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Joana Paulino levou linha de Cascais até Braço de Prata

cec_lCascaisO Clube de Entusiastas dos Caminhos de Ferro dedicou a tarde de sábado à linha de Cascais. Joana Paulino deu o apito de partida para a viagem com a apresentação da tese de mestrado que elaborou sobre o corredor ferroviário.

A jornada iniciou-se pouco depois das 15h30 com a sala principal do clube preenchida. Do outro lado, e após uma breve apresentação da sessão por Jorge Trigo, investigadora explicou que a apresentação abordaria Cascais antes dos comboios, a introdução do modo de transporte e a electrificação do corredor.

A Vila de Cascais, adiantou na primeira parte, começou pouco depois da  Família Real escolher a Cidadela de Cascais para residência oficial em época balnear.

A estadia sazonal da corte, para se banhar nas praias da região, trouxe relevo à vila e a instalação de serviços e surgimento de actividade económica.

O protagonismo crescente enquanto estância de veraneio, o desenvolvimento económico, e a falta de soluções de transportes – as rodoviárias eram penosas e demoradas – levou a que se equacionasse a construção de uma linha de Caminho de Ferro.

Primeiro, começou por descrever na segunda parte, equacionou-se um ramal que partiria de Sintra. A intenção ficou no papel e a solução final recairia no corredor actual entre Cascais e Cais do Sodré. Cerca de 26 km, junto ao Tejo, inaugurados em 1895.

Antes de entrar na terceira parte, como introdução, introduziu Fausto de Figueiredo. A figura esteve no desenvolvimento do corredor, primeiro ligado à Companhia Real e depois como administrador da concessão do corredor, da Sociedade Estoril.

O percurso, ainda por estudar, tem dimensão que até podia dar um filme, disse. Deu como exemplo os três regimes políticos que atravessou – Monarquia, República e Estado Novo – sempre a impor-se. Essa influência, considerou, ainda está por explorar.

De regresso ao corredor ferroviário a electrificação chega em 1926. A opção surge com a necessidade diminuir o tempo de paragem das locomotivas a vapor nas estações.

Nos 26 km, adiantou, o pára arranca nas mais de duas dezenas de estações, 1200 metros de distância, contabilizava 20 minutos ao percurso, e custos com o carvão. A introdução da tracção eléctrica viria melhorar o tempo de percurso, e diminuir os custos de exploração.

A introdução da tracção eléctrica está também associada à concessão do corredor ferroviário à Sociedade Estoril. Para se proceder à electrificação da linha houve um concurso público.

O concessão seria assegurada, após a desistência das outras propostas, por 50 anos pela Sociedade Estoril, como único concorrente.

A investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e humanas da Universidade Nova de Lisboa, terminada a apresentação baseada na tese de mestrado apresentada em 2012, explicou que teve como principais fontes os debates parlamentares, e a consulta dos fundos ao cuidado do Centro de Documentação Ferroviária da Fundação Museu Nacional Ferroviário e CP Comboios de Portugal.

Na introdução à sessão Jorge Trigo referiu que esta instigação – “A linha de Cascais: Construção e modernização: Reflexos no turismo e no processo de suburbanização da cidade de Lisboa” – que esteve na base da sessão, foi reconhecida em 2015 com o primeiro Prémio História de Cascais Ferreira de Andrade, atribuído pelo Município de Cascais.