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CP lança concurso para reciclagem de componentes

A CP Comboios de Portugal lançou a concurso 10 Lotes de equipamentos e materiais ferroviários retirados da exploração, para reciclagem. Na sua maioria tratam-se de peças associadas a material circulante, algum ainda em circulação.

As propostas de potenciais interessados em desocupar o terreno e proceder à reciclagem de ferro, cobre e outros metais nobres, têm até dia 9 de Agosto para chegar à CP.

A dar volume ao negócio estão mais de mil itens, e quatro mil toneladas de materiais a reciclar, entre rodados, bogies, motores de tracção, geradores, rolamentos.

sucataA venda de equipamentos e materiais ferroviários retirados da exploração acontece poucos meses depois da CP ter lançado um outro concurso, que acabou por suspender, por integrar material histórico.

O insucesso do encaixe para os cofres do operador teve como mote a repercussão publica que o conhecimento da lista provocou dentro e fora de portas.

Não por causa da Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF), ou Museu dependente da mesma, mas derivado à indignação da opinião publica que não se identificou com falta de sensibilidade de quem fez a lista, e da administração do operador  publico que a confirmou.

Entre os veículos colocado então no lote de material circulante para reciclagem estavam locomotivas a vapor, e peças de valor histórico e museológico.

Na ocasião a webrails.tv teve oportunidade de questionar o operador histórico, já depois de ter bloqueado o processo, sobre quais as que alternativas tinha para o material circulante histórico, e contributo que a sociedade podia ter para contribuir no gesto.

A resposta ainda não chegou. No entanto, a reserva em dizer qual alternativa, ou o papel que aficionados e sociedade podiam ter, uma vez bloqueado o processo; poderá não ser estranha.

Não será descabido pensar, olhando para exemplos recentes, se a reserva não serviu para diluir o ruído, deixar andar, voltar a hibernar os veículos no processo de degradação, e quando estiverem num estado ainda mais degrado, as peças aparecerem novamente numa lista anual de reciclagem do incumbente.

2500/50

Neste ultimo concurso, curiosamente, ou talvez não, constam bogies da série 2500/50 para reciclagem. Acontece que no sector corre que as peças foram colocadas à disposição da instituição MNF e que esta declinou.

A falta de interesse não deixa de ser estranha quando no acervo do Museu estão as duas ultimas unidades da série, e um delas, a 2501, estava até à pouco tempo em estado operacional.

A locomotiva eléctrica, já na posse do Museu, circulou a rebocar comboios em viagens especiais, e havia rotina de ser colocada a trabalhar com alguma regularidade, por um voluntário.

A situação de reciclagem remete para a destruição de componentes que podem ser considerados sobresselentes para as únicas unidades da série. No caso das 2500/50 do Museu não deixará de ser curioso se o futuro passar por canibalizar a 2551, que está dentro do Museu, para a 2501 circular.

Mas a visão da FMNF para além do que a instituição é agora, um Museu que abriu portas, é um mistério, e quando se pensa como uma terceira dimensão no sector, para além do transporte de passageiros e mercadorias, enquanto operador num segmento cultural e turístico é uma utopia.

Entretanto

Nos dez lotes, além de bogies e rodados, há ainda componentes para várias séries de material circulante. Algum ainda no activo outro já como acervo de museu.

Também aqui se desconhece o papel do Museu Nacional Ferroviário na interpretação do que vai ser reciclado. Não se sabe, por exemplo, se a instituição defendeu os seus interesse, ou até se tem e quais são esses seus interesses.

Mas se a instituição não sabe, existe quem lembre que esta pode e deve ter um papel enquanto museu em movimento, e nesse sentido questione o que fez face ao anuncio da CP.

Nomeadamente se marcou presença no processo e verificou se existem itens a salvaguardar, tendo como base ser um museu com componente de movimento. Sentido em que é relevante ter banco de peças para o acervo e que privilegie a recuperação e operacionalidade de veículos.

Uma vez que constam peças de época no lote, e que a reciclagem será um limpar de armazém, a perspectiva é relevante quando no curriculum da instituição já consta a pratica de canibalismo no acervo.

Como referência estão duas carruagens B600, um tema já abordado pela webrails.tv, e que remete para o delapidar de acervo por causa por falta de conhecimento ferroviário.

As carruagens, acervo do Museu, encontram-se encostadas sem rodados, à sua sorte, em terrenos da EMEF no Entroncamento.

Foram ali colocadas para que fossem retirados e levados para o comboio presidencial. O objectivo versou o estado de marcha do produto turístico “The Presidential” no Douro.

Nada demais se, no tempo da comissão instaladora do MNF, esses veículos não tivesse sido recuperados e entregues à instituição em estado de marcha.

Depois porque a FMNF desvalorizou acervo para uma parceria onde não tem retorno para a tesouraria. O Museu tem dificuldades financeiras, e não existem indicadores do valor que o “prestigio” aporta ao funcionamento e missão da entidade.

Para já sabe-se que a reciclagem irá marcar o fim de linha para alguns componentes de material abatido ao serviço nos últimos anos, sendo que alguns desses veículos figuram no Museu.