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Sessão na Sociedade de Geografia em 11 de julho de 2018 sobre perspetivas de desenvolvimento da ferrovia/PNI2030

O Auditório Adriano Moreira, na Sociedade de Geografia de Lisboa, recebeu no passado dia 11 de Julho Conferência “As infraestruturas ferroviárias em Portugal e as perspectivas de desenvolvimento a curto e a médio prazo”.

Na base da iniciativa esteve o contributo sobre os investimentos do PNI2030. Sentido em que se divulga a nota recebida na redacção.

 

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Assunto:

Sessão na Sociedade de Geografia em 11 de julho de 2018 sobre perspetivas de desenvolvimento da ferrovia/PNI2030

Exmo(a)s Senhore(a)s

Tenho o gosto de vos enviar as três apresentações da sessão referida, que julgo de interesse no contexto atual em que o governo anunciou a discussão do plano de investimentos 2030 a ser co-financiado pela União Europeia.

Como mostrado nas apresentações, o desenvolvimento da ferrovia integra-se numa estratégia de descarbonização e redução das importações de combustíveis fósseis, e de recomposição urbanística e industrial.

Trata-se portanto de uma área em que os elevados investimentos que exige são justificados, apesar dos constrangimentos financeiros do nosso país, pelos benefícios sociais que traz, requerendo contudo um rigoroso planeamento.

A participação pública em questões estratégicas como estas deve, penso, ser considerada como imperativo, pelo que a comunicação social é chamada a desempenhar um importante papel na sua dinamização, razão pela qual faço este envio.

Gostaria de destacar nessas apresentações a problemática de desenvolvimento de uma nova rede ferroviária de bitola UIC interoperável com a rede europeia que suporte a exportação de mercadorias quer produzidas no país, que recebidas através dos nossos portos. As novas linhas dessa rede, para tráfego misto (para passageiros de alta velocidade e para mercadorias a 100-120 km/h) deverão ter caraterísticas internacionais que as linhas existentes não têm, assistindo-se a algum menosprezo pelas entidades oficiais pelos compromissos assumidos com a UE para a construção dessas linhas até 2030 e à sucessiva perda de oportunidades de co-financiamento pela inexistência de projetos. Infelizmente, a manutenção das linhas existentes e o combate à sua degradação absorve elevadas verbas, e não se põe em causa a competência dos técnicos que a executam, mas é possível, com o apoio da UE, preparar um plano de execução progressiva da rede interoperável com as caraterísticas internacionais, incluindo a bitola UIC, o que não tem sido feito.

Gostaria ainda de destacar, ao nível da ferrovia nas áreas metropolitanas, a análise apresentada, reclamando a elaboração de estratégias de planeamento integrado dos transportes urbanos e suburbanos intimamente associado à organização do território em termos habitacionais e industriais. E também contra o desperdício energético nos transportes, sabendo-se que a justificação do transporte ferroviário, quer de passageiros, quer de mercadorias, assenta na maior eficiência energética e consequente menor emissão de poluentes que deriva do menor atrito roda de aço-carril quando comparado com o atrito pneu-asfalto. Numa altura em que se expande a ideia de substituir transporte ferroviário por rodoviário e num país altamente dependente da importação de combustíveis fósseis, convém sublinhar isso. Igualmente interessa debater aprofundadamente o plano de expansão do metropolitano de Lisboa, previsivelmente envolvendo custos por km superiores ao normal.

As opiniões expressas são da responsabilidade apenas dos autores e podem ser utilizadas, se possível com indicação da origem.

Com os melhores cumprimentos

Fernando Santos e Silva

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Intervieram na sessão, dinamizada Secção de Transportes da Sociedade de Geografia de Lisboa, o eng. L. Cabral da Silva com “As ligações ferroviárias à Europa no contexto dos corredores transeuropeus”, o eng. Fernando Santos e Silva com “As redes ferroviárias urbanas: objectivos e planeamento”, e o eng. Carlos Gaivoto com “Transporte ferroviário: “Visão e Planeamento Estratégico”.