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Custos escondidos da dispersão urbana – o défice e a dívida …

A redacção reproduz um texto e apresentação recebidos que reflectem a leitura do autor a propósito da necessidade de uma visão estratégica e planificada dos diferentes modos de transporte para a mobilidade de pessoas e mercadorias, a um escala local, regional e nacional.

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Bom dia

No passado dia 11, tive a oportunidade de apresentar na Sociedade de Geografia a metodologia que está a ser seguida nos EUA para se combater os custos escondidos da dispersão urbana. A metodologia resumida no livro do “Urbanism in the Age of Climate Change” (Calthorpe, 2011).

Sendo um problema estrutural grave que existe em Portugal, em particular, na sua faixa litoral de 50 mil kms2 – na qual vive e trabalha 90% da população portuguesa (PNPOT2007) – a análise e avaliação deste problema está por fazer. Esta metodologia deve servir a esta reflexão e trazer uma dinâmica de regulação e de ordenamento que não estão inscritos nem no PNPOT2018 nem no PNI2030.

Junto um pequeno texto e o ficheiro da apresentação, os quais sintetizam uma equação e proposta de solução baseada na interoperabilidade ferroviária.

Entre outros exemplos que defendo, as redes de Tram-Train permitem uma integração e maior coesão social, territorial, ambiental e energética desta faixa litoral (do Minho ao Algarve), sendo uma séria alternativa à dependência do automóvel e a redução do stress económico e fiscal da agenda neo-liberal.

Os resultados apresentados pela perspectiva do “Green Urbanism” servem para exemplificar como é que se pratica o Planeamento Estratégico, num Estado capitalista liberal, no combate aos efeitos negativos da dispersão urbana, precisamente, no Estado que serviu, na década de 50, para se ter destruído as redes de TC e proliferado o automóvel, naquilo que se designa comummente como “modelo californiano”.

Agora, a política pública tem sido revertida, a esse nível, e o combate às “alterações climáticas” passa por uma alternativa em políticas TOD (Transit Oriented Development) com mais TCSP (Transporte Colectivo em Sítio Próprio), destruindo os “10 mitos da dependência do automóvel”.

E em Portugal, o que se planeia e agenda? Numa análise ao PNPOT 2018 e ao PNI2030, essa agenda passa ao lado e afunda financeiramente o país, para além dos impactos directos nas pessoas.

É preciso mesmo mudar de paradigma e a avaliação da geografia do território e das deslocações tanto de pessoas como de mercadorias, merecem esta melhor atenção.

Sem outro assunto, cumprimenta

Carlos Gaivoto

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