fundação, apesar de várias tentativas de contactos, também não foi possível obter.

Incêndio de Vila Real de Santo António

Relativamente à questões colocadas sobre o incêndio ocorrido em Vila Real de Sto. António  a CP informou que “desconhece qual a causa do incêndio”.

De fora ficaram questões como de quem eram os veículos que estavam no armazém que ardeu, se se confirmava a existência de peças para Museu no lote, quais seriam, o que ardeu ou se se salvou alguma peça.

Mas respondeu, para lá das causas, a titularidade do armazém. “Mais informamos que o imóvel, alvo do sinistro, não pertence a qualquer empresa do grupo CP”, adiantou a empresa publica onde o presidente Carlos Nogueira que acumula, desde Fevereiro, funções de presidente da FMNF.

Embora o quadro fornecido pelo operador publico esclareça que não é dono imóvel, fica a dúvida se havia algum material circulante, quem seria o dono, e se realmente ardeu alguma coisa no edifício.

Parece que sim, que ardeu alguma coisa, e consta que a IP, empresa detentora e gestora da infraestrutura, participou o sucedido às autoridades e também à CP.

O edifico, que se encontrava em bom estado numa estação guarnecida com um pólo oficinal da EMEF perto, ficou destruído bem como todo o material circulante que lá estava dentro, apurou a webrails.tv.

Dada a reserva da empresa pública CP fica por esclarecer, por exemplo, quem era o dono dos guindaste e carruagem destruídos no incêndio com a indicação “Museu”.

Mais nítido neste caso é que o núcleo de Lagos ficou a perder com o incêndio. Serão menos duas peças para o acervo e colecção do espaço, que por enquanto se encontra fechado.