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Falta de investimento obriga CP a prestar mau serviço publico

O protagonismo da supressão de comboios, ou oferta enganosa, na CP começa a ser noticia, o problema é que nem Tutela ou administração da empresa publica transpiram soluções.

O ministro Pedro Marques, em intervenção na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, na passada quarta-feira disse: “temos limitações muito grandes [para a adquirir] material circulante”.

O novo material circulante não resolve a supressão de comboios da actualidade. Depois do lançamento do concurso internacional, só dois a três anos depois da adjudicação ao construtor é que começa a chegar novo material circulante.

Há ainda a questão da falta de verba para financiar o concurso de aquisição de novos comboios, anunciado para o final do semestre que agora terminou, mas que não aconteceu e não parece ser uma prioridade.

A situação, que não se coloca no financiamento ao sistema bancário, na ferrovia agrava a situação de quem anda de comboio. Em principal daqueles que não tendo carro não têm na rodovia outra solução tão cómoda e prática como o comboio.

A falta de pessoal nas áreas da manutenção e tracção, peças em armazém, manutenção, a supressão de comboios, oferta de transporte enganosa pela CP, são sintomas cada vez presentes na rotina diária do modo de transporte, agravado pelo esquecimento de que a ferrovia também é passageiros.

Porque, ainda no domínio da pasta do sector, parece que a ferrovia portuguesa se resume à infraestrutura e à aposta nas mercadorias. Embora não pareça as pessoas também usam comboio. Mas, mesmo para as mercadorias, são anúncios de obra quando ainda faltam alguns km para chegar ao terreno.

No plano Ferrovia 2020 o roteiro de projecção no terreno passa por projecto, empreiteiro, consignação e obra. O ciclo que pode superar mais de um ano até homens e máquinas comerem a trabalhar.

Depois está oferta de transporte, em corredores como o Oeste, quando há comboio, ou como no serviço Interciades de Évora onde a CP substitui uma oferta de qualidade por um comboio inferior e não o reflecte no bolso dos clientes. Só se reflecte se o cliente reclamar.

A situação no Oeste está bater no fundo. Na passada sexta o dia foi de referência para quem segue a ferrovia. Não houve comboio na linha do Oeste entre Caldas da Rainha e Coimbra.

A supressão de comboios no corredor não electrificado já leva a que na imprensa regional apelide o operador público CP de “Camionetas de Portugal”, ou na parte sindical,  a sugestão siga para a criação de ACE com a Barraqueiro. A inspiração surge na banalização do recurso à rodovia para suprir os problemas de estabilidade na oferta.

Para sensibilizar o poder politico a região mobilizou e marcou presença junto à sede a Tutela sectorial este domingo.

Entretanto, o jornal Dinheiro Vivo, adianta sobre o cenário: “Entre 22 de maio e 1 de Julho, foram realizadas nada menos de 31 viagens em que as carruagens Corail, puxadas por uma locomotiva elétrica e que servem para as ligações Intercidades, foram trocadas pelas unidades UTE 2240″, adianta o jornal Dinheiro Vivo.

A CP aponta a dificuldade na gestão de material circulante para justificar as falhas no serviço. Mas não será só.

A posição de sucessivas administrações deixa a desejar. Com visão ampla do sector, o melhor que têm conseguido fazer é abrir e promover concursos de abate de material circulante.

As nomeações da Tutela limitam-se a gerir o impacto quando têm espaço e responsabilidade para apresentar soluções e mitigar a gestão apertada de material. Responsabilidade quando, em cima da mesa, está estancar e aumentar a oferta de transporte até à entrada de novos comboios ao serviço.

Cabe fazer pressão junto da Tutela e do IMT, para colocar material encostado ao serviço em linhas deficitárias e parar de envergonhar a empresa publica. Prestar serviço publico que serva as populações onde o comboio é suprimido.

Linhas onde políticos e sucessivas administrações não cumpriram o seu papel.