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Modo Ferroviário com nova Tutela

A remodelação governamental, promulgada segunda-feira, veio trazer nova arquitectura e novos intervenientes ao transporte ferroviário.

A anterior pasta do “Planeamento e das Infraestruturas”, liderada por Pedro Marques, deu lugar à pasta das “Infraestruturas e da Habitação”, e ao novo do ministro do sector, Pedro Nuno Santos.

O modo ferroviário têm ainda uma outra figura em estreia, mais próximo do modo de transporte. O novo protagonista será Jorge Delgado que integra o elenco como Secretário de Estado das Infraestruturas, em substituição de Oliveira Martins.

Junto do sector para obter um leitura a propósito da alteração da disposição do anterior Ministério, o horizonte e a expectativa de novos intervenientes.

Contactada a ADFERSIT, 0 Presidente da associação sectorial Tomás Leira Pinto explicou que o posicionamento da entidade é técnico e não politico.

No entanto adiantou, num comentário deverá ser entendido como uma opinião pessoal não vinculativa da direcção da ADFERSIT, à remodelação ministerial e do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, que suscitou a atenção para 3 aspectos:

“Muito embora se tenha de reconhecer o mérito da equipa ministerial, agora remodelada, em ter colocado o “dossier ferroviário” na discussão publica, torna-se imprescindível apontar os inegáveis atrasos na concretização do Plano Ferrovia 2020, o que evidencia uma inesperada fragilidade das estruturas existentes (como é exemplo as Infraestruturas de Portugal), incapaz de assegurar no terreno a concretização das obras que periodicamente são anunciadas.

A circunstância de se tratarem de investimentos destinados à renovação da via (recuperação, electrificação e sinalização), reduz a natureza mais ambiciosa e desejável inicialmente apontada no Plano Ferrovia 2020, convertido posteriormente a um conjunto de projectos de manutenção da infraestrutura ferroviária.

Daqui a 2ª preocupação, face ao atraso que este Plano 2020 regista a 2 anos da sua conclusão: que o seu inevitável protelamento não inquine os objectivos já tornados públicos para a elaboração do futuro Plano Ferrovia 2030.

Criar as condições para integrar Portugal nas Redes Globais (Transportes, Energia e Comunicações) significa, para o Sector Ferroviário, estabelecer em Interoperabilidade total as ligações que permitirão a integração da Rede Ferroviária Nacional na Rede Europeia, através do Corredor Internacional Norte (ligação Aveiro/Salamanca); através do Corredor Internacional Sul /ligação Sines/Caia) e da construção do novo Eixo Norte/Sul (ligação Valença/Faro).

Aliás, a aposta recentemente assumida do trajecto Lisboa/Porto ser realizado em menos de 2 horas e o inicio da quadruplicação da Linha do Norte nos troços mais congestionados, correspondentes aos Serviços Suburbanos do Porto e Lisboa, constitui um dos mais significativos sinais de mudança, que o ex-Ministro Pedro Marques deixa ao seu sucessor para concretizar.

Finalmente, também como herança deixada pela anterior equipa ministerial, uma referência à inexplicável situação da Linha de Cascais.
Já dotada de 50 milhões € – obtidos da inteligente reprogramação do Plano 2020 – esta linha, em vez de ser objecto de imediatos investimentos que permitam um melhor serviço (ao nível da sinalização; da melhoria da via ; da qualidade das estações), continua a ser objecto da contínua degradação da Oferta existente e, mais grave, condicionada por estudos para uma eventual ligação à Linha de Cintura, com custos dificilmente justificáveis”.

Outra reacção à entrada de um novo ciclo na ferrovia veio da FECTRANS. Em comunicado adiantou:

“É preciso que a mudança de Ministro das Infraestruturas seja acompanhada de novas políticas, que invertam uma acção baseada nos anúncios para o futuro e se centre na resolução dos problemas de imediato, de modo a resolver as situações negativas com que as populações e os trabalhadores se debatem.

Portugal precisa de um sector de transportes e comunicações a prestar um serviço público de qualidade, em que os utentes tenham garantidos os seus direitos e os trabalhadores sejam valorizados.

Para se atingirem estes objectivos, o sector deve assentar em fortes empresas públicas de transportes e comunicações, em sectores unificados e não espartilhados por diversas empresas como acontece hoje, com resultados negativos para as populações como se vê diariamente no transporte ferroviário e no serviço postal, por exemplo.

Só podemos avaliar se o país ganhou algo com a mudança de Ministro, se o actual inverter aquilo que vinha sendo feito anteriormente”.

Na site do Sindefer, o dirigente Francisco Fortunato adianta:

“O dilema do novo ministro vai ser entre continuar a empurrar com a barriga o problema da falta de conhecimento, por falta de pessoas especializadas, e da falta de material circulante ou contar a verdade.

Contar a verdade passa por recalendarizar os investimentos, pô-los de acordo com as possibilidades actuais e diminuir a oferta ferroviária, enquanto não estiver resolvido o problema da manutenção do material circulante, ou seja, enquanto não estiver resolvido o problema chamado EMEF, procurando, ao mesmo tempo, novos protagonistas para a ferrovia. Só com a CP/EMEF isto já lá não vai!

Enquanto a operadora pública estiver reduzida a ventríloquos, que afastam os que pensam pela própria cabeça, não será solução será sempre parte do problema”.

Artigo completo encontra-se disponível para subscritores.