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Ferrovia: Erro de Casting no Prós e Contras

anigif_mapaUma Fátima Campos Ferreira limitada no tema, um secretário de Estado que não sabe articular ferrovia, e um painel sem quadros do sector.

O programa de debate prometia falar de ferrovia mas o tema foi o Alentejo, o Alqueva, o Aeroporto de Beja e os acessos rodoviários. Um frete para a região que acolheu o programa da RTP.

A abordagem não conseguiu ser mais do que superficial e voluntária. A proposta de discussão, sem contraditório ferroviário – será que os houve entre os convidados ou até se mostraram interesse em estar presentes – limitou-se a dois temas.

Parece que a partir de 2019 haverá uma liberalização dos passageiros, com várias empresas no sector. O corredor sul e ligar Sines a Espanha e Europa.

Assuntos tratados na primeira parte do programa, ao lado da urgência com que o programa foi lançado. Quem não entende de ferrovia não encontrou esclarecimento, quem se interessa passou ao largo.

Dentro do tema a jornalista queria saber, a martelo, a posição da CP na liberalização em particular o cenário do longo curso. Sem saber se estava a falar do eixo Faro-Braga, ou ligações internacionais.

Mas Oliveira Martins esteve à altura do papel penoso da Fátima Campos Ferreira que não se preparou. Não só mostrou que é um tema que não sabe articular, como não conseguiu explicar à jornalista que a forma como colocou a questão não fazia sentido para um debate esclarecedor.

Não explicou que no pós 2019 o contrato de serviço publico, aquele que diz que o Governo irá assinar com a CP até ao final do ano, limita a entrada de concorrência nos itinerários explorados pela empresa em Portugal.

A Jornalista, para além mostrar que não pesquisou o suficiente para desenvolver o programa que se propôs conduzir, apresentou um casting de intervenientes de plateia sem interesse para emprestar dimensão à ferrovia.

A selecção não deverá ter sido alheia ao lugar escolhido para o programa: Auditório do Centro de Artes de Sines, Alentejo. Tópicos para programa de debate sobre ferrovia mas sem quadros do sector.

O programa conseguiu ainda ser mais limitado. Não levou ferrovia para o painel da plateia mas levou rodovia, a Antram. Paulo Duarte, sectário, deitou abaixo o investimento no modo de transporte em detrimento do que não é feito na rodovia e devia ser investido em estradas, motoristas e camiões, sem contraditório à altura.

O mesmo se passou na escolha do painel principal. Em 4 pessoas apenas uma sabia do tema. Rui Calçada, da Universidade do Porto, que pouco ou nada interveio, ou para tal foi solicitado.

Embora tenha dado um contributo relevante para aspectos a melhorar na ferrovia de mercadorias, como alertar para a necessidade de planeamento operacional. Contributo que de pouco ou nada serviu para dar consistência a uma debate inquinado.

Assuntos, num contexto de rede europeia, como a atribuição de canal ferroviário, capacidade da rede, harmonização de procedimentos, ou a necessidade do modo de transporte passar mais segurança ao cliente sobre as suas mercadorias, não tiveram desenvolvimento nas questões do transporte ferroviário de mercadorias.

Além do professor e Oliveira Martins, o painel principal era composto por 2 empresários alentejanos. Onde até se entendeu que seriam necessários para justificar a aposta do modo de transporte, só que sem sucesso, o transporte ferroviário está em último nas suas prioridades.

Para o turismo o transporte de passageiros não é solução de impacto. Para o agricultor, por muito que custe a Fátima Campos Ferreira, a ferrovia não serve para colocar os produtos agrícolas perecíveis em Inglaterra.

Com um pouco mais de seriedade saberia que o modo de transporte não é competitivo para a colocação do produto com qualidade em tempo útil.

De fora ficaram intervenientes do sector como o presidente da IP e da CP, administrador da Fertagus, operadores de mercadorias privados, empresas de via e obras, ADFERSIT, reguladores, sindicatos, associações, ou Mário Ferreira e o comboio do Tua.

Será que entenderam que iam estar longe de servir as questões que valorizam o sector?

Não sabe, ou ninguém prestou assessoria para dizer que o serviço longo curso é uma coisa e o serviço internacional é outra.

Na vontade de não deixar ir a carne para os privados e para os contribuintes o abater das gorduras, o serviço regional, não ajudou a entender o papel da CP no pós 2019.

Explicação que o Secretário de Estado também não conseguiu dar.

Em cenário de liberalização, que se a ideia é ligar Lisboa a Sevilha ou Salamanca – ligação internacional -  por ferrovia, a CP não tem comboios.

O mesmo já não acontece no eixo Faro – Braga, longo curso, onde bem ou mal  há  pendulares no serviço Alfa e IC’s de locomotiva e carruagens ou até automotoras 2240, para a oferta. Mas o longo curso português é mais do que este eixo, e sobretudo, mais do que os comboios Alfa Pendular.

A linguagem formatada no Plano Ferrovia 2020 tornou a actuação do governante penosa fora do investimento de mais de dois mil milhões nas infraestruturas do modo ferroviário.

A jornalista, e para o serviço público a que se propôs, podia ter seguido para o curto e médio prazo da ferrovia. Procurar saber como o material encostado, que não foi equacionado, não é motivo para esclarecimento por parte da pasta. Nomeadamente se foi, para o curto prazo, posicionado como solução e apresentado pela CP à Tutela e qual foi a resposta desta.

Ou porque é que a linha do Douro, enquanto corredor internacional, é um assunto tabu para Pedro Marques e Oliveira Martins. Isto quando se tem posicionado em várias frentes e existem números, custos e estimativas de uso, e financiamento, para uma reabertura.

Ou, numa ferrovia liberalizada, os reguladores que temos se servem para prestar contas dessa liberalização. Até porque na actualidade as questões desse cenário têm de ser colocadas à ERA, porque não respondem.

Um programa à medida da ferrovia que temos. Ou seja, um assunto que de sério e responsável pouco ou nada tem.