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NOHAB: automotoras em modelismo da JG Modelismo

Um dos projectos mais arrojados ao nível artesanal de material ferroviário português, é a produção das automotoras Nohab da CP, pela JG Modelismo, de Jorge Garcia. Esta produção envolve as duas versões da bitola larga, a Nohab 0050, mais curta e a Nohab 0100, mais longa. Originalmente o projecto foi iniciado com a Modelismo Artesanal, a primeira produção da Nohab 0050, mas finalmente, as restantes 4 produções, 2 para a Nohab 0050 e duas para a Nohab 0100, foi a JG Modelismo que levou o projecto até ao fim, pela ordem apresentada.

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A principal evolução da 1ª para a 2ª série das Nohab 0050, foi a rectificação da cabina e frente da automotora. Esta rectificação foi feita com a ajuda da Arlo-Micromodel, que foi a responsável pela produção para a JG Modelismo de todas as séries.

Um pouco de história: estas automotoras circularam praticamente sempre a sul do Tejo desde 1948, data da sua entrada ao serviço, nomeadamente no Alentejo. Também puderam ser vistas em Badajoz e Valência de Alcântara em Espanha, tendo terminado em 1981 e 2005 a sua carreira, respectivamente para a Nohab 0050 e Nohab 0100.

Mod_JG_IMG_7392Algumas foram vendidas à Argentina e por lá ainda (?) circulam. Completariam este ano 72 anos de circulação em Portugal, sendo portanto relevante a sua reprodução à escala H0. Resta apenas a unidade Nohab 0111, em mau estado, preservada no MNF. Existe uma obra de referencia destas automotoras, publicada pela APAC.

Focando agora nos modelos da JG Modelismo, são modelos artesanais, manufacturados e pintados à mão, facto que tem peso na apreciação que se segue. A versão Nohab 0050 teve 3 edições e a versão Nohab 0100 vai na segunda edição, todas esgotadas. Esta apreciação é com base na segunda produção da Nohab 0100, a ultima, que corresponde à versão em que os arrumos tinham janela, e a área reservada à 1ª classe compreendia 3 janelas de salão, correspondente aos números UIC 104, 109, 110, 111, 112, 113 e 115. Entre as várias edições há diferenças de construção e soluções técnicas, muitas delas resultantes da experiência e de problemas identificados nas anteriores, sobretudo nas Nohab 0050:

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PONTOS FORTES

  • A embalagem é boa e protege o modelo quer arrumado quer em transporte, pendendo a nossa preferência para a caixa usada na Nohab 0050;
  • A curvatura da cabine está muito mais próxima da realidade na Nohab 0100 do que na 1ª série da Nohab 0050;
  • Os bugies e o diâmetro dos rodados destes estão à escala na Nohab 0100, mas os rodados da 1ª série Nohab 0050 estão visivelmente grandes;
  • A motorização é de construção Arlo-Micromodel, de forma a respeitar as medidas originais à escala, é eficaz e suave;
  • Os rodados são RP25;
  • A versão digital é bem conseguida e o nível de percepção sonoro é bom;
  • As cabines estão correctamente detalhadas, incluindo um detalhe visível do exterior, um extintor;
  • O interior do salão também está correcto;
  • Os decalque bem aplicados, conseguem-se ler.

PONTOS FRACOS

  • O interior, apesar de correcto, é pouco detalhado com excepção das cabinas de condução;
  • Fragilidade da fixação dos vidros.

Mod_JG_IMG_7390_7394_7395_7401Nesta ultima produção, estamos na presença de modelos feitos tanto para coleccionadores como para modelistas que gostam de ver os modelos a circular. A próxima  produção das Nohab 0100, será na versão em que os arrumos não tinham janela, esta estava chapeada. Nesta terceira produção, estão incluídas versões azuis dos anos 60 e também as mais modernas, com as listas frontais em A como nos anos 70 e também com as listas idênticas às duas produções comercializadas até agora, como nos anos 80/90, mas correspondentes a novos números 101, 102, 103, 105 a 108 e 114. A expectativa é que esta comercialização possa ser feita durante o terceiro trimestre de 2020. Se a procura se justificar, há intenção de produzir mais uma série até ao fim de 2020.

Questionado sobre modelos futuros, Jorge Garcia revela a intenção de avançar com um modelo das automotoras Allan, da série 300, portanto antes da grande renovação que deu origem à serie 350, se o mercado mostrar interesse.

Desafio: para quando a produção dos reboques? Para as actuais Nohab e futuras Allan…

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