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Património azulejar da linha do Oeste alvo de trabalhos de conservação

azule_00A Infraestruturas de Portugal vai proceder a trabalhos de conservação e restauro de painéis de azulejos em sete estações da Linha do Oeste.

As intervenções de conservação e restauro terão como alvo os painéis de azulejo das Estações de Mafra, Outeiro, Bombarral, Óbidos, Caldas da Rainha, Valado e Leiria.

Explica a empresa que a acção “contempla diferentes trabalhos, nomeadamente, a remoção de azulejos em destacamento, limpeza de face nobre e tardoz, colagens, consolidações, tratamento do suporte, preenchimentos, consolidações, reintegrações cromáticas, refrescamento de juntas e limpeza”.

Informações IP sobre os painéis e estações a intervir

São sete as estações com painéis alvo de trabalhos de conservação e restauro. Na linha do Oeste, em causa e alvo de intervenção, estão obras produzidas entre as décadas de 30 e 40 do Séc. XX para revestir as paredes das estações de caminhos de ferro.

As peças presentes na estação de Mafra, datadas de 1934, são originárias da Fabrica de Sacavém e têm como autor Carlos Mourinho e Gomes Salvador. Como temas presentes destacam-se imagens de monumentos e espaços públicos da região de Mafra.

Os painéis da estação do Outeiro, onde também pontuam monumentos, espaços públicos e tradições da região do Oeste, datam de 1930. As reproduções de época são da autoria de J. Oliveira, e foram produzidos na fábrica Aleluia.

Bombarral, os motivos são da autoria de Jorge Pinto, ano de 1930, e produção da azulejos Arcolena Lisboa. Pautam nos azulejos os instantâneos de espaços bucólicos, figuras, tradições e trabalhos ligados à viticultura, da região.

Monumentos, edificado histórico/religioso e espaços públicos da Vila de Óbidos, são os temas presentes nos painéis da Estação daquela vila. Assinala-se na produção dos azulejos, autoria de José Vitória Pereira no ano de 1943, a fabrica Viúva Lamego, que ainda está no activo.

Os azulejos de Caldas da Rainha foram elaborados por Carlos Aleluia em 1924 e produzidos pela fábrica Aleluia. “Evoca monumentos e locais da cidade e região (Praça da República, Chafariz das Cinco Bicas, Hospital Termal, Torre da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, mata e o Parque D. Carlos I, a Foz do Arelho e a Lagoa de Óbidos), assim como Bordalo Pinheiro. Azulejos padrão em relevo”.

Estação do Valado, de J. Oliveira ano de 1929, também produzidos na fábrica Aleluia. Os painéis recuperam monumentos (Santuário do Sítio da Nazaré, Mosteiro Alcobaça e a estrada Lourinhã-Outeiro) de época.

Ernesto Korrod, Leopoldo Battistini e Luís Fernandes ilustram as paredes da estação de Leiria em 1935. Das Oficinas Leopoldo Battistini figuram nos painéis monumentos de Leiria e cidades próximas, trajes locais, e mapa roteiro local.

De referir que muitos dos motivos abordados pelos autores tinham como referência imagens de livros, revistas ou postais. Por vezes cenas do quotidiano e lugares comuns eram trabalhados para criar uma imagem ícone.

O processo de construção e elaboração das imagens que ilustram os painéis foram alvo de estudo e posterior exposição no museu de Arte Popular em “Da Fotografia ao Azulejo“.