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APROVEITAMENTO TURÍSTICO DO RAMAL DE CÁCERES

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Comboios turísticos em França

Nos últimos anos, inúmeras vias férreas encerraram em Portugal, sob o argumento da fraca utilização e rentabilidade económica. Na realidade, tal deveu-se a opções políticas que não favoreceram a sua modernização e que permitissem que a ferrovia se tornasse competitiva com outros modos de transporte.

Completamente ao abandono, estas vias começam a ser alvo de vandalismo e a sofrer as agruras do tempo: As estações grafitadas, arrombadas e destruídas, os carris levantados e furtados e a superestrutura coberta por densos matos.

Importa combater esta situação, preservar e dignificar este património, sobretudo dar-lhe utilidade, tornando-o uma mais-valia para as regiões onde se encontra, apostando por exemplo no turismo ferroviário.

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Ciclo-rail em França

No Alto Alentejo, mais concretamente no nordeste do distrito de Portalegre, encontra-se uma via-férrea – o Ramal de Cáceres – inativa desde Agosto de 2012, que reúne todas as condições para nela ser feita uma aposta em turismo ferroviário. Com efeito, esta linha atravessa uma região de rara beleza paisagística, a Serra de S. Mamede, povoada de monumentos megalíticos (alguns bem juntinhos ao linha), e onde também se podem observar vilas e castelos medievais alcandorados. Por outro lado, as estações – Vale do Peso, Castelo de Vide e Marvão -, ornamentadas de azulejos, são de uma beleza rara.

À semelhança do que se faz noutros países europeus em vias férreas desativadas, poder-se-ia aqui implementar periodicamente a circulação de um comboio histórico[1] (porque não o Comboio Presidencial, agora que foi recuperado) entre as estações de Vale do Peso (ou Entroncamento) e Marvão-Beirã, assim como em pequenos troços poderiam ser praticados percursos de ciclo-rail[2] (quadriciclos em carris), por exemplo entre as estações de Castelo de Vide a Marvão-Beirã.

Estas atividades iriam permitir a vigilância, a salvaguarda e a preservação do património ferroviário, contribuiriam para a sua valorização, e, como produto turístico, ajudariam à dinamização da economia local.

Ourém, 2 de Maio de 2013

Paulo Santos Fonseca – Membro do GAFNA (Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana)



[1] Ver exemplos de comboios turísticos em França: http://www.lafrancevuedurail.fr/

[2] Ver exemplos de ciclo-rail em França: http://www.veloraildefrance.com/