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Acervo ferroviário de antigas colónias vai a leilão em Lisboa

A 5 e 6 de Fevereiro o Palácio da Independência, no Rossio, será palco de um leilão com documentação ferroviária associado ao modo de transporte nas antigas colónias na primeira metade do Séc. XX.

Entre o acervo a licitação estará o Lote 547, um conjunto composto por documentação e fotografias, ilustrativo dos primórdios da exploração ferroviária em Angola e Moçambique.

O espólio integrou à colecção de José Vicente Barbosa du Bocage, Carlos Roma Machado de Faria e Maia e Carlos Roma du Bocage.

No catalogo do leilão sobre o Lote 547:

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Lote 547 ‑ Carlos Roma Machado de Faria e Maia, Coronel de Engenharia, (1861‑1953), oriundo de uma ilustre família açoriana, exerceu, entre 1897 e 1929, as mais diversas funções em Angola e Moçambique, nomeadamente as relacionadas com a instalação do Caminho de Ferro de Benguela, os trabalhos de delimitação da fronteira sul de Angola, ao longo do Rio Cunene, que incluiu a participação num convénio internacional na Cidade do Cabo, tendo feito viagens por via fluvial e terrestre para avaliar a navegabilidade e curso dos rios e as possibilidades de construir estradas.

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Espólio fotográfico do CFB

Elaborou também diversos projetos de edifícios, acompanhando a respetiva construção, como o Porto da Beira e o levantamento da cidade de Nova Lisboa.

Por outro lado, Faria e Maia revelou um grande conhecimento do modus vivendi das populações indígenas, sendo a sua visão sobre elas esclarecida e muito avançada para o tempo, dando grande destaque à descrição da vida e dos costumes daqueles povos, com quem conviveu.

O conjunto é constituído por centenas de cartas, documentos, fotografias, postais, diplomas, cartões de visita, assinaturas, passaportes diplo‑ máticos, aguarelas, folhetos informativos sobre os paquetes em que viajou, inaugurações, festas, jornais, aguarela, etc. A) Pasta composta por: Cartões de visita de, entre outros, a Marquesa de Tancos, Costa Lobo, Marquês da Praia e Monforte, Duque de Palmela. Cartas da autoria do Duque de Palmela, Fontoura da Costa, Rocha Madahil, Júlio Dantas, Visconde de S. Januário, Conde de Penha Garcia, Armando Cortesão, Sebastião da Costa, etc.

Grande conjunto de fotografias de carácter etnográfico, de cidades e de aldeias, relativas à construção do porto da Beira, dos caminhos de ferro de Benguela, do Lobito, de Lourenço Marques, Luanda, Liverpool, Beira, Zanzibar, Cidade do Cabo, Madeira, Durban e Lisboa.

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Espólio fotográfico do CFB

Contém ainda iconografia de animais, familiares, indígenas, etc.

Documentos oriundos de diversas instituições: Sociedade de Geografia, Ministério das Colónias, Escola Industrial do Funchal, consulados, União Nacional, Direção de Obras Públicas de Lourenço Marques, Sociedade Luso ‑ Africana do Rio de Janeiro, Instituto Goano de Lourenço Marques, Prelazia de Moçambique, Companhia de Caminhos de Ferro de Benguela (ofícios e telegramas), Governo de Angola, etc.

Passaportes diplomáticos. Um diploma assinado pelo rei D. Luiz e diversos convites (Presidente Óscar Carmona, Condessa de Sisal, em nome de D. Amélia, Ministério das Colónias, etc.

Realce ainda para um conjunto valioso de postais de carácter etnográfico e de vistas de várias cidades de Angola, S. Tomé, Moçambique, Estado da Índia, Portugal, Marrocos, entre outros. B) ‑ Pasta constituída por fotografias de familiares, documentos, cartas, diplomas, convites reais, fotografias de Angola (caminhos de ferro), da construção do Porto da Beira, do casamento de D. Manuel II, ofícios, passe dos caminhos de ferro da Beira, documentos de índole genealógica, dezenas de desenhos do Conde de Ficalho e aguarelas. Correspondência de António, Bispo do Porto, Conde de Penha Garcia, José Carlos de Brito Capelo, Aires de Ornelas, Henrique Galvão, Ernesto de Vasconcelos, Cristóvão de Aires, Joaquim de Araújo, etc.

Assinaturas autógrafas, coladas na pasta, do Conde de Arnoso, Conde de Ficalho, Serpa Pinto, Conde de Sabugosa, Pinheiro Chagas, Ramalho Ortigão, entre muitas outras. Correspondência trocada com várias instituições: Direção das Obras Públicas de Lourenço Marques, The British South Africa Company, Companhia de Moçambique, Consulado da Beira, Comissariado Régio de Moçambique, Ministério dos Negócios da Marinha e Ultramar, Union Castle Line, Companhia dos Caminhos‑de‑Ferro de Benguela, Companhia da Zambézia, Inspeção do Serviço Militar de Caminhos‑de‑Ferro, Governo do Distrito de Mossâmedes, Província de Angola.

Cartões de visita de Oliveira Salazar (vários), Óscar Carmona, Duquesa de Palmela, Visconde de Seisal, Conde de Mendia, Viscondessa de Almeida Garrett, Santos Portela, Raul de Miranda, Marcelo Caetano, Marquês de Tancos, Bispo da Guarda, Vicente de Almeida d’ Eça, Conde da3 Folgosa, António Cabreira, Bivar Guerra, Visconde de Alcochete, Eduardo Brazão, Marquês de Faial, Marques de Rio Maior, Jaime do Inso, Visconde de S. Gyão, etc.

Destacamos alguma da correspondência de personalidades ilustres como: D. Duarte de Bragança, Visconde de Asseca, João de Azevedo Coutinho, Henrique Paiva Couceiro, Artur Lobo de Ávila, Luis Vieira de Castro, Costa Lobo, Fontoura da Costa, David Lopes, Henrique Campos Ferreira Lima, Conde de Penha Garcia, António Cabreira, João Afonso Corte Real, Barbosa de Magalhães, José, Bispo da Guarda, Conde da Folgosa, Armindo Monteiro, Teixeira Botelho, Pereira Caldas, Jorge de Moser, Marquês da Graciosa, Alfredo Pimenta, Alfredo da Cunha, Rocha Madahil, António Ferrão, Manuel de Heleno, Agostinho de Campos, etc.. Correspondência trocada com instituições: Presi‑ dência do Concelho, Liga Portuguesa de Profilaxia Social, Companhia de Caminhos de Ferro de Benguela, Instituto Colonial Internacional, Sociedade Geográfica de Lisboa, Província de Angola, Secretaria Particular de El ‑Rei, Patriarcado de Lisboa, Arquivo Histórico Militar, Sociedade de Geografia de Lisboa, Grémio dos Açores, Agência Geral das Colónias, Ministério das Colónias, Companhia de Moçambique, Alto Comissario da República de Angola e Instituto de Coimbra.

No final da pasta, encontra‑se uma bela aguarela da sua casa na cidade da Beira.

Conjunto valioso designadamente para a História de Angola, mas também para a de Moçambique e de S. Tomé. E ainda para os primórdios da evolução dos transportes e dos portos daquelas possessões africanas.

As fotografias, os postais, os cartões de visita, os desenhos e aguarelas encontram‑se colados nos fólios das pastas.

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O acervo tem licitação a partir de quatro mil euros, e encontra-se disponível para consulta no Palácio da Independência 4 de Fevereiro.

O espólio vai a leilão por via da livraria Olisipo. Mais informações, bem como o catálogo em .pdf , podem ser acedidos AQUI