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Comboios manifestam-se 3 de Outubro

Várias organizações representantes de trabalhadores (ORT) anunciaram uma manifestação no modo ferroviário para 3 de Outubro. Em causa está a crise que se vive no sector e que se expressa na falta e diminuição da oferta de comboios de passageiros.

Um dos reflexo visíveis será, com indicação de que será definitivo, a supressão do primeiro comboio da manhã entre Lisboa e Porto, nos novos horários a partir deste mês.

A composição do serviço Alfa Pendular termina a marcha em Porto Campanhã pouco antes das nove da manhã, com a nova oferta desaparece.

A supressão da oferta, mas também a falta de quadros na empresa de manutenção EMEF para reparar comboios, ou a necessidade de haver respostas e promover compromissos, levaram à tomada de posição de organizações de trabalhadores – (CT da CT * CT da EMEF * CT da IP * FECTRANS * SNTSF * SNAQ * SINFESE * SIOFA * SINFA *ASSIFECO).

O clima que se vive no modo de transporte coloca em causa interessa às populações, na medida que limita e torna mais cara a mobilidade. A supressão ou diminuição da oferta no longo curso, regional e urbano limita, terá impacto na qualidade de vida.

Em reunião que teve lugar na segunda feira as ORT emitiram a Declaração Conjunta que a webrails.tv publica em baixo na integra:

 

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DECLARAÇÃO CONJUNTA
- DEFENDER UM SERVIÇO FERROVIÁRIO PÚBLICO -

As organizações de trabalhadores e utentes consideram que:

1. A degradação de todo o sector ferroviário decorre de um conjunto de políticas erradas, assente no desmembramento da CP em diversas empresas que, uma vez separadas, passaram a ter como objectivo os resultados individuais de cada ano, em detrimento do funcionamento do conjunto do sector comprometendo a componente pública do transporte ferroviário, a sua segurança, modernização e desenvolvimento.

2. Simultaneamente os governos reduziram sistemática e continuamente as verbas para manutenção da infraestrutura e do material circulante (e muito menos para aquisição de material circulante novo) o que hoje se manifesta na degradação do serviço, com constantes supressões e atrasos, sendo cada vez mais difícil conseguir cumprir os horários programados.
3. Nesta política de desinvestimento reduziu-se continuamente o número de trabalhadores ao mesmo tempo que se tentaram melhorar artificialmente os resultados financeiros de algumas partes do sector (à custa do prejuízo de outras e da qualidade do serviço) tudo com o objectivo de facilitar a privatização das partes com maior potencial de lucro.

4. As consequências deste caminho manifestam-se hoje, nomeadamente, na falta de capacidade operativa da EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, antigas oficinas da CP); no cada vez menor número de estações com assistência a passageiros, o que causa enormes filas para aquisição dos títulos de transportes num cenário em que a maioria das estações e apeadeiros estão desguarnecidos de trabalhadores ferroviários, deixando abandonados utentes e o património público que levou décadas a construir.

5. O estado a que o sector chegou vem dar razão às posições que ao longo de muitos anos foram assumidas pelas organizações dos trabalhadores e que se mantêm actuais: indemnizações compensatórias para o serviço público prestado; dotação orçamental que garanta a manutenção dos activos; investimento sustentável e contínuo; admissão de trabalhadores e de colocação de todo o sector ferroviário – Infraestruturas, operação e manutenção/reparação, debaixo de um único comando, colocando todo o sector a trabalhar para o mesmo objectivo – a produção de transporte ferroviário ao serviço das necessidades do País, com segurança, qualidade e fiabilidade;

6. Não se resolvem os problemas de hoje com promessas de investimentos para amanhã que apesar de necessários e urgentes vão sendo sistematicamente adiados. Chega de repetir as mesmas promessas cada vez que trabalhadores e populações se manifestam em defesa do transporte ferroviário! É necessária acção enérgica imediata.

7. Os acontecimentos das últimas semanas levam as organizações de trabalhadores a recolocarem aqui as suas reivindicações:

8. Um plano nacional de transportes que defina o que a cada modo de transporte compete, articulados complementarmente entre si de modo a levar o transporte público a todo o País, combatendo desta forma as assimetrias territoriais e invertendo o paradigma de utilização do transporte individual em detrimento do transporte colectivo;

9. Medidas concretas de investimento na ferrovia com vista a modernizar as infraestruturas, o material circulante e as instalações, de modo a dotar o País de um transporte ferroviário moderno e desenvolvido;

• Admissão de trabalhadores para todas as empresas do sector ferroviário, de modo a melhorar a capacidade de resposta de todas elas, com uma significativa melhoria no atendimento e assistência aos utentes;

1. Horários em toda a rede que correspondam às reais necessidades das populações, articulados com os restantes modos de transporte de modo a acabar com o isolamento de muitas povoações no que concerne ao transporte público;

2. O aprofundamento de uma política tarifária com cariz social que torne universal o acesso dos cidadãos e que seja incentivadora da transferência da utilização do transporte individual para o transporte público;

3. A recolocação de todo o sistema ferroviário debaixo de um comando único e com o objectivo de aprofundar a componente social do transporte ferroviário, pondo em primeiro lugar os ganhos para o País e o serviço prestado aos cidadãos;

Na defesa destes objectivos, as organizações subscritoras, decidem:

Lançar uma campanha de esclarecimento e mobilização da opinião pública, nas principais cidades do País, entre os dias 13 a 24 de Agosto;

Promover, entre os dias 20 de Setembro e 3 de Outubro, acções em todo o País, na forma de tribunas públicas, concentrações, etc. a terminar em Lisboa com uma concentração/manifestação de organizações e trabalhadores ferroviários e Organizações de Utentes;

Realização de um “Fórum Ferroviário” no dia 24 de Outubro que debata as questões do transporte ferroviário na óptica do reforço da componente social, ao serviço do País, das populações e com os ferroviários.

Lisboa, 1 de Agosto de 2018

 

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Na reunião ficou ainda acordado que, durante este mês, será distribuído um comunicado à população.

Será ainda efectuada uma campanha de acções em todo o País, com início a 20 de Setembro e fim a 3 de Outubro com uma concentração/manifestação em Lisboa das Organizações de trabalhadores que subscreverem esta declaração, de ferroviários e de organizações de utentes.

Outra das decisões saídas da reunião foi a da realização de um “Fórum Ferroviário” no dia 24 de Outubro para debater as questões do transporte ferroviário na óptica do reforço da componente social, ao serviço do País, das populações e com os ferroviários.