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Pocinho em agenda IP e município de Foz Côa este mês

Há um privado interessado em investir no edificado ferroviário do Pocinho, revelou Gustavo Duarte, presidente da CM de Vila Nova de Foz Côa, à webrails.tv. O assunto será para abordar este mês Setembro ente IP e Município.

Pocinho_oficinaEmbora sem adiantar data, a reunião também foi confirmado junto da IP Património. “De momento ainda pouco se pode adiantar, mas em setembro irá decorrer uma reunião entre a IP Património (IPP) e a CM de Vila Nova de Foz Côa”, informou.

Gustavo Duarte, por seu turno – colocada a questão da necessidade de recuperar e rentabilizar o edificado da antiga estação de concentração da linha do Douro – adiantou que como está “não é um bom cartão de visita” e revelou que há o interesse de privados no complexo.

“Qualquer investimento que seja para reabilitar aquele património, a CM vê com bons olhos. Como lhe digo, neste momento está aí um privado com algum interesse em reabilitar aquele edificado para fazer alguma coisa ligada ao turismo. Em principio, no próximo mês [setembro] vamos ter uma reunião com a Infraestruturas, para ver o que se pode fazer”.

No antigo complexo ferroviário do Pocinho – entroncamento onde se fazia a ponte para a linha do Sabor e se seguia até Espanha e centro da Europa, o estado em que se encontra a zona junto às antigas oficinas de via estreita – a zona junto às antigas oficinas já entrou numa fase de degradação acelerada. Edificado e equipamentos que suportam o valor da dimensão histórica da Estação estão nesse processo.

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A antiga oficina do material do material circulante da linha do Sabor pode ser um exemplo do caminho que se está a trilhar. A erosão deverá acentuar-se por acção dos elementos e mão humana, se o espaço continuar esquecido.

Relato de Luís Branquinho Pinto, num regresso à sua infância vivida no Pocinho, olha para o ambiente ferroviário que se vivia nas últimas décadas do Séc. XX:

Todo aquele bairro que se situa do lado esquerdo da estrada actual e também da antiga que seguia para a ponte era ocupado exclusivamente por ferroviários. Fosse pessoal de estação, oficina, manutenção da via ou pessoal que fazia serviço dentro dos comboios (maquinistas, fogueiros ou revisores) era lá que viviam. Aquilo tinha também um dormitório onde pernoitavam maquinistas, fogueiros e revisores.

Também havia ferroviários que viviam fora desse bairro, como era o caso do meu pai e mais alguns.
Outros havia que moravam no edifício da estação.

Depois havia o edifício nas traseiras da oficina que era um dormitório.
E faltam ainda os que prestavam serviço de cargas e descargas na EGT (Empresa Geral de Transportes) para a CP. Esses viviam noutros locais”.

Como ponto de transbordo para Duas Igrejas ou passagem para o litoral ou rumo a Barca D’Alva com destino a Espanha, a estação do Pocinho, linha do Douro, era palco de grande movimento de pessoas, mercadorias, de grande e pequena velocidade, e minério.

Para além da azáfama da exploração comercial dos comboios, a peça acima ilustra o espaço de suporte ao material circulante em serviço na linha do Sabor.

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Sobre que aproveitamento o município gostaria de ver reflectido e passível de ser concessionado no domínio ferroviário, Gustavo Duarte remete para o potencial turístico da região.

O aproveitamento do edificado para a criação de unidade hoteleira ou centro interpretativo, são aproveitamentos que município identifica para o espaço.

Para o segundo caso já houve propostas mas que deram em nada, referiu. No caso, que acabou por não se concretizar, houve a intenção de criar um espaço ligado à cultura da vinha, com prova de vinhos.

Por outro lado a IP, em linha com o município, refere que estão a “desenvolver estudos com vista à possível instalação de uma unidade turística no complexo ferroviário do Pocinho”, num processo que decorre em articulação com a edilidade.

“O projeto passa nomeadamente pela reabilitação de antigas habitações de pessoal, dormitórios de ferroviários e outro edificado hoje sem utilização, com reconversão dos mesmos para atividades turísticas, bem como a utilização para esse fim dos terrenos circundantes”.

A rematar Gustavo Duarte destacou a importância do comboio regressar a Barca D’Alva, e reactivar a ligação a Salamanca. Nesse quadro destacou que a reactivação do corredor é uma das propostas da região a ser incluída na discussão Portugal 2030.