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Porque não sai a CP das capas dos jornais e televisão?

O principal problema da CP está na EMEF. A CP não sai das capas dos jornais e da televisão, nem sairá tão depressa, porque não tem capacidade para resolver o problema do material circulante imobilizado, por incapacidade da EMEF, e não é capaz de pensar fora da caixa, não sei se porque não sabe ou a não deixam ou então pelas duas coisas, não sabe nem deixam.

A EMEF, pese embora algumas medidas autorizadas pelo Governo, não consegue inverter o plano inclinado em que foi colocada a partir de 2012/2013 com a saída de centenas de trabalhadores especializados e com a tentativa de privatização falhada que a deixou exangue.

Tentou recuperar solicitando diversas vezes, a partir de 2015, a autorização para a admissão de cerca de 200 trabalhadores mas viu sempre recusada essa pretensão até que, este ano, o governo autorizou a entrada de 120 trabalhadores num processo que ainda decorre e não está a correr bem, sobretudo em Lisboa, o sector mais critico.

SAMSUNG DIGIMAX 360Não está a correr bem porque, a EMEF, nem sequer compreende que com salário bruto pouco acima de 700€ (o mesmo de 2010) não consegue recrutar trabalhadores especializados, ainda por cima com a taxa de desemprego em queda continua.

Como se não bastasse a sangria de recursos humanos nos anos anteriores, a mesma continuou em 2018, por saída para a Reforma, de dezenas de trabalhadores.

Ora é, nesta situação, que a CP/EMEF tenta o equilíbrio, entre a sua oferta comercial e o reduzido material circulante que tem ao seu dispor e começa a “magicar” o que mais pode fazer para diminuir o tempo de imobilização do material circulante em oficina, ou atrasar intervenções programadas de acordo com as instruções dos fabricantes.

Ao fazer isto, a CP/EMEF, pede aos Directores e Quadros envolvidos nas justificações técnicas do adiamento da intervenção ou do seu aligeiramento (a situação que mais sucede) que aceitem por a cabeça no cepo, porque se acontecer algo que envolva vitimas, numa altura em que a Comunicação Social é autentica vampira de casos que envolvam sangue, serão de imediato apontados, na praça pública, como Responsáveis.

Qualquer Responsável sério, sem problemas de curvatura da coluna ou medos excessivos, não se expõe sem Garantias que estas decisões extraordinárias podem ser feitas dentro de condições mínimas de segurança!

Ao fazer isto a CP/EMEF não tem qualquer garantia que, quando chegar de novo as datas para as intervenções que foram entretanto adiadas ou aligeiradas, a situação seja diferente para melhor. A CP/EMEF tem esperança que os trabalhadores que entretanto admitiu, na EMEF, já tenham capacidade de reparar esses comboios.

O problema está que as datas de reparação surgem provavelmente primeiro que os conhecimentos necessários. Entretanto mais uma nova fornada de trabalhadores qualificados sairá para a Reforma, em consequência das novas regras, nas longas carreiras contributivas, que entram em vigor em 2019.

A CP/EMEF está metida num grande sarilho, agravado ainda pela EMEF se estar a dividir em três empresas, perdendo valências entre elas, e tem manifestamente uma administração incapaz de dar a volta aos acontecimentos, nem sequer se sabe impor a uma assessora do SET, que todos os dias lhe dita ordens que só atrasam o concurso público para aquisição de novo material circulante…

Nestas condições a CP não sairá das capas dos jornais e das televisões pelos piores motivos, que todos esperamos não traga vitimas. Acredito que nunca se atingirá a “Red Zone” se o bom senso prevalecer sobre as pressões de fazer comboios a qualquer preço.

Francisco Fortunato