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60 anos de tração elétrica no Entroncamento

Em boa hora a Associação dos Amigos do Museu Nacional Ferroviário (AMF) voltou a realizar uma exposição na Galeria Municipal.

Quem sempre se bateu pelo Museu, soube usar o centro cidade para manter vivas e divulgar as suas convicções e iniciativas. Com isso angariou simpatizantes, mobilizou vontades e conseguiu a visibilidade da comunicação social. É, pois, com grande satisfação que vejo a AMF voltar à Galeria Municipal para comemorar uma efeméride da historia ferroviária que, mais uma vez, tem diretamente a ver com o Entroncamento.

pinhaldaLameiraA ideia de que o Museu Nacional Ferroviário não era só no Entroncamento, mas também era do Entroncamento, nunca abandonou o pensamento dos associados, dos autarcas e de muitos entroncamentenses.

Infelizmente esse namoro da cidade como o MNF nunca chegou a união de facto e, provavelmente, se não fossem as borlas em dias festivos o alheamento seria maior.

A tradicional cultura ferroviária está a desaparecer numa das terras que mais contribuiu para a sua afirmação. Ditam-no fatores internos ao Caminho de ferro como, por exemplo, a evolução tecnológica que fez com que a assistência ao material circulante seja menor e, por isso, se concentre em menos grupos oficinais. Simultaneamente, e em consequência da consideração anterior, os modelos de gestão das empresas mudaram. Estas não podem continuar, ilimitadamente, a agravar a dívida publica e, por isso, para evitarem o peso de uma mão de obra excessiva, passaram a recorrer à contratação externa. Percebe-se, assim, que estes trabalhadores que vão diariamente às oficinas da EMEF prestar serviço não são ferroviários.

A estes juntam-se fatores externos, como, por exemplo, a quebra demográfica e a evolução sócio económica das populações que tinham o comboio como meio de transporte e que, por um motivo ou por outro, deixaram de o ter. Com isso, o Entroncamento perdeu o seu lugar de referência regional e, naturalmente, a cidade está a ressentir-se.

Se no quotidiano, para a nossa cidade, o objecto caminho de ferro está a perder a importância económica e social tradicional que tinha. A que lhe esteve na génese. Pode, agora pelo lado da história, da cultura e da oferta turística diferenciada, adquirir um novo fôlego. É-lhe reconhecido o potencial. O que não sabemos é se as instituições com responsabilidades no assunto estão a fazer tudo quanto podem para mudar o paradigma de desenvolvimento urbano, económico e social. Mas isso não é assunto para hoje.

Hoje é tempo para afirmar que a AMF está a cumprir. A exposição 60 Anos da Chegada da Tração Elétrica ao Entroncamento tem o mérito de agregar um conjunto de imagens e de pequenos textos evocativos da efeméride, da sua relevância na evolução da tecnologia ferroviária em Portugal e, simultaneamente, do papel do Entroncamento no contexto da rede ferroviária nacional. A narrativa começa na estação em Santa Apolónia, onde as personalidades do Estado e da CP se encontram para apanhar o comboio inaugural, e termina no Entroncamento, onde o povo aguarda a sua chegada e faz a festa.

Os painéis azuis, da cor da ganga do pessoal das oficinas, que suportam as fotografias com os locais, as pessoas e os equipamentos que fizeram o acontecimento, sucedem-se cronologicamente ao longo de uma das paredes. Material de tração elétrica da CP e recortes de imprensa da época, preenchem as outras duas.

Sem excesso de informação, a exposição cria um espaço simultaneamente lúdico e didático que vale a pena visitar.

autor: Carlos Barbosa Ferreira