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ramal de Cáceres … ouvir o silêncio

200920121532Até 30 de junho uma exposição fotográfica reabre o olhar sobre o ramal que ligava  Torre das Vargens à Beirã. Um dos caminhos sugeridos pela abordagem é ir ouvir o silêncio.

A freguesia da Beirã, no Alto Alentejo, perdeu a ligação ferroviária a Lisboa e à europa com o encerramento oficial do ramal de Cáceres,   em 2012. De forma simples, ficou mais distante e inacessível. Contrariando essa perda, alguma dinâmica foi anunciada à poucos  meses. As estruturas ferroviárias do edifício da estação e restaurante, foram apontadas para valências no suporte ao ensino universitário e hotelaria por um jornal diário Português.

Segundo apurou a webrails.tv junto de habitantes da freguesia da Beirã, do título da publicação de então “Guest house e pólo universitário vão dar nova vida à estação ferroviária de Beirã“, só uma, das duas estruturas, tem prevista uma data para inico de actividade. Enquanto o edifício da estação, dado como suporte para a valência de arqueologia da Universidade de Évora, não se sabe quando, ou se vai avançar. A  Train Spot -Turismo Rural virada para o turismo rural, alojada no edifício do antigo restaurante, tem uma previsão de entrada em funcionamento. “Esperamos muito que a Train Spot -Turismo Rural inaugure dia 1 de julho.”

Quando se coloca a questão de se para além das dormidas, tem prevista alguma dinamização que se expresse em actividades que prolonguem a estadia. A resposta é “O conceito da Train Spot é muito diferente de um alojamento normal. Estão previstas muitas atividades recreativas e culturais para este espaço. Esperamos uma vida nova e animada.

Confrontando a resposta nas atividades recreativas, os carris do ramal. À imagem de outros países, linhas encerradas são motivo de atenção e dedicação, e dão lugar ao estimular de ideias e iniciativa. Linhas e ramais encerrados  suportam operações de limpeza e dão lugar a ideias que circulam sobre carris, ou ao aproveitamento da infraestrutura. Dentro desse contexto está o ramal de Cáceres, apenas em comum estar encerrado ás circulações ferroviárias entre a fronteira com Espanha e a estação da Linha do Leste, Torre das Vargens.” Não conheço nada formal. Mas que nós temos ideias, temos. Infelizmente as idéias para o ramal carecem de multiplas aprovações dos donos da linha(Refer).

Para o nosso interlocutor da Beirã, o encerramento é apontado como um erro político.“ Que se trata de um grave erro político! De um planeamento estratégico economicista!”, e continuou recuperando o que foram mais de 100 anos de história, que aqui transcrevemos na integra:
Recuemos até 1 de Outubro de 1866, quando se estabelece a ligação ferroviária entre as duas capitais peninsulares, a ligação faz-se através da linha do Leste, via Elvas. Mas logo se percebe que existe a necessidade de encurtar distancias, que o caminho a percorrer era demasiado longo, e é aqui que o Ramal de Cáceres se torna importante, estamos no ano de 1878. Ano em que se inicia a construção do novo troço de linha férrea, separando-se da Linha do Leste em Torre das Vargens, viria a entroncar no pais vizinho na estação de Arroyo-Malpartida, provincia de Cáceres, a qual veio a dar o nome ao novo Ramal, Ramal de Cáceres.
A partir de então, este itinerário passou a ser a principal ligação entre Portugal e Espanha … até 15 de Agosto de 2012!
Circularam pelo Ramal de Cáceres o comboio “TER Lisboa Expresso”, o “Talgo Luís de Camões” e o “Lusitânia Expresso”.
E desabafa “Enfim … foram 132 anos de história, interrompidos no dia 15 de Agosto de 2012, por pessoas que desconhecem as tradições, a cultura e a história desta freguesia. Os comboios que passavam e alegravam as vidas desta terra e desta gente não passam mais …