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Pressão CP de demolição coloca vagão português de 1885 em Barcelona

vagao1885Um vagão português de bitola ibérica do ano de 1885, que pertenceu ao comboio socorro da Régua, linha do Douro, seguiu no dia 27 de Julho, sexta-feira, da cidade do Porto para Barcelona.

Na base da movimentação, o veículo estava estacionado em Contumil, está uma carta da Direcção de Material e Tracção da CP datada de 11 de Maio, com um ultimato para a retirada do vagão do parque de material circulante.

“A partir de 31 de Julho, se o mesmo  [vagão J Sf 50002] não for retirado, será cobrado ao seu proprietário, um valor mensal a partir de 1 de Agosto até 31 de Dezembro de 2018, de 1000 euros, a que acresce IVA à taxa legal em vigor”, lia-se no documento.

Para rematar: “após 31 de Dezembro de 2018, caso o proprietário continue sem retirar o veículo, a CP vai considera-lo perdido a seu favor, sendo demolido e vendido para sucata”.

O operador histórico comprometia-se ainda, caso o titular do vagão, não assumisse as mensalidades de 1230 euros, a accionar os meios necessário com vista à CP ser ressarcida.

A decisão de ordenar a retirada do veículo, refere o documento, deveu-se “à necessidade da CP utilizar o local onde se encontrava o vagão”, derivado “ao exíguo espaço existente para parqueamento de material em Contumil”.

Segundo apurou a webrails.tv, dizem que Carlos Nogueira, presidente da CP e Fundação Museu Nacional Ferroviário, não estava ao corrente da carta, e que se terá disponibilizado para reverter a situação.

No entanto, a carta diz que a comunicação foi envida em conformidade com a “decisão tomada pela Administração da CP”. Por outro lado, com ou sem mudança de posição, o destino do vagão já estava definido.

. Momentos que antecederam a partida do vagão J Sf 50002 para Barcelona.

De referir que o veículo seguiu para Espanha porque em Portugal as empresas do sector que detém o património ferroviário, CP e IP, não têm capacidade para desenvolver uma exploração cultural e turística temática que rentabilize edificado e material circulante, e se exprima na ambição de contribuir para a criação de emprego, coesão social e desenvolvimento económico.

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Rumo a Barcelona para restauro e exposição

O peça histórica foi adquirido por 3 co-proprietários em nome da empresa Armando Lobato – Sociedade Unipessoal – Lda., à CP em 2007.

Antes da compra, apurou a webrails.tv, houve diversas reuniões com as administrações da CP, EMEF e FMNF, que terminaram em acordo.

Aos proprietários cabia a responsabilidade do Restauro do veículo e Deposito no Museu Nacional Ferroviário para fruição do publico.

Às restantes entidades, no acordo, cabia o parqueamento do vagão em conjunto com ouras peças museológicas e a movimentação até ao Entroncamento após Restauro.

Esse foi o intuito com que o vagão transitou da Régua para o Porto/Contumil. Na sequência foram solicitados orçamentos de Restauro à EMEF. No entanto a carta da Direcção de Material e Tracção da CP, a fazer pressão para a retirada do veículo, chegou primeiro.

Não havendo inicialmente abertura da CP, face aos custos e ameaça, foram estabelecidos contactos com CEHFE – Centro de Estudios Históricos del Ferrocarril Español.

Após uma troca de emails surgiu uma minuta de contrato de Depósito do vagão, onde ficou acertado o restauro e exibição publica do acervo.

O custo do transporte até Barcelona e descarga ficou a cargo do CEHFE. À parte portuguesa correspondeu o custo da grua que elevou o vagão.

A movimentação do material, carregamento para o transporte especial teve lugar ao inicio da tarde de sexta-feira. A chegada ao destino, Martorell, na costa mediterrânica está previsto para segunda-feira.

Junto da instituição espanhola o vagão Jsf 50002 deverá ser alvo de restauro, recuperação de estado de marcha exposição publica.

O vagão resultou de uma encomenda de 15 peças ao construtor belga Morlanwelz em 1885. A série esteve associada ao transporte de mercadoria diversa.

Por volta da década de 60/70 do Séc. XX, foi convertido a comboio socorro. A função preservou a peça como exemplar único da série.

Assinalar que a peça, em trânsito, não deixou alheia a atenção de quem se cruzou como o transporte especial. Segundo informação veiculada pelo motorista, quer em movimento, quer nas paragens de descanso obrigatórias, o vagões foi alvo olhar curioso ou motivo para tirar fotografias.